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| ATRESIA ANAL CONGÊNITA EM UM CORDEIRO: RELATO DE CASO | |
| 1ANDRE SILVA BERTONCELLI, 2JULIANA ROSSI BELMONTE, 3THIAGO HERTZ NUNES, 4ALINE DE MOURA JACQUES | |
| 1Discente da Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões - Campus Santiago-RS 2Discente da Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões - Campus Santiago-RS 3Discente da Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões - Campus Santiago-RS 4Docente da Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões - Campus Santiago-RS |
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| Introdução: As malformações congênitas em animais domésticos, embora de ocorrência pouco frequente, representam um desafio clínico e cirúrgico relevante, pois comprometem a viabilidade do neonato e dificultam sua adaptação ao meio. Dentre essas alterações, a atresia anal se destaca por impedir a eliminação das fezes, levando ao acúmulo intestinal progressivo, distensão abdominal, dor intensa, alterações metabólicas severas, sepse e, em muitos casos, morte precoce (SANTOS et al., 2021). Na literatura, a atresia anal é descrita como uma das anomalias mais comuns em pequenos ruminantes, chegando a representar até dois terços das malformações congênitas em ovinos (PEREIRA et al., 2023). Contudo, sua ocorrência clínica é considerada rara quando comparada aos registros em bovinos e equinos. Casos mais complexos, como aqueles associados a fístulas retovaginais ou agenesias intestinais, são ainda mais incomuns, constituindo desafios terapêuticos e prognósticos (SOUZA et al., 2022; SHARMA et al., 2023). O presente relato tem como objetivo descrever um caso de atresia anal congênita em um cordeiro neonato, destacando os achados clínicos, laboratoriais e cirúrgicos, bem como a conduta terapêutica adotada, visando contribuir para o conhecimento sobre a abordagem diagnóstica e o manejo cirúrgico dessa malformação em pequenos ruminantes. Relato de Caso: Foi atendido no Centro de Práticas Veterinárias “Antônio Vivaldino Bonotto” um cordeiro macho, fértil, com aproximadamente sete dias de idade, pelagem preta e peso de 4,600 kg, apresentando como queixa principal a ausência de abertura anal. No exame físico, observaram-se mucosas róseas, abdômen distendido e abaulado, além de dor evidente à palpação abdominal. A inspeção da região perineal confirmou a ausência de orifício anal, caracterizando um quadro de atresia anal congênita. Nos exames laboratoriais, o hemograma revelou policitemia, provavelmente associada à desidratação, e leucocitose por neutrofilia com eosinopenia, compatíveis com processo inflamatório e estresse orgânico. O perfil bioquímico indicou elevação de ureia, globulinas e fosfatase alcalina, sugerindo alterações metabólicas decorrentes da obstrução intestinal e inflamação sistêmica. Diante do diagnóstico, optou-se pela anoplastia. Realizou-se uma incisão cutânea vertical na região perineal, seguida da divulsão dos tecidos adjacentes ao saco anal. Quatro suturas simples interrompidas (PIS) com fio de nylon 1 foram aplicadas para fixar a parede intestinal à pele, formando o novo orifício anal. Em seguida, pontos adicionais em padrão PIS com fio de nylon 2-0 foram posicionados entre as suturas iniciais, reforçando a estrutura. Para ampliar a abertura, confeccionou-se uma incisão elíptica de aproximadamente 2 cm no saco anal, cujas bordas foram fixadas com suturas em padrão PIS utilizando nylon 2-0. O animal apresentou evolução satisfatória e recuperação clínica completa, confirmada no retorno após 20 dias, ocasião em que foi realizada a retirada dos pontos. Discussão: Embora a atresia anal seja considerada a malformação congênita mais comum em pequenos ruminantes, sua ocorrência clínica em ovinos permanece incomum (PEREIRA et al., 2023). O presente relato ressalta a importância da inspeção clínica detalhada em neonatos, especialmente da região perineal, etapa essencial para o diagnóstico precoce e a adoção imediata da conduta terapêutica adequada. A correção cirúrgica por meio da anoplastia constitui a única alternativa terapêutica disponível. Trata-se de um procedimento relativamente simples, porém que demanda precisão técnica, principalmente na fixação da mucosa intestinal à pele, a fim de evitar estenoses ou deiscências (MOURA et al., 2022; SOUZA et al., 2022). Quando realizada precocemente, a técnica permite restabelecer a função excretora e preservar tanto o desempenho produtivo quanto o reprodutivo dos animais. O prognóstico é geralmente favorável em casos isolados, mas torna-se reservado quando associado a outras anomalias, como agenesias intestinais ou presença de fístulas. A relevância deste caso se deve ao fato de envolver um cordeiro, espécie com menor número de relatos quando comparada a bovinos, o que contribui para ampliar o conhecimento sobre a ocorrência dessa afecção em ovinos. Ademais, pesquisas recentes indicam que fatores genéticos, condições ambientais e práticas de reprodução assistida podem estar relacionados ao aumento da frequência de malformações congênitas em ruminantes (PEREIRA et al., 2023). Esses achados reforçam a necessidade de investigações epidemiológicas e genéticas que permitam identificar fatores predisponentes, subsidiando medidas preventivas e estratégias de manejo reprodutivo mais seguras. Conclusão: O relato aborda atresia anal congênita em cordeiro, corrigida com anoplastia, reforçando a importância do diagnóstico precoce e da necessidade de estudos que auxiliem na prevenção e manejo em pequenos ruminantes. |
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| Referências: MOURA, F. C. et al. Atresia anal em bezerro: relato de caso. Acta Scientiae Veterinariae, v. 50, n. 1, p. 1-6, 2022. Disponível em: https://seer.ufrgs.br/index.php/ActaScientiaeVeterinariae/article/view/112980 . Acesso em: 4 set. 2025. PEREIRA, L. A. et al. Malformações congênitas em pequenos ruminantes: aspectos clínicos e epidemiológicos. Revista de Investigaciones Veterinarias del Perú, v. 34, n. 2, p. 45-56, 2023. Disponível em: https://www.redalyc.org/journal/6177/617770132001/html/. Acesso em: 4 set. 2025. SANTOS, F.; BARRETO, H.; SALLES, S.; DE ANDRADE, C.; IGLESIAS, L.; SÁ, M. A. Atresia anal grau IV em cão – relato de caso. Revista Científica do UBM, v. 19, n. 36, p. 220–228, 2021. Disponível em: https://revista.ubm.br/index.php/revistacientifica/article/view/1010?utm_source SHARMA, P. et al. Atresia ani with rectovaginal fistula in lambs: surgical management and outcomes. Indian Journal of Veterinary and Animal Sciences Research, v. 52, n. 3, p. 215-220, 2023. Disponível em: https://epubs.icar.org.in/index.php/IJVASR/article/view/165511. Acesso em: 4 set. 2025. SOUZA, R. A. et al. Relato de caso de atresia ani associada a fístula retovaginal em ovino. Revista de Educação Continuada em Medicina Veterinária e Zootecnia da UNESP, v. 20, n. 2, p. 89-95, 2022. Disponível em: https://repositorio.unesp.br/items/3d1824a8-575d-4026-b460-11d83ffe0644. Acesso em: 4 set. 2025. |
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