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| PITIOSE GASTROINTESTINAL EM CÃES: REVISÃO DE LITERATURA | |
| 1ISABELLA ZANATA LIZARDO, 2JÚLIA DE OLIVEIRA VIANNA, 3SOFIA DENIPOTI DE OLIVEIRA, 4NATALIE BERTELIS MERLINI, 5LEANDRO LUÍS MARTINS, 6ANA BEATRIZ DA SILVA MARQUES | |
| 1Discente em Medicina Veterinária da Universidade Estadual do Norte do Paraná - UENP 2Discente em Medicina Veterinária da Universidade Estadual do Norte do Paraná - UENP 3Discente em Medicina Veterinária da Universidade Estadual do Norte do Paraná - UENP 4Docente do Curso de Medicina Veterinária da Universidade Estadual do Norte do Paraná – UENP 5Docente do Curso de Medicina Veterinária da Universidade Estadual de Londrina – UEL 6Docente do Curso de Medicina Veterinária da Universidade Estadual do Norte do Paraná – UENP |
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| Introdução: A pitiose canina é uma afecção crônica, granulomatosa e progressiva, causada pelo oomiceto Pythium insidiosum, um microrganismo aquático pertencente ao Reino Stramenopila e à Família Pythiaceae (Grooters, 2006; Mendoza et al., 2005). Trata-se de uma enfermidade emergente em áreas tropicais, subtropicais e temperadas (Torres-Neto et al., 2010). A porção infectante desse microorganismo se desenvolve nas plantas, é liberada no ambiente aquático e em condições especiais infecta tecidos de animais e humanos, causando manifestações cutâneas e gastrointestinais (Mendoza et al., 1996). Objetivo: Este trabalho tem como objetivo, por meio de uma revisão de literatura, apresentar informações sobre a pitiose gastrointestinal canina, abordando de maneira sucinta sinais clínicos, diagnósticos e tratamentos. Desenvolvimento: O Pythium insidiosum pode acometer equídeos, ruminantes, caninos, felinos, animais silvestres e seres humanos. O cão é a segunda espécie mais afetada, sendo os machos jovens, de grande porte e oriundos de regiões alagadiças os mais acometidos (Leal et al., 2001; Santurio et al., 2006). A forma gastrointestinal é a que possui maior prevalência, embora haja relatos de pitiose cutânea, prostática e disseminada (Dykstra et al., 1999; Rivierre et al., 2005). A porção infectante do P. insidiosum é o zoósporo, célula única e nucleada, que com a ajuda de um flagelo posterior, se movimenta através da água e por quimiotaxia se encistam em tecidos lesionados, liberando uma glicoproteína denominada protease que facilita sua adesão e é considerada fator patogênico específico dos oomicetos (Walker; Van West, 2007). Os sinais clínicos relacionados ao trato gastrintestinal são inespecíficos e incluem emagrecimento progressivo, dor abdominal, inapetência, diarreia e êmese, o que dificulta um diagnóstico precoce. O diagnóstico definitivo é realizado através da cultura microbiológica de amostras do tecido acometido, seguida da identificação do patógeno, quando não é possível, técnicas histopatológicas, imunohistoquímicas, sorológicas e moleculares podem ser utilizadas (Hunning et al., 2010; Trost et al., 2009). A ultrassonografia e a citologia são exames complementares que auxiliam no diagnóstico presuntivo dessa oomicose. Na ultrassonografia abdominal é possível identificar espessamento e perda da estratificação da parede do trato gastrointestinal, hipomotilidade, redução da ecogenicidade da área afetada, além de massas abdominais e linfoadenopatia mesentérica, alteração que também pode ser compatíveis com neoplasias, como por exemplo os linfossarcomas (Penninck; DʼAnjou, 2011). A citologia obtido atráves da punção aspirativa por agulha fina (PAAF), guiada pela ultrassonografia, envidencia inflamação piogranulomatosa ou eosinofílica, junto com estruturas compatíveis com hifas, diferenciando essas afecção de neoplasias (Trost et al., 2009). Embora cultivo e isolamento microbiológico seja padrão ouro, nem sempre é possível sua execução, devido complicações relacionadas com a contaminação bacteriana, falta de estruturas sexuais e