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| USO INDISCRIMINADO DE ANTI-INFLAMATÓRIOS NÃO ESTEROIDAIS EM IDOSOS: REVISÃO TEÓRICA DOS RISCOS FARMACOCINÉTICOS, FARMACODINÂMICOS E CLÍNICOS | |
| 1LUCAS STEINERT PAULINO, 2EMERSON FRANCO DE NOVAIS, 3GUILHERME OLIVEIRA BONADIO COSTA, 4IGOR MALAVAZI SERRANO, 5LUCAS RIBEIRO DALLEGRAVE, 6ROSILEY BERTON PACHECO | |
| 1Acadêmico bolsista do PROUNI 2Acadêmico do Curso de Medicina da UNIPAR 3Acadêmico do Curso de Medicina da UNIPAR 4Acadêmico do Curso de Medicina da UNIPAR 5Acadêmico do Curso de Medicina da UNIPAR 6Docente da UNIPAR |
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| Introdução: O envelhecimento está associado a alterações fisiológicas que modificam absorção, distribuição, metabolização e excreção de fármacos, tornando os idosos mais vulneráveis a reações adversas (Ribeiro et al., 2022). Entre os medicamentos mais consumidos nessa população estão os anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs), amplamente utilizados pelas propriedades analgésicas, antipiréticas e anti-inflamatórias (Lucas et al., 2018). Contudo, a inibição das enzimas ciclooxigenase (COX-1 e COX-2), embora terapêutica, compromete processos homeostáticos, predispondo a eventos gastrintestinais, cardiovasculares e renais (Vega-Morales et al., 2021). Objetivo: Revisar, a partir de literatura científica atual, os riscos do uso indiscriminado de AINEs em idosos, considerando aspectos farmacocinéticos, farmacodinâmicos e clínicos, bem como os principais eventos adversos descritos na prática geriátrica. Desenvolvimento: O envelhecimento acarreta redução progressiva da taxa de filtração glomerular, hipoalbuminemia, maior proporção de gordura corporal e redução da massa magra, fatores que alteram volume de distribuição, depuração renal e biodisponibilidade dos AINEs (Lucas et al., 2018; Ribeiro et al., 2022). Tais modificações resultam em maior meia-vida plasmática, maior fração livre da droga e maior toxicidade potencial (Ruscin Linnebur, 2025). No âmbito clínico, complicações renais incluem necrose papilar e insuficiência renal aguda, particularmente em idosos com comorbidades cardiovasculares e nefropatias prévias (Lucas et al., 2018). O uso contínuo está também relacionado ao aumento da pressão arterial, insuficiência cardíaca congestiva e risco de infarto do miocárdio (Vega-Morales et al., 2021). Eventos gastrintestinais, como sangramento e perfuração, são mais frequentes com AINEs não seletivos, enquanto os inibidores seletivos da COX-2 apresentam risco reduzido, embora não isento (Monteiro et al., 2022). Estudo brasileiro identificou que 38,7 % das prescrições em idosos envolviam AINEs, sendo 8,5 % considerados inapropriados; 104 interações medicamentosas foram detectadas, 24 % delas de alta gravidade, resultando em sintomas indesejáveis em 30,5 % dos pacientes, sobretudo desconforto estomacal (Coelho et al., 2023). Em análise de farmacovigilância em Portugal, Monteiro et al. (2022) reforçam que ausência de gastroproteção e associação com anticoagulantes ampliam a gravidade dos efeitos adversos. Além disso, revisão integrativa destacou que o diclofenaco, naproxeno, piroxicam e nimesulida figuram entre os principais fármacos envolvidos em reações adversas graves, como hepatotoxicidade e anafilaxia (Basani, 2024). Por fim, estudos de revisão apontam que 70 % a 90 % dos idosos utilizam medicamentos de forma contínua, sendo frequente a automedicação com AINEs, o que potencializa interações medicamentosas e efeitos adversos (Bandeira; Dal Pai; Oliveira, 2013). Esse cenário reforça a necessidade de prescrição individualizada e vigilância clínica rigorosa. Conclusão: A literatura evidencia que o uso indiscriminado de AINEs em idosos representa risco relevante à saúde, em virtude das alterações fisiológicas próprias do envelhecimento, do potencial de interações em contexto de polifarmácia e da alta prevalência de comorbidades nessa população. Estratégias de monitoramento clínico, prescrição criteriosa, uso de alternativas terapêuticas e educação em saúde são fundamentais para reduzir a morbimortalidade associada ao uso desses fármacos. |
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| Referências: BASANI, A. Revisão integrativa sobre o uso de anti-inflamatórios não esteroidais e reações adversas em idosos. 2024. Disponível em: https://bdtd.ibict.br/vufind/Record/UEL_c58c2977012f193936a1a0449503972b. Acesso em: 25 ago. 2025. BANDEIRA, Vanessa Adelina Casali; DAL PAI, Camila Tais; DE OLIVEIRA, Karla Renata. Uso de anti-inflamatórios não esteroides por idosos atendidos em uma Unidade de Estratégia de Saúde da Família do município de Ijuí (RS). Revista Brasileira de Ciências do Envelhecimento Humano, v. 10, n. 2, 2013. COELHO, Claudia Oliveira et al. Uso de medicamentos potencialmente inapropriados em pessoas idosas na Atenção Primária à Saúde: estudo transversal. Revista brasileira de geriatria e gerontologia, v. 26, p. e230129, 2023. LUCAS, G. N. C. et al. Pathophysiological aspects of nephropathy caused by non-steroidal anti-inflammatory drugs. Brazilian Journal of Nephrology, v. 41, n. 1, p. 124-130, 2018. MONTEIRO, M. C. et al. Non-steroidal anti-inflammatory drugs safety: prescription monitoring and pharmacovigilance data. Frontiers in Pharmacology, v. 13, p. 857252, 2022. RIBEIRO, H. et al. Non-steroidal anti-inflammatory drugs (NSAIDs), pain and aging: Adjusting prescription to patient features. Biomedicine & Pharmacotherapy, v. 150, p. 112958, 2022. RUSCIN, J. Mark; LINNEBUR, Sunny A. Problemas relacionados a fármacos em idosos. Manuais MSD: edição para profissionais, 2025. Disponível em: https://www.msdmanuals.com/pt/profissional/geriatria/terapia-medicamentosa-em-idosos/problemas-relacionados-a-f%C3%A1rmacos-em-idosos. Acesso em: 25 ago. 2025. VEGA-MORALES, D. et al. Non-steroidal anti-inflammatory drugs in the elderly: agreement with safe prescription recommendations according to cardiovascular and gastrointestinal risks. Reumatología Clínica, v. 17, n. 9, p. 499-503, 2021. |
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