VARIAÇÕES ANATÔMICAS DO POLÍGONO DE WILLIS E RISCO DE ANEURISMAS CEREBRAIS: UMA REVISÃO DE LITERATURA  
1STEFANY FRANCO TEIXEIRA, 2ANA CECÍ­LIA DEMAY MARTINS GOES, 3NABILLE DE GOUVEIA BASSO, 4WILLIAN DAVID COSTA MARQUES, 5LAINY LEINY DE LIMA
1Discente do Curso de Medicina da Universidade Paranaense (UNIPAR)
2Discente do Curso de Medicina da Universidade Paranaense (UNIPAR)
3Discente do Curso de Medicina da Universidade Paranaense (UNIPAR)
4Discente do Curso de Medicina da Universidade Paranaense (UNIPAR)
5Docente do Curso de Medicina da Universidade Paranaense (UNIPAR)
Introdução: O círculo arterial do cérebro, também conhecido polígono ou círculo de Willis apresenta ampla variabilidade anatômica, especialmente nas porções anterior (A1/ACoA) e posterior (P1/PComA), com implicações hemodinâmicas relevantes para a gênese e a localização de aneurismas intracranianos (Almeida et al., 2014; Colodette et al., 2022). Estudos populacionais e hospitalares sugerem que variantes como hipoplasia/aplasia de A1, artéria cerebral posterior em padrão fetal e hipoplasia de P1 podem alterar gradientes de fluxo e tensão de cisalhamento, favorecendo a formação de aneurismas em bifurcações críticas (Hindenes et al., 2023). 
Objetivo: Sistematizar evidências recentes sobre a associação entre variações do polígono de Willis (PW) e o risco/ocorrência de aneurismas cerebrais, destacando implicações clínicas para diagnóstico e prevenção.
Desenvolvimento: Revisões integrativas e trabalhos anatômico-radiológicos descrevem como a assimetria de fluxos decorrente de variantes do PW se relaciona com sítios clássicos de aneurismas (ACoA, PComA, bifurcação da Artéria Cerebral Média) (Almeida et al., 2014; Colodette et al., 2022). Em coorte populacional do Tromsø Study, a presença de variações no polígono associou-se a maiores chances de aneurismas intracranianos, reforçando um elo epidemiológico entre anatomia vascular e risco (Hindenes et al., 2023). Evidências mais específicas indicam que alterações do segmento A1 (hipoplasia/aplasia) estão associadas a aneurismas da artéria cerebral média, possivelmente por redistribuição de fluxo para o território da Artéria Cerebral Média e sobrecarga hemodinâmica em bifurcações (Li et al., 2025). Em contexto hospitalar de país africano, variantes do PW mostraram associação tanto com aneurisma quanto com acidente vascular cerebral (AVC), sugerindo que o impacto clínico das variações transcende a formação aneurismática e pode influenciar desfechos isquêmicos (Negatie et al., 2025). Do ponto de vista prático, a caracterização detalhada por angiotomografia (angio-TC) e angioressonância magnética (angio-RM) é recomendada para mapear variantes e guiar decisões: (I) estratificação de risco em pacientes com história familiar de aneurisma; (II) planejamento de clipagem/coiling considerando colaterais e dominância de ramos; e (III) vigilância de segmentos predispostos (Colodette et al., 2022). Apesar da consistência do sinal, heterogeneidade metodológica (definição de “hipoplasia”, desenho dos estudos e diferenças populacionais) limita comparações diretas e sugere cautela na extrapolação individual do risco (Hindenes et al., 2023; Negatie et al., 2025). 
Conclusão: Variações anatômicas do círculo arterial do cérebro, em especial no A1 e P1, associam-se a maior probabilidade de aneurismas e podem influenciar sua topografia. A identificação sistemática dessas variantes por angio-TC/angio-RM deve integrar a avaliação de risco e o planejamento terapêutico, enquanto estudos futuros padronizados poderão refinar a predição individual e estratégias de vigilância. Além disso, compreender essas variações permite não apenas antecipar locais de maior vulnerabilidade à formação aneurismática, mas também direcionar condutas preventivas e personalizadas, contribuindo para a redução da morbimortalidade associada às doenças cerebrovasculares.
Referências:
ALMEIDA, M. M. A. et al. Variações anatômicas na porção posterior do polígono de Willis. Revista Saúde e Ciência Online, v. 3, n. 2, p. 116–125, 2014.
COLODETTE, A. L. et al. Variações anatômicas do círculo arterial do cérebro e suas implicações fisiológicas e clínicas: uma revisão integrativa da literatura. Editora Científica Digital, v. 1, 2022. 
HINDENES, L. B. et al. Anatomical variations in the circle of Willis are associated with increased odds of intracranial aneurysms: The Tromsø study. Journal of the Neurological Sciences, v. 452, 120740, 2023. 
LI, X. et al. Association of middle cerebral artery aneurysms and variation of the A1 segment. PLOS ONE, v. 20, n. 3, e0319500, 2025. 
NEGATIE, H. M. et al. Association of circle of Willis variants with stroke and aneurysm: insights from a tertiary hospital in Ethiopia. BMC Neurology, v. 25, n. 73, 2025.