![]() | |
|---|---|
![]() | |
| ALTERAÇÕES OROFACIAIS INDUZIDAS PELA RADIOTERAPIA DE CABEÇA E PESCOÇO: ASPECTOS CLÍNICOS E EVIDÊNCIAS | |
| 1LERICIA VIANA OLIVEIRA, 2ANA PAULA CAOBIANCO TREVISAN ULIAN, 3GABRIELLE RODRIGUES AGOSTINHO ROSA, 4ROBERTA VIEIRA MARTINS, 5MARCELA MOREIRA TERHAAG, 6DANIELA DE CASSIA FAGLIONI B CERANTO | |
| 1Acadêmica do Curso de Odontologia UNIPAR / PIC UNIPAR 2Acadêmica do Curso de Odontologia UNIPAR / PIC UNIPAR 3Acadêmica do Curso de Medicina UNIPAR / PIC UNIPAR 4Acadêmica do Curso de Medicina UNIPAR / PIC UNIPAR 5Docente do IFPR 6Docente da UNIPAR |
|
| Introdução: A radioterapia é amplamente usada em neoplasias de cabeça e pescoço, eficaz no controle tumoral e preservação de funções. Porém, por agir de forma não seletiva, também afeta tecidos saudáveis, causando alterações orofaciais agudas ou tardias, que comprometem a qualidade de vida (Epstein et al., 2017). A intensidade varia conforme dose, fracionamento, área irradiada, técnica e saúde bucal prévia (Kingel, 2021). Estudos mostram que a mucosite oral afeta mais de 80% dos pacientes e a xerostomia persistente ocorre em até 93% (Dragonchev et al., 2025). Outras complicações incluem cárie de radiação, trismo, osteorradionecrose, alterações pulpares e desequilíbrio da microbiota oral (Munhoz et al., 2021; Xu et al., 2025). Conhecer tais efeitos é essencial para prevenção e manejo multiprofissional. Objetivo: Analisar as principais alterações orofaciais da radioterapia em cabeça e pescoço, abordando fisiopatologia, prevalência, manifestações clínicas e intervenções. Revisão de literatura (2012-2025) em Google Acadêmico, PubMed, Scielo e livros de Patologia oral. Termos: “radioterapia”, “alterações orofaciais”, “complicações bucais”. Desenvolvimento: As complicações seguem padrão temporal. Agudas surgem durante ou logo após a terapia; tardias podem ocorrer meses ou anos, muitas vezes irreversíveis. A mucosite é a mais comum, com eritema, edema e ulceração decorrentes da destruição celular e mediadores inflamatórios (Epstein et al., 2017). Inicia-se entre 1ª e 2ª semana, com pico entre 4ª e 6ª, causando dor, dificuldade alimentar, deglutição e fala, podendo levar à perda de peso e interrupção do tratamento. Fatores como doses >50 Gy, quimioterapia associada e higiene oral precária aumentam sua gravidade (Neville et al., 2016). A xerostomia resulta do comprometimento das glândulas salivares, reduzindo fluxo e alterando a saliva (Dragonchev et al., 2025). Isso favorece candidíase e cárie de radiação, rápida e atípica, acometendo superfícies cervicais e radiculares, ligada à hipossalivação, desmineralização e microbiota alterada (Xu et al., 2025). A progressão do dano pode comprometer músculos mastigatórios e a articulação temporomandibular, levando ao trismo, que prejudica funções e exige fisioterapia precoce para evitar sequelas (Munhoz et al., 2021). Entre as complicações tardias, a osteorradionecrose é a mais grave, mais comum na mandíbula pela menor vascularização (Chronopoulos et al., 2018). Decorre de hipóxia, hipocelularidade e hipovascularização, geralmente após traumas como extrações. O tratamento varia de antibioticoterapia e laserterapia até oxigenoterapia hiperbárica e cirurgia reconstrutiva (Neville et al., 2016). Alterações pulpares incluem menor fluxo sanguíneo e respostas atípicas, nem sempre evoluindo para necrose (Weissheimer et al., 2022). A radioterapia também modifica a microbiota, favorecendo patógenos e reduzindo diversidade, elevando risco periodontal e infeccioso (Kwiatkowski et al., 2025). Essas complicações exigem protocolos preventivos e acompanhamento integrado e contínuo, adaptado a cada paciente. Conclusão: As alterações orofaciais da radioterapia em cabeça e pescoço são prevalentes e afetam a qualidade de vida. A atuação multiprofissional é essencial para prevenir e reabilitar complicações, assegurando melhor prognóstico e bem-estar. |
|
| Referências: CHRONOPOULOS, A., et al. Osteoradionecrosis of the jaws: definition, epidemiology, staging and clinical and radiological findings. A concise review. International dental journal, v. 68, n. 1, p. 22-30, 2018. Disponível em: https://doi.org/10.1111/idj.12318. Acesso em: 02 ago. 2025. ALNAEEM, M. M.; DARWISH, S. K.; NASHWAN, A. J. Radiation-induced xerostomia in head and neck cancers: a comprehensive review for burden and impact on nutrition, sleep, and quality of life. Discover Medicine, v. 2, n. 1, p. 143, 2025. Disponível em: https://doi.org/10.1007/s44337-025-00362-1. Acesso em: 02 ago. 2025. EPSTEIN, J. B. et al. Oral complications of cancer and cancer therapy: from cancer treatment to survivorship. CA: a cancer journal for clinicians, v. 62, n. 6, p. 400-422, 2012. Disponível em: https://doi.org/10.3322/caac.21157. Acesso em: 02 ago. 2025. KINGEL, R. Estomatologia: Diagnóstico e Tratamento das Doenças Bucais. 2. ed. São Paulo: Santos, 2013. MUNHOZ, L.; et al. Alterações induzidas por radioterapia detectadas em radiografias panorâmicas: revisão sistemática. Imaging Science in Dentistry, v. 51, n. 3, p. 223-235, 2021. Disponível em: https://doi.org/10.5624/isd.20210011. Acesso em: 02 ago. 2025. NEVILLE, B. W.; DAMM, D. D.; CHI, A. C. Patologia Oral e Maxilofacial. 4. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2016. WEISSHEIMER, T., et al. Head and neck radiotherapy effects on the dental pulp vitality and response to sensitivity tests: A systematic review with meta‐analysis. International Endodontic Journal, v. 55, n. 6, p. 563-578, 2022. Disponível em: https://doi.org/10.1111/iej.13726. Acesso em: 02 ago. 2025. KWIATKOWSKI, D., et al. Oral microbiota in head and neck cancer patients during radiotherapy: a systematic review. Supportive Care in Cancer, v. 33, n. 2, p. 127, 2025. Disponível em: https://doi.org/10.1007/s00520-025-09191-5. Acesso em: 02 ago. 2025. |
|