AVALIAÇÃO DA PROTEÍNA C-REATIVA SÉRICA COMO INDICADOR INFLAMATÓRIO EM CADELAS COM PIOMETRA – REVISÃO DE LITERATURA  
1STEPHANIE AMANCIO SANTANA, 2JESSICA SUEMI ALMEIDA KIKUTI, 3ARIELLE DE OLIVEIRA COSTA, 4MARIA EDUARDA SOARES, 5THAYANNE CAMARGO RODRIGUES , 6ANA MARIA QUESSADA
1Graduanda do Curso de Medicina Veterinária – PIC/UNIPAR
2Mestranda da Pós-graduação em ciência animal, taxista PROSUP, UNIPAR
3Acadêmica do Curso de Medicina Veterinária da UNIPAR
4Acadêmica do Curso de Medicina Veterinária da UNIPAR
5Acadêmica do Curso de Medicina Veterinária da UNIPAR
6Docente do Curso de Medicina Veterinária UNIPAR
Introdução: A piometra é caracterizada pela concentração de exsudato purulento no útero (Xavier et al., 2023). A origem pode ser atribuída à influência hormonal, isto é, à resposta endometrial intensificada diante da exposição contínua à progesterona e ao estrogênio, de origem endógena ou exógena, tornando o útero mais vulnerável à colonização bacteriana (Sugiura et al., 2004; Hagman, 2016; Xavier et al., 2023). Tais eventos induzem inflamação endometrial e, eventualmente, levam à sepse e à síndrome da resposta inflamatória sistêmica (SIRS) com disfunção de múltiplos órgãos, o que pode ser fatal (Hagman, 2012; Hagman, 2018). Alterações sistêmicas como sepse e SIRS, contribuem para produção de algumas proteínas de fase aguda (PFA), as quais são marcadores sensíveis, mas inespecíficos, de processos inflamatórios (Malin et al., 2022). Entre tais PFA se inclui a proteína C-Reativa
Objetivo: Revisar na literatura cientifica o uso da proteína C-Reativa como biomarcador preditivo para o diagnóstico de piometra em cadelas por meio de buscas em sites especializados de literatura científica incluindo SciELO, PubMed, SD/Elsevier (ScienceDirect), Google Acadêmico e MDPI (Animals). 
Desenvolvimento: A piometra é uma das enfermidades reprodutivas mais frequentes em cadelas não castradas, sendo caracterizada pelo acúmulo de exsudato purulento no lúmen uterino (Xavier et al., 2023). As alterações ocorrem devido à exposição do endométrio a elevados níveis de progesterona, que estimulam o crescimento e a atividade das glândulas endometriais, resultando na formação e acúmulo de secreções no lúmen uterino. A diminuição da contratilidade miometrial favorece a ascensão de bactérias provenientes da vulva e da vagina, culminando em infecção (Rossi, 2021). Essa condição geralmente se inicia com sinais clínicos discretos, como polidipsia, poliúria e secreção vaginal. A doença pode progredir de um processo inflamatório uterino localizado para um quadro sistêmico grave. Na ausência de intervenção terapêutica adequada, há risco de evolução para peritonite, sepse e disfunção dos órgãos (Jitpean et al., 2017; Hagman, 2022). No entanto, examinar possíveis indicadores de reações inflamatórias na piometra pode contribuir para o diagnóstico e prognóstico da doença. A resposta de fase aguda representa um mecanismo inespecífico ativado por alterações na homeostase, envolvendo a intensificação da síntese hepática de proteínas de fase aguda (PFAs), essas proteínas configuram biomarcadores sensíveis, embora não específicos, da atividade inflamatória sistêmica, como observado na piometra (Malin et al., 2022). As PFAs podem ser classificadas em negativas, como a albumina e a transferrina, que reduzem suas concentrações durante a inflamação e em positivas, que aumentam nesse processo, como a proteína C-reativa (PCR). A síntese dessas PFAs positivas ocorre principalmente nos hepatócitos sob estímulo de citocinas pró-inflamatórias, sendo então liberadas na circulação (Nakamura, 2008). Uma das principais PFAs positivas em cães é a proteína PCR sendo a mais sensível nesta espécie (McClure et al., 2012). Sua concentração varia rapidamente, elevando-se e diminuindo conforme o início ou a