![]() | |
|---|---|
![]() | |
| CANDIDÍASE VULVOVAGINAL RECORRENTE: AVALIAÇÃO DA EFICÁCIA DO ÓLEO ESSENCIAl DE MELALEUCA ALTERNIFOLIA | |
| 1YASMIN TREVISAN CORRÊA LINO DOS SANTOS, 2JULIA VITÓRIA SCHÜLLER CATTANÊO, 3AMANDA PARRA SANTELLO, 4CRISTIANE MENGUE FENIMAN MORITZ, 5DANIELA DE CASSIA FAGLIONI B CERANTO | |
| 1Acadêmico do curso de medicina Unipar 2Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR 3Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR 4Docente da Universidade Estadual de Maringá do Programa de Pós-Graduação em Sustentabilidade 5Docente da UNIPAR |
|
| Introdução: As infecções fúngicas seguem como um desafio global, especialmente diante da crescente resistência aos antimicrobianos convencionais, o que reforça a necessidade de novas estratégias terapêuticas (Lee et al., 2020). A candidíase vulvovaginal, infecção que acomete cerca de um terço das mulheres em idade reprodutiva, é causada principalmente por fungos do gênero Candida, sendo Candida albicans a espécie mais prevalente. Clinicamente, caracteriza-se por corrimento esbranquiçado, prurido, ardor, disúria, edema e eritema vulvovaginal (Soares et al., 2018). Nesse contexto, estudos demonstram efeitos promissores do óleo essencial de melaleuca contra uma variedade de bactérias, fungos e protozoários (Deyno et al., 2019). Segundo Kairey (2023), o óleo atua alterando a integridade e a permeabilidade da membrana celular, comprometendo a homeostase. Assim, este trabalho revisou a literatura recente, de 2013 à 2025, sobre o uso do óleo de melaleuca no combate à Candida albicans, priorizando estudos com baixo risco de viés e maior robustez metodológica, a fim de avaliar seu potencial para aplicação clínica. A busca de artigos nas bases PubMed, LiLacs e Google Acadêmico foi realizada utilizando-se os descritores previamente consultados no DECS (descritores em ciência e saúde): ʻʻCandidíaseʼʼ, ʻʻMelaleucaʼʼ e ʻʻFungoʼ. Objetivo: Revisar a literatura científica dos últimos 10 anos sobre a eficácia do óleo essencial de Melaleuca alternifolia no tratamento da candidíase vulvovaginal recorrente, destacando seus mecanismos de ação, evidências experimentais e potencial aplicação clínica. Desenvolvimento: O uso frequente e profilático de antifúngicos contribui significativamente para o surgimento de cepas resistentes, com concentrações inibitórias mínimas elevadas frente aos antifúngicos (Lee et al., 2020). Ainda segundo o autor, a resistência aos azóis, principal classe utilizada, ocorre por substituições de aminoácidos na enzima lanosterol desmetilase, reduzindo sua afinidade pelo fármaco. Diante disso, os óleos essenciais despertam interesse como alternativas terapêuticas naturais. Compostos extraídos de plantas, apresentam ampla versatilidade farmacológica, sendo eficazes contra bactérias, fungos e protozoários (Negri et al., 2014). Estudos demonstram sua capacidade de desestabilizar a membrana celular microbiana, comprometendo a homeostase celular (Kairey, 2020). Em uma revisão sistemática de Kairey et al. (2023), observou-se que, embora banhos diários com sabonete a 5% de melaleuca não tenham impedido a colonização por S. Aureus, regimes tópicos com o óleo demonstraram eficácia semelhante a protocolos tradicionais para descolonização de pacientes. Indivíduos imunodeprimidos, como idosos, neonatos, pacientes com câncer, HIV/AIDS ou transplantados, bem como aqueles em uso de cateteres, compõem o grupo mais vulnerável às infecções por Candida (Manzoni et al., 2015). Nesse contexto, Felipe et al. (2017) destacam o potencial do óleo de melaleuca