CONEXÃO ENTRE ESTRESSE OXIDATIVO E A DOENÇA DE ALZHEIMER  
1LIVIA EDUARDA CEZAR OLIVEIRA , 2KAUANY APARECIDA DA SILVA MALACHIAS, 3EVERTON PADILHA
1Acadêmico da Unipar
2Acadêmica do Curso de Biomedicina da UNIPAR
3Docente da UNIPAR
Introdução: A Doença de Alzheimer (DA) é a forma mais comum de demência neurodegenerativa, caracterizada pela perda progressiva de memória, linguagem e outras funções cognitivas, afetando a qualidade de vida dos pacientes e impondo grande impacto socioeconômico às famílias e aos sistemas de saúde (GEMELLI et al., 2013). Estima-se que milhões de pessoas em todo o mundo convivam com a doença, e a expectativa é de que esse número cresça significativamente com o envelhecimento populacional. Entre os mecanismos fisiopatológicos envolvidos na DA, destacam-se os depósitos de placas de beta-amilóide, os emaranhados neurofibrilares de proteína tau, a inflamação e o estresse oxidativo (NUNÉS et al., 2009). Este último tem chamado a atenção por sua dupla função: além de ser consequência do processo neurodegenerativo, atua como fator desencadeante e acelerador do dano neuronal (MARKESBERY; CARNEY, 2006). A relevância do presente estudo justifica-se pela necessidade de aprofundar a compreensão da relação entre estresse oxidativo e Alzheimer, visto que essa interação pode auxiliar na identificação de novos alvos terapêuticos e no desenvolvimento de estratégias antioxidantes que contribuam para retardar a progressão da doença (HUANG et al., 2016; ZHAO; ZHAO, 2013).
Objetivo: Explorar a conexão entre estresse oxidativo e Alzheimer, ressaltando a relevância de terapias antioxidantes como uma alternativa complementar no seu tratamento.
Desenvolvimento: O estresse oxidativo ocorre quando há um desequilíbrio entre a produção de espécies reativas de oxigênio (ROS) e a capacidade antioxidante do organismo, resultando em danos às biomoléculas essenciais. Na DA, esse processo tem sido identificado como um dos principais fatores desencadeadores da neurodegeneração, contribuindo para a morte celular e a perda progressiva da função cognitiva (NUNÉS et al., 2009; MARKESBERY; CARNEY, 2006). Estudos apontam que o acúmulo de ROS no tecido cerebral compromete a integridade das membranas neuronais, além de favorecer mutações no DNA mitocondrial, agravando o quadro da doença (HUANG; ZHANG; CHEN, 2016). O estresse oxidativo não atua de forma isolada, mas interage diretamente com os depósitos de beta-amiloide (Aβ) e a hiperfosforilação da proteína tau, que são características marcantes da DA. Evidências indicam que o excesso de ROS estimula alterações no metabolismo da proteína precursora de amiloide (APP), intensificando a produção e agregação de Aβ. Da mesma forma, a presença de ROS potencializa a hiperfosforilação da proteína tau, favorecendo a formação de emaranhados neurofibrilares e ampliando o ciclo de degeneração neuronal (ZHAO; ZHAO, 2013). Esse processo estabelece um círculo vicioso em que a presença das proteínas patológicas aumenta o estresse oxidativo, e este, por sua vez, intensifica o acúmulo dessas proteínas (HUANG; ZHANG; CHEN, 2016). Além disso, a DA apresenta aumento de marcadores de estresse oxidativo, como 4-hidroxinonenal (HNE), malondialdeído (MDA) e proteínas carboniladas. Ao mesmo tempo, ocorre uma diminuição significativa na atividade de enzimas antioxidantes endógenas, como superóxido dismutase (SOD), catalase e glutationa peroxidase. Esses desequilíbrios reforçam a hipótese de que o estresse oxidativo desempenha papel ativo na progressão da DA, servindo também como biomarcador para diagnóstico precoce e monitoramento da doença (MARKESBERY; CARNEY, 2006). Agentes antioxidantes como a Vitamina E, vitamina C, coenzima Q10 e Resveratrol demonstraram potencial em modelos experimentais, reduzindo danos oxidativos e melhorando parâmetros de memória e função cognitiva (KOPCZUK et al., 2021). No entanto, ensaios clínicos em humanos apresentaram resultados divergentes, o que pode estar relacionado à dificuldade desses antioxidantes em atravessar a barreira hematoencefálica ou à complexidade multifatorial da doença (MANCZAK et al., 2014). A disfunção mitocondrial é outro fator relevante, uma vez que mitocôndrias envelhecidas se tornam fontes significativas de ROS, aumentando o dano oxidativo e favorecendo processos inflamatórios (FERREIRA et al., 2024), relacionando ao envelhecimento neuronal e ao comprometimento de regiões críticas, como o hipocampo, que afetam a memória e o aprendizado modulando vias moleculares associadas à agregação do peptídeo Aβ e à hiperfosforilação da proteína tau (CARDOSO, 2021; GEMELLI et al., 2013; HERRANZ et al., 2017). Estratégias dietéticas também são promissoras, como a dieta MIND, que combina nutrientes antioxidantes, ácidos graxos ômega-3, frutas e vegetais, e tem sido associada à redução do risco de desenvolvimento de demências e ao retardo do declínio cognitivo (MORRIS et al., 2015; SAWYER et al., 2024). Além disso, compostos presentes no café, como a cafeína e o ácido clorogênico, têm demonstrado efeitos neuroprotetores. Estudos sugerem que o consumo moderado de café (3-5 xícaras/dia na meia-idade) pode reduzir em até 65% o risco de demência e Alzheimer (ESKELINEN et al., 2009). De forma complementar, uma meta-análise indica que o consumo de 1-4 xícaras/dia está associado a menor risco, enquanto mais de 4 pode aumentar a probabilidade da doença (NILA et al., 2023)
Conclusão: O estresse oxidativo desempenha uma função fundamental no desenvolvimento e na evolução da Doença de Alzheimer, funcionando não apenas como um indicador, mas também como um fator ativo que causa danos às células neuronais. Entender esses processos é essencial e tem implicações terapêuticas importantes, apesar dos resultados clínicos ainda inconsistentes das terapias antioxidantes
Referências:
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