ESTRESSE CRÔNICO E DISFUNÇÃO IMUNOLÓGICA: MECANISMOS NEUROENDÓCRINOS E IMPLICAÇÕES CLÍNICAS  
1ANNA CLARA CAETANO ALVES, 2CLÓVIS ACI WEBER JUNIOR, 3TATYANE DANTAS OLIVEIRA, 4IORRANA SANTANA ROSWADOSKI, 5NELTON ANDERSON BESPALEZ CORREA
1Acadêmica do curso de Medicina da UNIPAR
2Acadêmico do Curso de Medicina da UNIPAR
3Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR
4Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR
5Docente da UNIPAR
Introdução: O estresse é um fenômeno complexo, geralmente associado a danos psicológicos, que desencadeia diversas respostas fisiológicas, afetando os sistemas neuroendócrino e imunológico (Antunes, 2019). Dado momento de cronicidade, as alterações persistentes podem levar a desequilíbrios hormonais, como aumento excessivo de cortisol e adrenalina, que interferem no funcionamento das células imunológicas. Essa relação tem sido amplamente discutida na literatura científica nos últimos anos, assim como vislumbrado por Drexhage (2023), a hiperatividade do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal (HHA) pode suprimir a resposta imune, aumentar a suscetibilidade a infecções e exacerbar processos inflamatórios. 
Objetivo: Relacionar desequilíbrios hormonais causados pelo estresse com alterações no funcionamento das células do sistema imunológico a fim de discutir como fatores psicossociais e intervenções integrativas podem modular a relação.
Desenvolvimento: O estresse crônico tem sido amplamente associado a alterações significativas no sistema neuroendócrino, especialmente por meio da hiperatividade do eixo HHA e da liberação excessiva de cortisol e catecolaminas, como adrenalina e noradrenalina (Antunes, 2019). Esses hormônios, em níveis elevados e prolongados, exercem efeitos imunossupressores, reduzindo a proliferação de linfócitos, a atividade das células natural killer (NK) e a produção de citocinas pró-inflamatórias (Drexhage, 2023). Estudos demonstram que o cortisol, em particular, modula negativamente a resposta imune ao se ligar a receptores glicocorticóides presentes em células imunológicas, inibindo a expressão de genes relacionados à inflamação e à defesa celular (Nascimento et al.,  2022) em que essa supressão pode aumentar a suscetibilidade a infecções, retardar a cicatrização de feridas e exacerbar condições autoimunes devido à desregulação na diferenciação de linfócitos T helper (Garcia; Silva; Oliveira, 2024). Além disso, o estresse crônico está relacionado ao aumento de marcadores inflamatórios, como interleucina-6 (IL-6) e fator de necrose tumoral alfa (TNF-α), que, em excesso, contribuem para doenças cardiometabólicas, autoimunes e distúrbios psiquiátricos (Drexhage, 2023). Essa relação bidirecional entre estresse e inflamação sugere um ciclo vicioso, no qual a disfunção imunológica agrava os sintomas psicológicos, consolidando a ativação contínua do eixo HHA. Intervenções psicossociais e integrativas, como mindfulness, terapia cognitivo-comportamental e exercício físico, têm sido investigadas como estratégias para modular a resposta ao estresse e, consequentemente, melhorar a função imune (Nascimento et al. , 2022). Tais abordagens reduzem os níveis de cortisol e promovem a regulação positiva de células de defesa, demonstrando que fatores comportamentais e emocionais podem ser alvos terapêuticos na prevenção de doenças associadas ao estresse crônico.
Conclusão: Diante do exposto, é possível concluir que o estresse crônico demonstra um impacto significativo nos sistemas neuroendócrino e imunológico, afetando diretamente a eficiência dos glóbulos brancos e, por consequência, alterando funções fisiológicas do corpo humano. A relação recíproca entre estresse e inflamação estabelece um circuito retroalimentar, onde o sofrimento gerado, tanto físico quanto psíquico, agrava os sintomas previamente apresentados e mantém o ciclo. Portanto, compreender os mecanismos neuroimunes envolvidos é essencial para o desenvolvimento de abordagens terapêuticas mais eficazes, destacando a importância de intervenções multidisciplinares no manejo do estresse crônico e suas consequências imunológicas.
Referências:
ANTUNES, J. Estresse e doença: o que diz a evidência? Psicologia, Saúde e Doenças, Lisboa, v. 20, n. 3, p. 590-603, 2019. Disponível em: https://scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1645-00862019000300004&lng=pt&nrm=iso. Acesso em: 24 de Julho de 2025
DREXHAGE, H. A. Stress, het immuunsysteem en depressie [Estresse, o sistema imunológico e depressão]. Nederlands Tijdschrift voor Geneeskunde, Amsterdam, v. 168, artigo D7984, 2023. Disponível em: https://www-ntvg-nl.eur.idm.oclc.org/artikelen/stress-het-immuunsysteem-en-depressie. Acesso em: 25 de Julho de 2025
GARCIA, M. E. C.; SILVA, J. M.; OLIVEIRA, R. P. A influência dos transtornos mentais sobre o sistema imunológico: revisão integrativa. Revista Eletrônica da Funvic, [S. l.], v. 10, n. 2, p. 45-60, 2024. Disponível em: 
NASCIMENTO, A. G. et al. Os impactos do estresse e ansiedade na imunidade: uma revisão narrativa. Revista Eletrônica Acervo Saúde, [S. l.], v. 15, n. 12, p. e11330, 2022. Disponível em: https://acervomais.com.br/index.php/saude/article/view/11330. Acesso em: 25 de julho de 2025