NEOPLASIAS CUTÂNEAS EM CADELA DA RAÇA BOXER: RELATO DE CASO E PREDISPOSIÇÃO RACIAL
1JULIANA ROSSI BELMONTE, 2ANDRE SILVA BERTONCELLI, 3PEDRO BARRETO SOCCAL, 4ALINE DE MOURA JACQUES
1Academico de Medicina Veterinária URI Campus Santiago
2Academico de Medicina Veterinária URI Campus Santiago
3Academico de Medicina Veterinária URI Campus Santiago
4Docente da URI Campus Santiago
Introdução: As neoplasias em cães representam importante causa de morbidade e mortalidade, sendo responsáveis por elevada incidência de óbitos em animais de companhia, especialmente em indivíduos idosos. Segundo Santos et al. (2013), fatores como longevidade, alterações hormonais, dieta, predisposição genética e exposição ambiental influenciam o surgimento dessas afecções. Dentre os cães de raças puras, o Boxer se destaca pela maior suscetibilidade ao desenvolvimento de determinados tipos de tumores, sobretudo mastocitomas e neoplasias mamárias, fato amplamente descrito na literatura nacional e internacional (De Nardi et al., 2002). Os sarcomas de tecidos moles, por sua vez, representam cerca de 15% das neoplasias cutâneas e subcutâneas em cães, caracterizando-se como um grupo heterogêneo de tumores mesenquimais, altamente infiltrativos, porém com baixo potencial metastático, que acometem principalmente animais de meia-idade a idosos, em especial raças de grande porte (Machado, 2022). Estudos retrospectivos apontam que os mastocitomas podem corresponder a mais de 40% dos casos diagnosticados em cães dessa raça, configurando-a como uma das mais acometidas por este tipo tumoral (Santos et al., 2013).  Neste contexto, o presente trabalho tem como objetivo relatar o caso de uma cadela da raça Boxer que apresentou histórico de duas neoplasias cutâneas distintas — um sarcoma de tecidos moles e, posteriormente, um mastocitoma — atendida no Centro de Práticas Veterinárias da URI, ressaltando a relevância da predisposição racial. 
Relato de caso: Foi atendida uma cadela Boxer, 10 anos de idade, pelagem branca, com histórico de claudicação e presença de nódulo firme, aderido aos tecidos subjacentes, em membro pélvico esquerdo. O exame histopatológico do material obtido após excisão cirúrgica confirmou sarcoma de tecidos moles. A paciente apresentou boa recuperação pós-operatória. Após três meses, desenvolveu novo nódulo em região torácica ventral, de aproximadamente 1 cm, cuja citologia aspirativa revelou mastocitoma. Exames de imagem (ultrassonografia abdominal e radiografias torácicas) não evidenciaram metástases. Esta nova neoplasia foi removida cirurgicamente, sem complicações, e o animal evoluiu de forma satisfatória no pós-operatório. 
Discussão: Os sarcomas de tecidos moles representam um grupo heterogêneo de tumores malignos originados de células mesenquimais, frequentemente localizados no tecido subcutâneo e cutâneo. Embora apresentem baixo potencial metastático, são altamente infiltrativos e de crescimento rápido, o que dificulta seu controle local e favorece recidivas quando a excisão não é ampla (Vail et al., 2019; Machado, 2022). Os mastocitomas representam de 7 a 21% dos tumores cutâneos em cães e até 27% das neoplasias malignas, sendo especialmente prevalentes em raças braquicefálicas, como o Boxer, que respondeu por 46,15% dos casos em um levantamento. Sua etiologia é pouco compreendida, mas sugere predisposição genética (De Nardi et al., 2002). O tratamento de escolha, tanto para sarcoma de tecidos moles quanto mastocitoma, é a excisão cirúrgica com margens amplas, porém terapias adjuvantes, como radioterapia, quimioterapia e eletroquimioterapia, podem ser necessárias em casos de margens comprometidas ou tumores de alto grau (Forrest et al., 2000). O caso relatado demonstra a predisposição dos cães da raça Boxer às neoplasias, reforçando a importância do acompanhamento periódico para identificação precoce de recidivas e surgimento de novos tumores.
Conclusão: O caso descrito reforça a predisposição racial dos Boxers ao desenvolvimento de neoplasias, sobretudo sarcomas de tecidos moles e mastocitomas, e evidencia a possibilidade de recidiva mesmo após tratamento cirúrgico inicial bem-sucedido. Ressalta-se a necessidade de acompanhamento clínico e planejamento terapêutico individualizado, uma vez que a evolução tumoral nesta raça tende a apresentar maior agressividade e risco de recorrência.
Referências:
DE NARDI, A. B. et al. Prevalência de neoplasias e modalidades de tratamentos em cães, atendidos no hospital veterinário da Universidade Federal do Paraná. Archives of Veterinary Science, v. 7, n. 2, p. 15-26, 2002. Disponível em: file:///C:/Users/User/Downloads/aenb,+AVS-2004-270%20(1).pdf. Acesso em: 02 de setembro de 2025.
SANTOS, I. F. C. et al. Prevalência de neoplasias diagnosticadas em cães no Hospital Veterinário da Universidade Eduardo Mondlane, Moçambique. Arquivo Brasileiro de Medicina Veterinária e Zootecnia, v. 65, p. 773-782, 2013. Disponível em: https://www.scielo.br/j/abmvz/a/7m4Yq4k5wWRs8Bk9VvXZ9Dz/?format=html&lang=pt. Acesso em: 02 de setembro de 2025.
MACHADO, Giovana Guimarães. Tratamento do sarcoma de tecidos moles em cães: uma revisão de literatura. 2023. Disponível em: https://repositorio.unesp.br/server/api/core/bitstreams/c39df29c-fc06-44a9-80c6-9f56e4d7d6e4/content Acesso em: 07 de setembro de 2025.
FORREST, Lisa J. et al. Postoperative radiotherapy for canine soft tissue sarcoma. Journal of Veterinary Internal Medicine, v. 14, n. 6, p. 578-582, 2000. Disponível em: https://onlinelibrary.wiley.com/doi/pdfdirect/10.1111/j.1939-1676.2000.tb02279.x. Acesso em: 07 de setembro de 2025.
VAIL, David M.; THAMM, Douglas H.; LIPTAK, Julius M. (Ed.). Withrow and MacEwenʻs small animal clinical Oncology-E-Book. Elsevier Health Sciences, 2019. Disponível em: https://encurtador.com.br/sr6LO. Acesso em: 07 de setembro de 2025.