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| EMERGÊNCIA DE UROCHLOA RUZIZIENSIS EM FUNÇÃO DA TEMPERATURA E DA RESTRIÇÃO HÍDRICA APÓS A SEMEADURA | |
| 1GABRIEL MARTINS HILDEBRAND, 2LUIZ HENRIQUE BAZANA FRANCOLIN, 3THIAGO ALBERTO ORTIZ | |
| 1Discente de Agronomia, PIC, Universidade Paranaense (UNIPAR) 2Discente de Agronomia, PIC, Universidade Paranaense (UNIPAR) 3Professor titular, Orientador, Biotecnologia aplicada à agricultura e Agronomia, Universidade Paranaense (UNIPAR) |
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| Introdução: O Brasil destaca-se mundialmente na produção pecuária, sustentada em grande parte por extensas áreas de pastagens cultivadas. Nesse contexto, o gênero Urochloa exerce papel fundamental, compondo a base alimentar de rebanhos bovinos em diferentes regiões do país. Entretanto, as sementes de braquiária ainda apresentam limitações quanto à qualidade, como baixo número de sementes férteis e dormência, além de serem afetadas por estresses abióticos, a exemplo do estresse térmico (Do Carmo et al., 2024). Entre as espécies do gênero, Urochloa ruziziensis se sobressai por apresentar características relevantes, destacando-se como alternativa para a produção de palhada em sistemas de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), bem como pela elevada produção de massa seca total e de folhas no outono/inverno (Souza Sobrinho et al., 2022). Dessa forma, compreender os efeitos de condições climáticas, como temperatura e disponibilidade hídrica, sobre o processo germinativo dessa espécie é essencial para orientar estratégias adequadas de manejo da semeadura. Objetivo: Avaliar a influência de diferentes temperaturas e períodos de restrição hídrica pós-semeadura na emergência de sementes de Urochloa ruziziensis, visando compreender os fatores que afetam a uniformidade e a eficiência no estabelecimento da cultura. Material e Métodos: O experimento foi conduzido na Universidade Paranaense (UNIPAR), campus Umuarama – PR, utilizando sementes de Urochloa ruziziensis (cultivar BRS Integra). O delineamento experimental adotado foi inteiramente casualizado, em esquema fatorial 3 × 4, sendo testadas três temperaturas (30, 35 e 40 ºC) e quatro períodos de restrição hídrica após a semeadura (0, 5, 10 e 15 dias), com quatro repetições. As unidades experimentais foram constituídas por caixas de poliestireno cristal (Gerbox®, 11,5 × 11,5 × 3,5 cm), preenchidas com solo misto coletado na camada de 0–15 cm, contendo 25 sementes de U. ruziziensis dispostas em cinco linhas. Após cada período de restrição hídrica, o solo foi mantido na capacidade de campo do solo, com reposição diária de água. As variáveis avaliadas foram: porcentagem de emergência (PE), considerando plântulas com coleóptilo ≥ 1 mm; índice de velocidade de emergência (IVE), conforme Maguire (1962); e tempo médio de emergência (TME), segundo Lima et al. (2006). As contagens foram realizadas diariamente durante 19 dias, até a estabilização da emergência. Os dados foram submetidos à análise de variância (ANOVA), e as médias comparadas pelo teste de Scott-Knott a 5% de probabilidade, utilizando-se o software Sisvar. Resultados: Verificou-se que as variáveis PE, IVE e TME apresentaram interação significativa entre os fatores avaliados. A emergência de Urochloa ruziziensis é favorecida por temperaturas de 30–35 °C, com percentuais de 70–90%. Em 40 °C, observa-se redução da porcentagem de emergência, variando aproximadamente entre 20 e 60%, com tendência de diminuição mais acentuada à medida que se prolonga o período de restrição hídrica. Para períodos de restrição hídrica de 0 e 10 dias, a temperatura de 35 °C proporcionou os maiores valores de IVE em comparação às demais temperaturas. Por outro lado, com 5 e 15 dias de restrição, a temperatura de 40 °C resultou nos menores valores de IVE. Além disso, 35 °C proporcionou o menor TME em todos os períodos avaliados, mantendo estabilidade com o aumento do período de restrição hídrica, sem diferenças significativas entre os períodos sob essa temperatura. Discussão: Segundo Pereira et al. (2012), o estresse hídrico constitui um dos principais fatores limitantes para sementes de Urochloa ruziziensis, provocando reduções mais acentuadas no vigor, na velocidade de germinação e na germinação final do que o estresse salino. De forma semelhante, Masetto, Ribeiro e Rezende (2013) observaram que sementes dessa espécie apresentam sensibilidade à redução do potencial hídrico do substrato, a partir de –0,1 MPa, o que resultou em diminuição da germinação e do crescimento inicial de plântulas. Nesse contexto, estudos que avaliem a influência da restrição hídrica após a semeadura são relevantes, pois permitem simular condições reais de campo e compreender os efeitos desse estresse sobre o processo germinativo. Conclusão: A emergência de Urochloa ruziziensis é favorecida pela temperatura de 35 °C, apresentando maior porcentagem, velocidade e uniformidade de emergência, além de maior estabilidade com o aumento dos períodos de déficit hídrico. Em contrapartida, a temperatura de 40 °C prejudica o estabelecimento inicial da cultura, especialmente quando os períodos de restrição hídrica se prolongam. Dessa forma, o planejamento da semeadura deve considerar essas variáveis ambientais, visando maior eficiência no estabelecimento e na produtividade. |
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| Referências: Do Carmo, M. A. P.; dos Santos, H. O.; e Oliveira, J. B. R.; da Silva, I. G.; Guaraldo, M. M. dos S.; Pereira, W. V. S. Signaling molecules for increasing Urochloa ruziziensis tolerance to abiotic stresses. Journal of Soil Science and Plant Nutrition, v. 24, p. 870-883, 2024. Lima, J. D.; Almeida, C. C.; Dantas, V. A. V.; Silva, B. M. S.; Moraes, W. S. Efeito da temperatura e do substrato na germinação de sementes de Caesalpinia ferrea Mart. ex Tul. (Leguminosae, Caesalpinoideae). Revista Árvore, v. 30, n. 4, p. 513-518, 2006. Maguire, J. D. Speed of germination—Aid in selection and evaluation for seedling emergence and vigor. Crop Science, v. 2, n. 2, p. 176-177, 1962. Masetto, T. E.; Ribeiro, D. M.; Rezende, R. K. S. Germinação de sementes de Urochloa ruziziensis em função da disponibilidade hídrica do substrato e teor de água das sementes. Pesquisa Agropecuária Tropical, v. 43, n. 4, p. 385-391, 2013. Pereira, M. R. R.; Martins, C. C.; Souza, G. S. F.; Martins, D. Influência do estresse hídrico e salino na germinação de Urochloa decumbens e Urochloa ruziziensis. Bioscience Journal, v. 28, n. 4, p. 537-545, 2012. Souza Sobrinho, F.; Auad, A. M.; Santos, A. M. B. dos; Gomide, C. A. de M.; Martins, C. E.; Castro, C. R. T. de; Paciullo, D. S. C.; Benites, F. R. G.; Rocha, W. S. D. da. BRS Integra – nova cultivar de Urochloa ruziziensis para a ILPF. Comunicado Técnico 93. Juiz de Fora: Embrapa Gado de Leite, 2022. |
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