no tratamento da estomatite protética, comum em idosos e frequentemente associada à Candida. O estudo relatou concentração inibitória mínima de 0,195% e de erradicação de biofilme de 12,5%; sua aplicação tópica em modelo murino reduziu significativamente a lesão lingual e as unidades formadoras de colônias de Candida. Ainda segundo os autores, observou-se ação sinérgica entre o óleo e a anfotericina B contra C. albicans, especialmente na proporção 6:4 (anfotericina B: melaleuca), sugerindo uso combinado promissor. Apesar dos achados, Razzaghi (2013) ressalta a necessidade de mais estudos in vivo que avaliem a atividade biológica da Melaleuca alternifolia, isoladamente ou associada a antifúngicos convencionais, para estabelecer parâmetros seguros de uso terapêutico. Tais investigações são ainda mais relevantes diante do aumento dos casos de candidíase vulvovaginal de repetição (CVVR), definida como quatro ou mais episódios anuais, que acomete grande parte das mulheres em idade reprodutiva e impacta significativamente a qualidade de vida. Além dos sintomas físicos recorrentes, a CVVR está associada a desconforto psicológico, prejuízos interpessoais e insatisfação sexual, reforçando a urgência por terapias mais eficazes e com menor risco de resistência (Resende, 2025). Conclusão: A candidíase vulvovaginal de repetição representa um importante desafio clínico, especialmente diante da crescente resistência aos antifúngicos convencionais, como os azóis. Diante desse cenário, os óleos essenciais, o de Melaleuca alternifolia, vêm se destacando como potenciais agentes terapêuticos, com ação antifúngica comprovada em estudos experimentais. Evidências indicam sua eficácia na inibição de cepas de Candida albicans, inclusive com possibilidade de ação sinérgica quando combinado a antifúngicos tradicionais. No entanto, embora os resultados sejam promissores, ainda são necessários estudos clínicos mais robustos e padronizados para validar sua segurança, eficácia e aplicabilidade no tratamento da CVVR, especialmente em contextos de resistência fúngica. |
|
| Referências: LEE, Y., et al. Antifungal drug resistance: molecular mechanisms in Candida albicans and beyond. Chemical reviews, v. 121, n. 6, p. 3390-3411, 2020. SOARES, D. M., et al. Candidíase vulvovaginal: uma revisão de literatura com abordagem para Candida albicans. Brazilian Journal of Surgery & Clinical Research, v. 25, n. 1, 2018. DEYNO, S., et al. Essential oils as topical anti-infective agents: A systematic review and meta-analysis. Complementary therapies in medicine, v. 47, p. 102224, 2019. KAIREY, L., et al. Efficacy and safety of Melaleuca alternifolia (tea tree) oil for human health—A systematic review of randomized controlled trials. Frontiers in pharmacology, v. 14, p. 1116077, 2023. NEGRI, M., et al. Early state research on antifungal natural products. Molecules, v. 19, n. 3, p. 2925-2956, 2014. MANZONI, P.; MOSTERT, M.; CASTAGNOLA, E. Update on the management of Candida infections in preterm neonates. Archives of Disease in Childhood-Fetal and Neonatal Edition, v. 100, n. 5, p. F454-F459, 2015. FELIPE, L. O., et al. Lactoferrin, chitosan and Melaleuca alternifolia—natural products that show promise in candidiasis treatment. Brazilian journal of microbiology, v. 49, n. 2, p. 212-219, 2018. RAZZAGHI-ABYANEH, M.; RAI, M. (Ed.). Antifungal metabolites from plants. Berlin, Heidelberg: Springer, 2013. RESENDE, T. F. S., et al. Vulvovaginites recorrentes: revisão das principais evidências atualizadas. REVISTA DELOS, v. 18, n. 64, p. e4050-e4050, 2025. |
|