QUALIDADE FISIOLÓGICA DE SEMENTES DE FEIJÃO-PRETO DE PLANTAS INOCULADAS COM BACTÉRIAS MULTIFUNCIONAIS  
1HELLOIZE DE LIMA LOPES, 2LUANNA PAULA LOPES, 3GLACY JAQUELINE DA SILVA, 4THIAGO ALBERTO ORTIZ
1Discente de Agronomia, PIC, Universidade Paranaense (UNIPAR)
2Mestranda em Biotecnologia aplicada à agricultura, Universidade Paranaense (UNIPAR)
3Professora titular, Orientadora, Biotecnologia aplicada à agricultura e Agronomia, Universidade Paranaense (UNIPAR)
4Professor titular, Orientador, Biotecnologia aplicada à agricultura e Agronomia, Universidade Paranaense (UNIPAR)
Introdução: A cultura do feijão é estratégica para a segurança alimentar por ser uma das principais fontes de proteína no Brasil. A demanda crescente por alimentos e a busca por eficiência no uso de insumos têm estimulado o uso de tecnologias sustentáveis, como microrganismos multifuncionais promotores de crescimento e fixadores de nitrogênio, que reduzem custos e impactos ambientais (Rocha et al., 2021). Paralelamente, a avaliação de genótipos em diferentes ambientes contribui para o melhoramento e recomendações técnicas (Marconato et al., 2021). Estudos demonstram que a associação com bactérias promotoras de crescimento vegetal aumenta a tolerância a estresses abióticos e melhora o desempenho agronômico, mesmo em condições adversas (Amorim Barros et al., 2025; Diniz et al., 2025). Assim, a avaliação de novos materiais genéticos e microrganismos mostra-se necessária para viabilizar práticas promissoras que ampliem a eficiência e a sustentabilidade das culturas, possibilitando a obtenção de sementes de maior qualidade.
Objetivo: Avaliar a qualidade fisiológica de sementes de feijão-preto oriundas de plantas inoculadas com bactérias multifuncionais e seus efeitos na eficiência produtiva e na sustentabilidade agrícola.
Material e Métodos: O experimento foi conduzido na Universidade Paranaense (UNIPAR), campus Sede, em Umuarama (PR), com a cultura de feijão-preto (Phaseolus vulgaris L., cultivar IPR Tapicuru). Foram avaliados cinco tratamentos de inoculação com bactérias multifuncionais, atualmente em processo de sequenciamento genômico e, portanto, codificadas da seguinte forma: T1 – controle (sem inoculação); T2 – A9; T3 – A31; T4 – A29; e T5 – A14, aplicadas na dose de 10⁹ UFC mL⁻¹. O delineamento experimental em campo foi em blocos casualizados, com cinco blocos. Para as análises laboratoriais, utilizou-se delineamento inteiramente casualizado, com cinco repetições provenientes de cada bloco. As avaliações compreenderam aos testes: germinação, incluindo primeira contagem de germinação (PCG, %) e germinação final (GF, %) (Brasil, 2009); frio (Miguel e Cicero, 1999); envelhecimento acelerado (Marcos Filho, 1994); condutividade elétrica (Vieira, 1994); e tetrazólio (Bhering et al., 1999, conforme classificação de Tejo, Fernandes e Ávila, 2021). Também foram realizados testes de comprimento de plântulas, avaliando comprimento da parte aérea (CPA), comprimento da raiz (CR), massa seca da parte aérea (MSPA) e massa seca da raiz (MSR) (Nakagawa, 1999). O teste de emergência em areia incluiu a porcentagem de emergência (EMERG, %), o índice de velocidade de emergência (IVE) (Maguire, 1962) e o tempo médio de emergência (TME, dias) (Lima et al., 2006). Nesse mesmo teste, foram determinados parâmetros fisiológicos, incluindo índices de balanço de nitrogênio (NBI), de clorofilas (CHL), de flavonoides (FLAV) e de antocianinas (ANTH), além de variáveis relacionadas à eficiência fotoquímica, como rendimento quântico efetivo do fotossistema II (Y) e taxa de transporte de elétrons (ETR). Os dados foram submetidos à análise de variância (ANOVA), e as médias comparadas pelo teste de Scott-Knott a 5% de probabilidade. Para atender aos pressupostos estatísticos, os dados do teste de tetrazólio foram transformados por √Y+0,5. As análises foram realizadas com o software Sisvar, versão 5.6.
