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| AGRAVOS DAS INFECÇÕES ODONTOGÊNICAS: DO FOCO DENTÁRIO ÀS COMPLICAÇÕES GRAVES | |
| 1LERICIA VIANA OLIVEIRA, 2TAMIRES DE SOUZA MACEDO, 3MILENE XAVIER DA SILVA, 4DANIELA DE CASSIA FAGLIONI B CERANTO | |
| 1Acadêmica do Curso de Odontologia UNIPAR / PIC UNIPAR 2Acadêmica do Curso de Odontologia da UNIPAR 3Acadêmica do Curso de Odontologia da UNIPAR 4Docente da UNIPAR |
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| Introdução: As infecções odontogênicas constituem uma das ocorrências mais comuns na prática odontológica, correspondendo a processos infecciosos que se originam nos dentes e suas estruturas de suporte. Lesões iniciais, como cáries, pulpites, pericoronarites e doenças periodontais, podem evoluir para envolvimento de tecidos profundos da face, alcançando espaços fasciais e áreas críticas, com potencial risco de óbito. A instalação desses quadros infecciosos está intimamente ligada ao desequilíbrio entre a microbiota bucal e a resposta imunológica do hospedeiro. Embora muitas infecções possam ser manejadas em nível ambulatorial, a progressão pode ocasionar complicações graves, incluindo mediastinite, angina de Ludwig, fasceíte necrosante, trombose do seio cavernoso, meningite e abscessos cerebrais (Miloro et al., 2016; Abed et al., 2023). A gravidade do quadro depende da virulência dos microrganismos, da anatomia local e de condições sistêmicas do paciente, como diabetes, imunossupressão e desnutrição (Hupp et al., 2021). Apesar dos avanços nos tratamentos, essas complicações continuam a representar risco significativo quando não diagnosticadas e tratadas de forma precoce. Objetivo: Analisar as infecções odontogênicas e suas possíveis complicações, abordando seus mecanismos fisiopatológicos, manifestações clínicas e princípios de manejo terapêutico, por meio de revisão de literatura realizada nas bases PubMed, Scielo e em três livros especializados, abrangendo o período de 2015 a 2023, utilizando os descritores “infecção odontogênica”, “angina de Ludwig” e “complicações”. Desenvolvimento: As infecções odontogênicas podem se originar de diferentes focos, incluindo cáries, polpas dentárias comprometidas, pericoronarites, doenças periodontais e procedimentos endodônticos mal realizados. Microrganismos anaeróbios facultativos e estritos proliferam nesses ambientes e a disseminação é influenciada por fatores anatômicos, como espessura óssea e inserções musculares, determinando os espaços cervicofaciais acometidos. A propagação também pode ocorrer por vias hematogênicas ou linfáticas, aumentando o risco de complicações sistêmicas (Miloro et al., 2016). Clinicamente, o quadro inicial inclui dor, edema, rubor, calor, limitação funcional e linfadenopatia regional. Com evolução, surgem febre, mal-estar, trismo, disfagia, dislalia e, em situações críticas, dispneia, reconhecida como a principal causa de óbito decorrente da obstrução das vias aéreas (Hupp et al., 2021). Infecções odontogênicas também podem estar associadas à abscessos cerebrais e sepse (Abed et al., 2023).O diagnóstico baseia-se em exame clínico, complementado por exames laboratoriais e de imagem, como tomografia computadorizada, essencial para avaliar extensão e orientar tratamento. O manejo inclui remoção da causa e a drenagem de coleções purulentas. Antimicrobianos atuam como adjuvantes, sendo imprescindíveis em casos de disseminação sistêmica, comorbidades ou envolvimento de espaços