MORTALIDADE INFANTIL: REVISÃO BIBLIOGRÁFICA SOBRE MEDIDAS PREVENTIVAS EXECUTADAS PELO ENFERMEIRO
 
1GABRIELLI GIRARDI, 2ANA LIGIA GARCIA, 3ANA PAULA MELLO DE ALMEIDA, 4ELIS RAYANI MAIESKI, 5EMANUELA ATÁLIA DAHMER SCHRADER, 6JOLANA CRISTINA CAVALHEIRI
1Acadêmica do Curso de Enfermagem da UNIPAR
2Acadêmica do Curso de Enfermagem da UNIPAR
3Acadêmica do Curso de Enfermagem da UNIPAR
4Acadêmica do Curso de Enfermagem da UNIPAR
5Acadêmica do Curso de Enfermagem da UNIPAR
6Docente da UNIPAR
Introdução: Os óbitos de crianças com menos de um ano de idade são especialmente difíceis para as famílias e a comunidade, devido à sua natureza trágica e frequentemente evitável. Esses eventos inesperados podem ser classificados em diferentes períodos, incluindo neonatal precoce (0 a 6 dias), neonatal tardio (7 a 28 dias) e pós-neonatal (28 a 364 dias), e têm um impacto significativo sobre as famílias e a sociedade (Torres et al., 2025). A maior parte das mortes infantis decorre de condições que podem ser prevenidas ou tratadas com intervenções eficazes e acessíveis. Doenças infecciosas e complicações no período neonatal são as principais causas de mortalidade em crianças menores de cinco anos, globalmente. Entender esses padrões é fundamental para criar estratégias efetivas e justas baseadas em evidências que garantam atendimento de saúde de alta qualidade, reduzindo assim as taxas de mortalidade e aumentando as chances de sobrevivência de crianças e recém-nascidos (Parzianello et al., 2024).
Objetivo: Evidenciar em revisão bibliográfica, o papel da enfermagem diante de medidas preventivas para a redução da mortalidade infantil.
Desenvolvimento: O desenvolvimento de uma nação ou região pode ser avaliado através da taxa de mortalidade infantil, que é um reflexo direto das condições de vida e saúde da população. A prevenção de muitos desses óbitos é possível com medidas simples e eficazes nos serviços de saúde, o que os torna casos evitáveis. Esses eventos são indicadores de falhas no sistema de saúde, mostrando que algo deu errado na prevenção, diagnóstico ou tratamento de condições antecedentes (Adamski et al., 2022). Conforme estudos, os primeiros dias de vida são cruciais para a sobrevivência dos recém-nascidos no Brasil, onde cerca de 67,2% das mortes infantis são atribuídas a causas que poderiam ser evitadas com cuidados adequados e intervenções precoces para a sobrevivência dos recém-nascidos (Oliveira et al., 2024). A garantia de uma assistência de saúde de qualidade depende da implementação de políticas eficazes, que por sua vez são informadas por análises rigorosas dos casos de óbitos infantis, permitindo a criação de planos de prevenção e condutas específicas para os grupos vulneráveis e reduzindo assim a ocorrência de óbitos evitáveis (Adamski et al., 2022). O Comitê de Prevenção do Óbito Infantil e Fetal, que inclui profissionais de enfermagem e outros especialistas, atua de forma sigilosa para analisar casos de mortalidade infantil e fetal. O objetivo é identificar as fragilidades na assistência e desenvolver medidas preventivas e educativas, promovendo a saúde materno-infantil e reduzindo a mortalidade, sem caráter punitivo, mas sim com foco na melhoria contínua (Brasil, 2009). Diante deste contexto, há uma meta estipulada pela Organização das Nações Unidas, dentro dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) até 2030, com o objetivo de diminuir os indicadores de mortalidade infantil. Essa meta compreende dois parâmetros, a taxa de mortalidade neonatal, que deve ser menor ou igual a 12 por mil nascimentos vivos, e a taxa de mortalidade de crianças menores de 5 anos, que deve ser menor ou igual a 25 por mil nascimentos vivos (Araújo et al., 2022). A redução da mortalidade é um desafio persistente no Brasil, conforme destacado no Boletim Epidemiológico do Rio Grande do Sul (2025). No entanto, estudos como o de Garcia et al. (2023) mostram que políticas públicas eficazes, que melhoram a renda, a cobertura dos serviços de saúde e de educação, podem contribuir significativamente para a melhoria dos indicadores de saúde infantil no país. Estudos recentes destacam o aumento progressivo do uso das tecnologias na assistência de enfermagem, demonstrando seu impacto positivo na prática profissional, visto que a  comunicação eficaz entre os membros da equipe e o registro preciso dos cuidados são fundamentais para uma assistência de qualidade. Nesse sentido, os softwares do tipo aplicativo têm se mostrado uma ferramenta valiosa nesta área, permitindo que os enfermeiros otimizem o tempo e aumentem a qualidade do serviço. Esses recursos tecnológicos aprimoram a gestão dos cuidados e a assistência ao paciente, resultando em uma atenção mais precisa e eficaz (Silva et al., 2024). Dessa forma, considerando a relevância do papel do enfermeiro na tomada de decisões relacionadas a esta temática, esses desafios revelam a necessidade de aprimorar a qualidade da atenção pré-natal, apesar da boa cobertura existente. Para alcançar isso, é fundamental investir na capacitação e motivação dos profissionais de saúde, garantindo a adesão rigorosa aos protocolos estabelecidos. Além disso, é crucial promover a articulação eficaz entre os serviços de atenção básica e os serviços de assistência ao parto, visando garantir uma assistência integral e de qualidade às gestantes  (Araújo et al., 2022).
