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| AVALIAÇÃO FARMACOLÓGICA DO EXTRATO DE Arrabidaea chica EM MODELO EXPERIMENTAL DE SÍNDROME METABÓLICA INDUZIDA POR MÚLTIPLOS FATORES DE RISCO | |
| 1JOAO RICARDO CRAY DA COSTA, 2CAMILA SILVA BEZERRA, 3ARIANNE JUNG KLUCK, 4ARISA NAMIE HIGASHIJIMA, 5RAFAELA CAROLINE SANTA CLARA-AMORIM, 6FRANCISLAINE APARECIDA DOS REIS LÍVERO | |
| 1Discente da Universidade Paranaense - Unipar - Unidade Sede Umuarama - Pr. 2Discente da Universidade Federal do Paraná – UFPR 3Discente da Universidade Federal do Paraná – UFPR 4Discente da Universidade Federal do Paraná – UFPR 5Discente da Universidade Federal do Paraná – UFPR 6Docente da Universidade Federal do Paraná - UFPR |
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| Introdução: A Síndrome Metabólica (SM) é caracterizada pela presença simultânea de fatores de risco que aumentam a probabilidade de desenvolvimento de doenças cardiovasculares e diabetes tipo 2 (DM2), como hiperglicemia, dislipidemia e resistência à insulina (SOUTO BATISTA et al., 2025; BRAUER et al., 2022). Entre esses fatores, o DM2 e a dislipidemia, especialmente a elevação do colesterol LDL, associados ao consumo crônico de álcool, estão fortemente relacionados ao desenvolvimento da esteatose hepática (VARGAS et al., 2024; GANGIREDDY et al., 2022). O tratamento convencional, que combina mudanças no estilo de vida e uso de fármacos, apresenta eficácia limitada devido à baixa adesão dos pacientes, o que justifica a busca por alternativas terapêuticas complementares, como o uso de plantas medicinais (ALAWDI et al., 2024; PASSAGLIA et al., 2023). Arrabidaea chica é uma planta amplamente utilizada na medicina tradicional da região amazônica para o tratamento de distúrbios inflamatórios, metabólicos e hepáticos. Estudos prévios sugerem propriedades antioxidantes, anti-inflamatórias e hepato protetoras (DEVIA et al., 2002; MICHEL et al., 2015). Objetivo: Avaliar a toxicidade e os efeitos terapêuticos da fração solúvel em etanol de A. chica sobre parâmetros hepáticos, renais e lipídicos em um modelo pré-clínico de síndrome metabólica induzida por múltiplos fatores em ratos. Material e Métodos: O experimento foi conduzido com ratos Wistar machos, mantidos em condições ambientais controladas. Na primeira etapa, foi conduzido um teste de toxicidade oral aguda em ratos (n = 5-6) em doses de até 2.000 mg/kg, com monitoramento de mortalidade, alterações comportamentais, parâmetros bioquímicos, hematológicos e histopatológicos. Na segunda etapa foi realizado um estudo de eficácia farmacológica em que os animais (n = 6-7) foram submetidos a um protocolo de indução da SM que incluiu: diabetes induzido por estreptozotocina (60 mg/kg, i.p.), dislipidemia induzida por dieta enriquecida com colesterol (0,5%) e consumo livre de etanol 5% na dieta líquida, por cinco semanas. Durante as duas últimas semanas, os animais receberam tratamento por gavagem com veículo (controle negativo), extrato de A. chica (30, 100 ou 300 mg/kg) ou combinação de sinvastatina (2,5 mg/kg) e insulina (6 UI, s.c.) no controle positivo. Um grupo basal, composto por ratos normoglicêmicos, normolipidêmicos e não expostos ao etanol, foi incluído como referência. Ao final do tratamento, os animais foram submetidos à eutanásia e avaliados quanto a glicemia plasmática, perfil lipídico (colesterol total e triglicerídeos plasmáticos e hepáticos), enzimas hepáticas (AST, ALT), marcadores renais (ureia, creatinina) e peso de órgãos. Exames histopatológicos hepáticos permitiram verificar alterações estruturais e acúmulo lipídico. Resultados: Os resultados mostraram ausência de mortalidade ou efeitos adversos nos testes de toxicidade. No estudo de eficácia, em relação ao grupo controle negativo, o tratamento com A. chica promoveu normalização significativa da glicemia e dos lipídios