profundos. Situações de risco, como obstrução das vias aéreas, exigem abordagem hospitalar, monitoramento intensivo e atuação multidisciplinar (Bali et al., 2015). O sucesso do tratamento depende do diagnóstico precoce, avaliação da gravidade, remoção imediata da causa, drenagem eficiente, uso racional de antibióticos e acompanhamento frequente. A adesão a esses princípios reduz o risco de complicações e garante maior previsibilidade do prognóstico (Topazian et al., 2020). Destarte, medidas preventivas, como controle de cáries, tratamento periodontal e manutenção da higiene bucal, são fundamentais para reduzir a incidência dessas infecções. Conclusão: Em síntese, embora sejam comuns, as infecções odontogênicas não devem ser subestimadas, uma vez que podem evoluir para complicações sistêmicas graves ou fatais. Nesse contexto, o conhecimento de sua etiologia, progressão clínica e principais desfechos é fundamental para a definição de condutas terapêuticas eficazes. Assim, o tratamento deve priorizar a remoção da causa, complementada pela antibioticoterapia quando indicada. Ademais, a implementação de medidas preventivas permanece como a estratégia mais eficaz para reduzir a incidência dessas infecções e evitar desfechos desfavoráveis. |
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| Referências: ABED, K.; et al. Potential infection foci in the oral cavity and their impact on the formation of central nervous system abscesses: a literature review. Medicine, v. 102, n. 46, p. e35898, 2023. Disponível em: https://doi.org/10.1097/MD.0000000000035898. Acesso em: 20 ago. 2025. BALI, R.; et al. A review of complications of odontogenic infections. National Journal of Maxillofacial Surgery, v. 6, n. 2, p. 136, 2015. Disponível em: https://doi.org/10.4103/0975-5950.183867. Acesso em: 20 ago. 2025. BURGOS-LARRAÍN, L. F.; VÁZQUEZ-PORTELA, Á.; COBO-VÁZQUEZ, C. M.; SÁEZ-ALCAIDE, L. M.; SÁNCHEZ-LABRADOR, L.; MENIZ-GARCÍA, C. Brain complications from odontogenic infections: a systematic review. Journal of Stomatology, Oral and Maxillofacial Surgery, v. 123, n. 6, p. e794-e800, 2022. Disponível em: https://doi.org/10.1016/j.jormas.2022.07.018 . Acesso em: 20 ago. 2025. FONSECA, E. L. G.; FRANCISCO, M. A.; SANTOS, M. A. B. S.; LIRA, J. S.; TENÓRIO, L. F.; SANTOS, M. P. M.; NEGREIROS, J. H. C. N.; ALENCAR, M. G. M.; BARBOSA, L. M. Infecções odontogênicas: da etiologia ao tratamento: uma revisão da literatura. Revista Brasileira de Desenvolvimento, v. 7, p. 44396-44407, 2020. Disponível em: https://doi.org/10.34117/bjdv6n7-163 .Acesso em: 22 ago. 2025. HUPP, J. R.; ELLIS, E. III; TUCKER, M. R. Cirurgia oral e maxilofacial contemporânea. 7. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2021. INFECÇÃO odontogênica grave após extração de terceiro molar: relato de caso. Pesquisa, Sociedade e Desenvolvimento, v. 16, p. e560101624144, 2021. Disponível em: https://doi.org/10.33448/rsd-v10i16.24144 . Acesso em: 19 ago. 2025. MILORO, M.; et al. Princípios de cirurgia bucomaxilofacial. 3. ed. São Paulo: Santos, 2016. OLIVEIRA, R. L.; RAFFAELE, R. M.; BALDO, M. E.; JARDIM, E. C. G. Abscesso cerebral e infecção odontogênica. Revista Brasileira de Terapias Intensivas, v. 32, n. 1, p. 161-162, 2020. Disponível em: https://doi.org/10.5935/0103-507X.20200025 . Acesso em: 20 ago. 2025. TOPAZIAN, R. G.; GOLDBERG, M. H.; HUPP, J. R. Infecções orais e maxilofaciais. 4. ed. São Paulo: Santos, 2020. |
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