Conclusão: Fica explícita a importância de medidas preventivas sobre os índices de mortalidade infantil, considerando-os como fatores desencadeadores de desfechos desfavoráveis, e destaca-se a necessidade de aplicar medidas educativas aos profissionais de saúde, preferencialmente enfermeiros, com o objetivo de minimizar os índices de mortalidade relacionados a essa consequência negativa.
Referências:
ADAMSKI, K. et al. Mortalidade infantil por causas evitáveis em macrorregião de saúde: série temporal 2007 a 2020. Rev. Eletr. Acervo Saúde, v. 15, n. 8, 2022. DOI: https://shre.ink/SfcH. Acesso em: 08 ago. 2025.
ARAÚJO, C. R. C. et al. Evitabilidade do óbito materno, fetal e infantil: a experiência do comitê de mortalidade em Sobral-CE. Sanare, v. 21, n. 2, p. 110-116, 2022. DOI: https://shre.ink/Sf2N. Acesso em: 03 ago. 2025.
BRASIL. Ministério da Saúde. Manual de vigilância do óbito infantil e fetal e do comitê de prevenção do óbito infantil e fetal. Brasília: Ministério da Saúde. 26, 2009. DOI: https://l1nk.dev/cliBz. Acesso em: 05 ago. 2025.
GARCIA, N. B. et al. Mortalidade infantil por causas evitáveis: perfil epidemiológico e tendencial em um município de médio porte da região Oeste do Paraná, 2011-2021. Arq. Cienc. Saúde UNIPAR, Umuarama, v. 27, n.3, p. 1223-1241, 2023. DOI: https://shre.ink/SfcS. Acesso em: 03 ago. 2025.
OLIVEIRA, R. A. F. de et al. Perfil da mortalidade infantil por causas evitáveis segundo região do Brasil. Braz. J. Implantol. Health Sci., v. 6, n. 7, p. 2896-2907, 2024. DOI: https://shre.ink/Sfau. Acesso em: 12 ago. 2025.
PARZIANELLO, G. et al. Mortalidade infantil por causas evitáveis no Brasil. ANAIS DO 22º ENCONTRO CIENTÍFICO CULTURAL INTERINSTITUCIONAL, 2024. ISSN 1980-7406. DOI: https://shre.ink/SfaV. Acesso em: 08 ago. 2025.
RIO GRANDE DO SUL. Secretaria Estadual da Saúde. Mortalidade Materna, Infantil e Fetal 2025: Boletim Epidemiológico do Estado do Rio Grande do Sul. Porto Alegre: SES, 2025. DOI: https://shre.ink/SfcI. Acesso em: 08 ago. 2025.
SILVA, D. C. S. et al. Mínimo produto viável para apoio na tomada de decisão do enfermeiro na redução da mortalidade infantil. Cuad. Educ. Desarro., v. 16, n. 4, p. 1-18, 2024. DOI: https://shre.ink/Sf2i. Acesso em: 10 ago. 2025.
TORRES, V.  M. et al. Mortalidade infantil em Goiás: um estudo epidemiológico segundo a localização demográfica na última década. Boletim Epidemiol., v. 26, n. 1, 2025. DOI:  https://acesse.one/5X5Ig. Acesso em: 03 ago. 2025.