FATORES QUE INFLUENCIAM O CONSUMO E A DIGESTIBILIDADE EM RUMINANTES: REVISÃO BIBLIOGRÁFICA   
1ANDRÉ LUIZ BREY, 2GUILHERME BATISTA DOS SANTOS
1Acadêmico do curso de Medicina Veterinária da Unipar
2Mestre em Zootecnia pela UTFPR
Introdução: Durante o processo evolutivo dos animais, com ênfase nos ruminantes, estes desenvolveram características tanto anatômicas, quanto simbióticas, que lhes proporcionaram utilizar, de forma eficiente, carboidratos estruturais como uma fonte de energia. Bem como, compostos nitrogenados não proteicos, como fonte de proteína (Valadares Filho e Pina, 2006). Essa adaptação evolutiva fora permitida graças à relação simbiótica com a comunidade de microrganismos presentes no rúmen. Sendo estes organismos responsáveis pela fermentação dos alimentos, que por sua vez culminam na produção de metabólitos acessíveis à energia proveniente da dieta (Van Soest, 1994). Ademais, compreender os fatores que influenciam na saúde e produtividade desses animais é essencial para otimizar a alimentação, melhorar a eficiência alimentar e promover o bem-estar. Dessa forma, a digestibilidade dos alimentos não é apenas uma questão de composição química, como também é de aspectos físicos e de comportamento que afetam a forma como os alimentos são processados no trato digestório (Miranda et al., 2024).
Objetivo: O presente trabalho tem como objetivo uma revisão bibliográfica sobre fatores que afetam o consumo e a digestibilidade em ruminantes.
Desenvolvimento: Pereira et al., (2009) comenta que a probabilidade de o alimento ser ingerido pelo animal depende da ação de fatores que interagem em diferentes situações de alimentação, comportamento e meio ambiente. Esta Ingestão é o componente que exerce um papel de maior relevância na nutrição animal, dado que estabelece o nível de nutrientes ingeridos e, por conseguinte o desempenho. Faz-se necessário ressaltar o padrão de mecanismos que regulam o consumo. Sendo eles de controle físico, fisiológico e psicogênico (Mertens, 1994). O físico é quando ocorre uma distensão do retículo-rúmen, devido a ativação de receptores na  parede retículo-ruminal, que por sua vez ativam o nervo vago para sinalizar o preenchimento dessa câmara fermentativa. O fisiológico regula-se atendendo a demanda energética, tornando-se mais expressivo em dietas concentradas com alta densidade energética a base de carboidratos, por fim o psicogênico, que envolve resposta do animal a fatores inibidores ou estimuladores relacionados ao alimento ou ambiente, como por exemplo palatabilidade e temperatura, respectivamente (Mertens, 1994). Não obstante, tamanho e condição corporal, raça e status fisiológico são características inerentes aos animais e que atuam no consumo (Van Soest, 1994). Ademais, Da Silva (2023) enuncia que, nos ruminantes o mecanismo quimiostático mais plausível envolve ácidos graxos voláteis (AGVʼs), absorvidos pelo epitélio ruminal.  Esse mecanismo o sinaliza a saciedade a partir do acesso de um ou mais metabólitos na corrente sanguínea em taxa superior à que eles podem ser removidos. Outros fatores também podem influenciar o consumo voluntário, como neuro-hormonais, ligados a leptina, esta secretada em resposta a insulina e glucagon. Os alimentos no que lhes concerne, explica Van Soest (1994), diferem em sua capacidade em atender determinados requisitos de manutenção, crescimento, reprodução e lactação. Para a garantir a ingestão correta de energia, nutriente limitante na dieta de ruminantes, é fundamental incluir uma combinação de forragens de boa qualidade e concentrados (Nascimento et al., 2020). No tocante a digestibilidade, existem fatores inerentes ao animal, como idade e ao alimento; como sua composição química e bromatológica, composição da dieta, processamento, nível alimentar, tempo de adaptação e o Ph ruminal (Da Silva, 2023). Outro fator que pode afetar a digestibilidade é o efeito associativo que ocorre quando dois ou mais alimentos com diferentes coeficientes de digestibilidade são fornecidos em uma mistura. Outro fator relevante que pode influenciar a digestibilidade é inclusão de gorduras na dieta de ruminantes, que deve ser controlada cuidadosamente. O National Research Council (NRC, 2007) expõe que níveis a cima de 8% de gorduras totais na dieta podem reduzir a ingestão de matéria seca, em animais confinados, podendo prejudicar o desempenho. Em contrapartida, Medeiros et al., (2015) expõe que a dieta não deve conter mais de 6% na MS de inclusão de lipídeos. Posto isto, ao incluir esse tipo de suplementação na dieta, com níveis a cima do recomendado, tornasse necessário o uso de estratégias, como o a utilização de gorduras protegidas pelo rúmen (GPR), a qual passa diretamente para o intestino delgado, aonde será absorvida e convertida em energia metabolizável (Inô et al., 2025) e (Da Freiria et al., 2022).
Conclusão: Posto isto a pesquisa concluiu que o consumo voluntário e a digestibilidade são influenciados por uma gama de variáveis, interagindo de forma íntima entre si. Dessa forma, a nutrição de ruminantes apresenta-se com o aspecto de um quebra cabeça. Onde várias partes precisam ser alinhadas e encaixadas coordenadamente visando alcançar objetivos produtivos com lucratividade, sustentabilidade e bem-estar animal.
Referências:
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