plasmáticos, redução da esteatose hepática e restauração dos marcadores de função renal. Notavelmente, o tratamento com o extrato foi capaz de normalizar completamente os níveis de AST e ALT, efeito não observado no grupo controle positivo. As análises histológicas confirmaram efeitos hepatoprotetores e nefroprotetores, com preservação da arquitetura tecidual e menor acúmulo de lipídios. Discussão: O presente estudo fornece evidências experimentais que apoiam a segurança e o potencial terapêutico de A. chica, onde a dose de 30 mg/kg emergiu como a dose mais consistente na restauração dos parâmetros metabólicos, normalizando completamente a glicose plasmática, o acúmulo de lipídios hepáticos e os marcadores de função renal. A atividade hepato protetora foi evidenciada por reduções no peso do fígado, conteúdo lipídico hepático e aminotransferases séricas nos animais tratados, esses achados refletem relatos sobre espécies intimamente relacionadas, onde propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias conferem hepato proteção (SILVA et al., 2024; AUTH et al., 2022). A nefro proteção também foi evidente, normalizando o peso renal e os biomarcadores da função renal. O estresse oxidativo e a inflamação são os principais contribuintes para a lesão renal na síndrome metabólica, e a presença de flavonoides antioxidantes na A. chica pode mitigar esses processos. A preservação da função renal é um desfecho crítico, pois a insuficiência renal geralmente coexiste com distúrbios metabólicos e hepáticos na prática clínica (WANG et al., 2022). Conclusão: Os achados sustentam o potencial terapêutico seguro e multifuncional de A. chica no manejo da SM, reforçando seu uso tradicional e destacando a necessidade de estudos adicionais para elucidar seus mecanismos de ação. |
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| Referências: ALAWDI, S. H. et al. Metabolic syndrome and pharmacotherapy outcomes in patients with type 2 diabetes mellitus. Frontiers in Clinical Diabetes and Healthcare, v. 5, p. 1380244, 2024. Auth, P.A. et al. Croton urucurana Baill. ameliorates metabolic associated fatty liver disease in rats. Front. Pharmacol., v. 13, p. 1–13, 2022. BRAUER, P. et al. Modified delphi process to identify research priorities and measures for adult lifestyle programs to address type 2 diabetes and other cardiometabolic risk conditions. Canadian Journal of Diabetes, v. 46, p. 411-418, 2022. DEVIA, B. et al. New 3‐deoxyanthocyanidins from leaves of Arrabidaea chica. Phytochemical analysis. International Journal of Plant Chemical and Biochemical Techniques, v. 13, p. 114-120, 2002. Gangireddy, V. G. R. et al. Hepatic fibrosis and steatosis in metabolic syndrome. Journal of Obesity & Metabolic Syndrome, v. 31,1, p. 61-69, 2022. MICHEL, A. F. et al. Evaluation of anti-inflammatory, antiangiogenic and antiproliferative activities of Arrabidaea chica crude extracts. Journal Ethnopharmacology, v. 165, p. 29-38, 2015. PASSAGLIA, L. G. et al. Estatísticas cardiovasculares do programa boas práticas em cardiologia – Dados de um hospital público terciário brasileiro. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, v. 120(2), p. e20220247, 2023. Silva, G.R. et al. Effects of Baccharis dracunculifolia DC on an innovative animal model of cardiometabolic syndrome. Pharmaceutics, v.16, p. 1446, 2024. SOUTO BATISTA, I. C. et al. Síndrome metabólica: Uma perspectiva holística para a saúde cardiometabólica. Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences, v. 7, p. 1466–1474, 2025. Vargas, M. et al. Metabolic disease and the liver: A review. World Journal of Hepatology, v. 16,1, p. 33-40, 2024. Wang, T.Y. et al. Association of metabolic dysfunction-associated fatty liver disease with kidney disease. Nature Reviews Nephrology, v. 18, p. 259–268, 2022. |
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