remoção do estímulo inflamatório. Seus níveis aumentam nas primeiras quatro a 24 horas após a exposição ao estímulo, podendo atingir uma elevação de 50 a 100 vezes em relação à linha de base (Nakamura et al., 2008; Malin et al., 2022). Estudos também relatam que elevação da PCR está relacionada à gravidade clínica. Cadelas com piometra de colo fechado tendem a apresentar concentrações mais altas do que aquelas com piometra aberta (Fransson et al., 2007; Jitpean et al., 2017; Hagman, 2022). Além disso, níveis persistentemente elevados de PCR após a ovariohisterectomia podem indicar complicações pós-operatórias, como infecções secundárias ou peritonite, sendo, portanto, um marcador útil também no acompanhamento do tratamento (Hagman, 2018; Xavier et al., 2023). Em cadelas com piometra estudos mostram que a PCR pode servir como um importante marcador auxiliar no diagnóstico da doença, além de oferecer valor prognóstico (Fransson et al., 2007; Nakamura et al., 2008). Nesse contexto, ela pode ser utilizada como complemento à avaliação hematológica em cães, especialmente em situações nas quais não se identificam alterações nos neutrófilos. No entanto, ela não permite determinar a causa ou a intensidade da inflamação, assim, não deve substituir o hemograma e exames complementares (Freitas et al., 2018).
Conclusão: A piometra é uma afecção comum e grave em cadelas, exigindo diagnóstico precoce e monitoramento clínico para prevenir complicações. A PCR se destaca na avaliação da inflamação, detectando alterações mesmo quando o hemograma não evidencia desvios significativos. Além de auxiliar no diagnóstico, a PCR tem valor prognóstico, correlacionando-se com a gravidade clínica e a evolução pós-operatória. Sua interpretação deve ser associada a outros exames e à avaliação clínica completa para maior precisão terapêutica.
Referências:
FRANSSON, B et al. C-reactive protein in the differentiation of pyometra from cystic endometrial hyperplasia/mucometra in dogs. Journal of the American Animal Hospital Association, v. 40, p. 391-339, 2004.
FRANSSON, B.A et al. C-reactive protein, tumor necrosis factor α, and interleukin-6 in dogs with pyometra and SIRS. Journal of Veterinary Emergency and Critical Care, v. 17, p. 373-381, 2007.
FREITAS, M.M, et al. Proteína C reativa em cadelas com alterações uterinas inflamatórias. Arquivos Brasileiros de Medicina Veterinária FAG, v. 4, n. 1, p. 1-7, 2021.
HAGMAN, R. Clinical and molecular characteristics of pyometra in female dogs. Reproduction in Domestic Animals, v. 47, supl. 6, p. 323-325, 2012.
HAGMAN, R. Pyometra in small animals. Veterinary Clinics of North America: Small Animal Practice, v. 52, p. 631–657, 2022.
HAGMAN, R. Piometra canina: o que há de novo? Reproduction in Domestic Animals, v. 2, p. 288-292, 2016.
JITPEAN, S. et al. Closed cervix is associated with more severe illness in dogs with pyometra. BMC Veterinary Research, v. 13, p. 11, 2017.
McCLURE, V. et al. Evaluation of the use of serum C-reactive protein concentration to predict outcome in puppies infected with canine parvovirus. Journal of the American Veterinary Medical Association, v. 243, n. 3, p. 361-366, 2013.
NAKAMURA, M, et al. C-reactive protein concentration in dogs with various diseases. Journal of Veterinary Medical Science, v. 70, n. 2, p. 127-131, 2008.
ROSSI, L.A., et al. Clinical, laboratorial and surgical aspects of 15 cases of pyometra in bitches. Research, Society and Development, v.10, n.9, p. 1-8, 2021.
SUGIURA, K et al. Effect of ovarian hormones on periodical changes in immune resistance associated with the estrous cycle in the canine uterus. Journal of Reproduction and Fertility Supplement, v. 60, p. 237-243, 2004.
XAVIER, R.G.C et al. Canine pyometra: a short review of current advances. Animals (Basel), v. 13, n. 21, p. 3310, 2023.