a incapacidade de induzir zoosporogênese na cultura (Trost et al., 2009), sendo assim, pode-se optar pela técnica histopatológica. Os achados histológicos podem ser diferenciados em dois padrões, sendo um deles caracterizado por necrose eosinofílica e debris celulares, e o segundo, pela presença de macrófagos cercados por cápsula de tecido conjuntivo, além da presença de hifas no interior das lesões. Contudo, ambos os padrões podem apresentar focos piogranulomatosos (Galiza et al., 2014). O tratamento da pitiose canina é complicada em função da composição da parede e pela ausência de ergosterol na membrana do oomiceto, que são os principais alvos da terapia antifúngica (Martins, 2010). O tratamento é influenciado pelo tamanho e duração da lesão, idade, estado nutricional e imunidade do paciente, sendo utilizados como terapia a combinação de antimicrobianos sistêmicos, ressecção cirúrgica e imunoterapia (Trost et al., 2009). A ressecção cirúrgica com ampla margem de segurança é indicada devido à resistência farmacológica do P. Insidiosum e apresenta bons resultados em lesões pequenas e superficiais (Santurio et al., 2006; Trost et al., 2009). A imunoterapia em cães é indicada nos casos com evolução inferior a dois meses, reforçando a importância de um diagnóstico precoce para uma resposta terapêutica eficaz (Paterson, 2010). Conclusão: Conclui-se que a pitiose canina, é uma enfermidade que tem distribuição mundial, e embora não seja frequente na clínica de pequenos animais é uma doença que deve ser considerada nos diagnósticos diferenciais para cães que apresentem manifestações clínicas e ultrassonográficas compatíveis. O diagnóstico dessa oomicose é dificultoso, seu tratamento é complexo e multimodal, e seu prognóstico depende de um diagnóstico e tratamento precoce, além da resposta imunológica do paciente afetado. |
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| Referências: DYKSTRA, M. J. et al. A description of cutaneous-subcutaneous pythiosis in fifteen dogs. Medical Mycology, v. 37, n. 6, p. 427-433, 1999. GALIZA, G. J. et al. Ocorrência de micoses e pitiose em animais domésticos: 230 casos. Pesquisa Veterinária Brasileira, v. 34, n. 3, p. 224-232, 2014. GROOTERS, A. M.; FOIL, C. S. O. Micellaneous fungal infections. In: GREENE, C. E. (ed.). Infectious diseases of the dogs and cats. 3. ed. St Louis: Saunders Elsevier, 2006. p. 637-650. HUNNING, P. S. et al. Obstrução intestinal por Pythium insidiosum em um cão: relato de caso. Arquivo Brasileiro de Medicina Veterinária e Zootecnia, v. 62, n. 4, p. 801-805, 2010. LEAL, A. B. M.; FLORES, E. F.; SANTURIO, J. M. Pitiose. Ciência Rural, v. 31, n. 4, p. 735-743, 2001. MENDOZA, L. et al. Intestinal canine pythiosis in Venezuela confirmed by serological and sequencing analysis. Mycopathologia, v. 159, n. 2, p. 219-222, 2005. MENDOZA, L.; AJELLO, L.; McGINNIS, M. R. Infections caused by the oomycetous pathogen Pythium insidiosum. Journal of Medical Mycology, v. 6, p. 151-164, 1996. PATERSON, S. Manual de doenças da pele do cão e do gato. 2. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2010. PENNINCK, D. G.; DʼANJOU, M. A. Atlas de ultrassonografia de pequenos animais. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2011. RIVIERRE, C. et al. Pythiosis in Africa. Emerging Infectious Diseases, v. 11, n. 3, p. 479-481, 2005. SANTURIO, J. M. et al. Pitiose: uma micose emergente. Acta Scientiae Veterinariae, v. 34, n. 1, p. 1-14, 2006. TORRES-NETO, R. et al. Cutaneous pythiosis in a dog from Brazil. Veterinary Dermatology, v. 21, n. 2, p. 202-204, 2010. TROST, M. E. et al. Aspectos clínicos, morfológicos e imunoistoquímicos da pitiose gastrintestinal canina. Pesquisa Veterinária Brasileira, v. 29, n. 8, p. 673-679, 2009. WALKER, C. A.; VAN WEST, P. Zoospore development in the oomycetes. Fungal Biology Reviews, v. 21, p. 10-18, 2007. DOI: 10.1016/j.fbr.2007.02.001. |
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