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| HIPOPLASIA DA ARTÉRIA COMUNICANTE POSTERIOR: IMPLICAÇÕES CLÍNICAS NO SISTEMA VASCULAR CEREBRAL | |
| 1LARISSA RODRIGUES HERRERO DIAS, 2BIANCA LOPES DA SILVA, 3GIOVANA DO CARMO LIMA, 4RHAREZA PIOLI GUARINI, 5PABLO ALVAREZ AUTH | |
| 1Acadêmico do Curso de Medicina da UNIPAR 2Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR 3Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR 4Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR 5Docente da UNIPAR |
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| Introdução: O círculo arterial cerebral (CAC), também conhecido como polígono de Willis, é fundamental para a irrigação cerebral (PEIXOTO et al, 2015), e embora seja representado de forma completa no estudo da neuroanatomia, o círculo só é íntegro em 20% dos indivíduos, (AFIFI, 2005, p. 385, 386) apud (COLODETTE et al, 2022), sendo muitas variações anatômicas relacionadas ao surgimento de doenças cerebrovasculares (PEIXOTO et al, 2015). Dentre as variações, as mais encontradas são na circulação cerebral posterior, principalmente na artéria comunicante posterior (AcoP), sendo a hipoplasia a alteração mais frequente (COLODETTE et al, 2022), a qual pode pode desempenhar um papel na fisiopatologia do AVC isquêmico, com especial predileção por infartos talâmicos (CHUANG et al, 2008). Objetivo: Sintetizar as principais informações acerca da hipoplasia da AcoP, com ênfase em sua prevalência e consequências clínicas no sistema vascular cerebral. Desenvolvimento: O encéfalo é vascularizado pelas artérias carótidas internas e vertebrais, que, na base do crânio, formam o polígono arterial cerebral (PAC), também denominado círculo arterial cerebral ou polígono de Willis, estrutura fundamental para a irrigação encefálica (PEIXOTO et al., 2015). Entretanto, apesar de tradicionalmente representado como completo nos estudos de neuroanatomia, o círculo de Willis encontra-se íntegro em apenas cerca de 20% dos indivíduos (AFIFI, 2005, p. 385-386 apud COLODETTE et al, 2022). De fato, mais da metade dos indivíduos normais apresenta alterações que tornam o círculo incompleto, sendo as anomalias mais comuns observadas nas artérias comunicantes posteriores (20%) e cerebrais anteriores (10%), geralmente sob a forma de hipoplasia ou atresia (CECIL, 2005 apud PEIXOTO et al., 2015). Nesse contexto, a circulação cerebral posterior se destaca como a região com maior número de variações anatômicas. A artéria comunicante posterior (AcoP) é particularmente acometida, sendo a hipoplasia a alteração mais frequente (COLODETTE et al, 2022). Essa condição é definida quando um segmento arterial apresenta diâmetro inferior a 50% do seu correspondente contralateral (PEIXOTO et al., 2015). Corroborando esses achados, Shomer et al. (1994) relataram elevada prevalência de hipoplasia da AcoP, alteração de grande impacto clínico, uma vez que está associada ao aumento do risco de acidente vascular cerebral (AVC) isquêmico (PEIXOTO et al., 2015). Da mesma forma, Goerlitz et al. (2015) verificaram que, em 92,2% dos pacientes avaliados, uma ou ambas as AcoP estavam hipoplásicas ou ausentes, associação frequentemente vinculada ao infarto agudo do tálamo, especialmente na região da artéria tuberotalâmica (COLODETTE et al, 2022). De acordo com essa linha de evidências, angiogramas e estudos de autópsia confirmam que a hipoplasia da AcoP é uma variação congênita presente em 6–21% da população geral. Assim, essa alteração pode desempenhar papel central na fisiopatologia do AVC isquêmico, mesmo na ausência de oclusão da artéria carótida interna, uma vez que compromete a circulação colateral do círculo de Willis. A predileção por infartos talâmicos reforça a hipótese de comprometimento do fluxo sanguíneo regional (CHUANG et al., 2008). Por fim, Chuang et al. (2008) demonstraram que a incidência de hipoplasia foi significativamente maior em pacientes com AVC isquêmico hemisférico (19,35%) em comparação ao grupo controle (8,20%, p = 0,036). A maioria dos casos apresentou infartos talâmicos lacunares ipsilaterais (77,08%), seguidos de envolvimento talâmico-occipital (20,83%). Além disso, o escore NIHSS no primeiro dia foi menor nos pacientes com hipoplasia da AcoP (média de 10) em comparação àqueles sem a alteração (média de 18, p = 0,03), sugerindo um impacto clínico diferenciado. Dessa maneira, conhecer as variações do círculo de Willis, especialmente a hipoplasia da AcoP, mostra-se essencial não apenas para a compreensão da fisiopatologia do AVC, mas também para o planejamento de procedimentos endovasculares e cirúrgicos, além de auxiliar na formulação de prognósticos (HOLANDA et al., 2014 apud COLODETTE et al, 2022). Conclusão: As variações anatômicas do círculo de Willis, em especial a hipoplasia da artéria comunicante posterior, apresentam elevada prevalência e relevância clínica. Essa alteração compromete a circulação colateral, predispondo a eventos isquêmicos, principalmente infartos talâmicos. Evidências apontam associação significativa entre hipoplasia da AcoP e maior incidência de AVC isquêmico. Além disso, tais variações influenciam a gravidade e o prognóstico dos pacientes. Assim, o reconhecimento dessas anomalias é fundamental para a prática clínica e o planejamento terapêutico. |
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| Referências: CHUANG, Y. M.; LIU, C. Y.; PAN, P. J.; LIN, C. P. Posterior communicating artery hypoplasia as a risk factor for acute ischemic stroke in the absence of carotid artery occlusion. Journal of Clinical Neuroscience, 2008; 15(12):1376–1381. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/18945618/. Acesso em: 5 Set. 2025. COLODETTE, A. L.; CASTHELOGE COUTINHO, B. P. N.; SILVA, F. S. R.; PRATTI, L. M.; ZOTTELE, M. Z.; COSTA JUNIOR, O. S.; ROCHA, V. V.; BATISTA, P. R. Variações anatômicas do círculo arterial do cérebro e suas implicações fisiológicas e clínicas: uma revisão integrativa da literatura. Variações Anatômicas, Editora Científica Digital, 2022; v.1:284-297. Disponível em: https://www.editoracientifica.com.br/books/chapter/variacoes-anatomicas-do-circulo-arterial-do-cerebro-e-suas-implicacoes-fisiologicas-e-clinicas-uma-revisao-integrativa-da-literatura. Acesso em: 5 Set. 2025. PEIXOTO, R. L.; PAZ, D. A.; DANTAS, J. L. O. G.; HOLANDA, M. M. A. Variações anatômicas na porção posterior do polígono de Willis. Ciência & Saúde, 2015; 8(1):2-6. Disponível em: https://revistaseletronicas.pucrs.br/faenfi/article/view/17217/0. Acesso em: 5 Set. 2025. |
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