Resultados: As variáveis que apresentaram diferenças significativas entre os tratamentos incluíram a porcentagem de sementes inviáveis determinada pelo teste de tetrazólio (classe 6), além do CPA, MSPA e Y. O CPA apresentou maiores valores nos tratamentos T1, T3 e T4. Por outro lado, o T5 resultou em menor MSPA e maior proporção de sementes inviáveis, indicando que não foi vantajoso para a qualidade fisiológica das sementes. Quanto ao parâmetro Y, que reflete a fração da luz absorvida pela clorofila associada ao fotossistema II (PSII) efetivamente utilizada na fotossíntese, todos os tratamentos com bactérias multifuncionais apresentaram valores superiores à testemunha. Esses resultados indicam um potencial promissor desses microrganismos, sugerindo a necessidade de investigações adicionais que incluam avaliação de parâmetros fisiológicos e bioquímicos em diferentes fases fenológicas da cultura, estendendo os estudos do laboratório para condições de campo e outros ambientes.
Discussão: Oliveira, Costa e Zucareli (2024), ao avaliarem os efeitos da inoculação e coinoculação com microrganismos funcionais, observaram impactos positivos na qualidade fisiológica das sementes de milho. A coinoculação com Azospirillum brasilense e Bacillus spp. (B. subtilis e B. megaterium) promoveu maior germinação e alongamento da raiz, enquanto a inoculação com Trichoderma harzianum favoreceu o desenvolvimento da parte aérea das plântulas.
Conclusão: A inoculação com bactérias multifuncionais afetou de forma variável a qualidade fisiológica das sementes de feijão-preto, com T5 apresentando pior desempenho. Todos os tratamentos aumentaram o rendimento quântico efetivo do PSII, indicando maior eficiência fotossintética. Os resultados sugerem que bioinsumos podem otimizar a fisiologia das plantas, sendo importante avaliar diferentes fases do ciclo e ambientes de cultivo.
Referências:
Amorim Barros, B. G.; Santos, D. O. dos; Pereira dos Passos, P.; Vieira Martins, L. M. Feijão-caupi submetido a água salina e bactérias promotoras de crescimento vegetal. Agrária - Revista Brasileira de Ciências Agrárias, v. 20, n. 2, e4139, 2025.
Bhering, M. C.; Silva, R. F.; Alvarenga, E. M.; Dias, D. C. F. S. Metodologia do teste de tetrazólio em sementes de feijão. In: Krzyzanowski, F. C.; Vieira, R. D.; França-Neto, J. B. (Eds.). Vigor de sementes: conceitos e testes. Londrina: ABRATES − Comitê de Vigor, 1999. p. 8.3.1-8.1.10.
Brasil. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Regras para análise de sementes. Brasília: MAPA, 2009.
Diniz, F. V.; Scherwinski-Pereira, J. E.; Costa, F. H. S.; Carvalho, C. M. Effects on plant physiology in response to inoculation of growth-promoting bacteria: systematic review. Brazilian Journal of Biology, v. 85, e287279, 2025.
Lima, J. D.; Almeida, C. C.; Dantas, V. A. V.; Silva, B. M. S.; Moraes, W. S. Efeito da temperatura e do substrato na germinação de sementes de Caesalpinia ferrea Mart. ex Tul. (Leguminosae, Caesalpinoideae). Revista Árvore, v. 30, n. 4, p. 513-518, 2006.
Maguire, J. D. Speed of germination—Aid in selection and evaluation for seedling emergence and vigor. Crop Science, v. 2, n. 2, p. 176-177, 1962.
Marconato, M. B.; Mingotte, F. L. C.; Coelho, A. P.; Lemos, L. B. Desempenho agronômico e qualidade dos grãos de genótipos de feijão-preto. Revista em Agronegócio e Meio Ambiente, v. 14, n. 4, p. 865-879, 2021.
Marcos Filho, J. Teste de envelhecimento acelerado. In: Vieira, R. D.; Carvalho, N. M. (Eds.). Testes de vigor em sementes. Jaboticabal: FUNEP, 1994. p. 133-150.
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Rocha, M. J. C.; Ongarato, G.; Ferrari Neto, J.; Costa, F. A.; Jadoski, C. J.; Guilherme, D. de O. Componentes da produção do feijão-preto cultivado em solo arenoso em função da inoculação das suas sementes com Azospirillum brasiliense. Brazilian Journal of Development, v. 7, n. 10, p. 95385-95396, 2021.
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