ATIVIDADE LARVICIDA DO ALFA-PINENO FRENTE ÀS LARVAS DE Aedes aegypti: ESTUDO EXPERIMENTAL  
1ANDREIA FERNANDA DA SILVA, 2KENNY TSUYOSHI SAKANE, 3RAFAELA HASEGAWA, 4SYMARA RODRIGUES BERNARDELLI OLIVEIRA, 5WASHINGTON ROGÉRIO DE SOUSA, 6ZILDA CRISTIANI GAZIM
1Acadêmica do Programa de Pós Graduação em Ciência Animal com Enfâse em Produtos Bioativos
2Acadêmico do Programa de Pós Graduação em Ciência Animal Com ênfase Em Produtos Bioativos da UNIPAR
3Acadêmica do Programa de Pós Graduação em Ciência Animal Com ênfase Em Produtos Bioativos da UNIPAR
4Acadêmica do Programa de Pós Graduação em Ciência Animal Com Ênfase Em Produtos Bioativos da UNIPAR
5Acadêmico do Programa de Pós Graduação em Ciência Animal Com Ênfase Em Produtos Bioativos da UNIPAR
6Docente da UNIPAR
Introdução: O vetor Aedes aegypti é o responsável pelas doenças arbovirais como dengue, zika, chikungunya e febre amarela urbana, impactando milhões de pessoas nas regiões tropicais e subtropicais. No Brasil, a situação é alarmante: em 2024, foram registrados mais de 6,5 milhões de casos prováveis de dengue, com o Paraná contabilizando mais de 80 mil casos confirmados (BRASIL, 2024). No município de Umuarama (PR), a alta incidência da doença destaca a necessidade urgente de estratégias inovadoras de controle vetorial. A resistência crescente do vetor aos inseticidas sintéticos, aliada aos impactos ambientais e toxicológicos, motiva a busca por alternativas sustentáveis. Dentre os compostos naturais promissores, o α-pineno um monoterpeno presente em óleos essenciais de espécies vegetais nativas, tem se destacado por sua atividade larvicida e baixa toxicidade a organismos não-alvo (SANTOS et al., 2010). Sua ação é atribuída à natureza lipofílica, que compromete a integridade celular das larvas (LIMA, E.P. et al., 2015). Frente ao cenário epidemiológico e ecológico, a investigação do α-pineno como bioinseticida representa uma medida inovadora de saúde pública.
Objetivo: Avaliar, em condições laboratoriais, a eficácia larvicida α-pineno sobre larvas de A. aegypti.
Metodologia: O estudo avaliou a atividade larvicida do composto α-pineno (Sigma-Aldrich®) contra larvas de terceiro estágio de A. aegypti, cedidas pela Vigilância Ambiental de Umuarama-PR, foram expostas durante 24 horas a nove concentrações distintas do óleo essencial (5; 2,5; 1,25; 0,625; 0,312; 0,156; 0,078; 0,039 e 0,019%), que foi diluído em solução aquosa de polissorbato 80 a 2,0%. O experimento incluiu um controle positivo, utilizando  a bactéria Bacillus thuringiensis israelensis (Bti) a 0,001%, e um controle negativo, composto por solução aquosa de polissorbato 80 a 2,0%.  Larvas foram utilizadas para tratamento, e todos os ensaios foram realizados em duplicata. A mortalidade larval foi registrada após 24 horas de exposição, e as concentrações letais (CL50 e CL99) foram calculadas por meio da análise de Probitos, utilizando o software ED50 Plus V1.0.
Resultados: Os resultados demonstraram que o composto de α-pineno apresentou atividade larvicida contra A. aegypti, com uma concentração letal mediana (CL50) estimada em 1716,83 ± 157,282 ± µg/mL e uma concentração letal para 99% da população larval (CL99) de 4962,94 ± 146,146 ± µg/mL. No controle negativo, a mortalidade foi de 0%, validando a não toxicidade do solvente nas concentrações utilizadas. A taxa de mortalidade observada no controle positivo com Bti a 0,001% foi de 100%.
Discussão: Os resultados obtidos na presente investigação demonstraram que o composto α-pineno apresentou 100% de eficácia contra as larvas de A. aegypti na concentração de 6250 µg/mL. Esses dados reforçam o potencial larvicida do α-pineno e estão em consonância com estudos prévios, como o de Santos et. al. (2010), que relataram este potencial larvicida para este monoterpeno em condições similares de ensaio. A mortalidade larval foi diretamente proporcional à concentração do composto, com valores observados a partir de 390 µg/mL, evidenciando uma resposta dose-dependente. A análise estatística revelou diferenças entre os grupos tratados e o grupo controle negativo, a qual não apresentou mortalidade, confirmando a eficácia do α-pineno como agente larvicida. Comparativamente, o grupo controle positivo, tratado com Bti a 0,001% apresentou uma taxa de mortalidade de 100%, permitindo inferir que o α-pineno apresenta alto potencial para formulações bioinseticidas. Essa observação reforça a viabilidade do uso de compostos naturais na formulação de bioinseticidas de origem vegetal. A relevância desses achados é potencializada pelo cenário epidemiológico local: o município de Umuarama registrou 561 casos confirmados de dengue entre as semanas 1 até a semana 29 (01/01/2025 à 19/07/2025) de 2025 (PARANÁ, 2025), demonstrando a necessidade urgente de medidas alternativas de combate ao vetor. Além da eficácia demonstrada, o α-pineno destaca-se por sua origem natural, biodegradabilidade e baixa toxicidade a organismos não-alvo, o que representa uma estratégia alinhada à sustentabilidade e à redução do impacto ambiental causado pelos inseticidas sintéticos (SILVA et al., 2022). Entretanto, é necessário salientar que estudos complementares sobre estabilidade, formulação, toxicidade em mamíferos e testes de campo ainda se fazem necessários antes de sua ampla aplicação.
Conclusão: O α-pineno apresentou ação larvicida significativa contra larvas de A. aegypti, demonstrando ser uma alternativa promissora e sustentável frente aos inseticidas sintéticos. Embora eficaz, a necessidade de concentrações elevadas sugere que estudos complementares sobre formulação, estabilidade, toxicidade em mamíferos e teste de campo sejam imprescindíveis para consolidar seu uso em programas de controle integrados à saúde pública.
Referências:
BRASIL. Ministério da Saúde. Monitoramento dos casos de arboviroses urbanas – Brasil, 2024. Boletim Epidemiológico, v. 55, n. 15, 2024. Disponível em: https://www.gov.br/saude/ptbr/media/pdf/boletim-arboviroses-2024.pdf. Acesso em: 26 jul. 2025. LIMA, E. P. et al. Alternative methods for controlling the Aedes aegypti mosquito: bioinsecticides and natural products. Revista Brasileira de Entomologia, v. 59, n. 2, p. 190–196, 2015. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rbent/a/5Z7ThYFgSfGZKkqRbv6t8tr/. Acesso em: 26 jul. 2025. SANTOS, A. M. et al. Avaliação da atividade larvicida de óleos essenciais sobre Aedes aegypti. Química Nova, v. 33, n. 5, p. 989–994, 2010. Disponível em: https://www.scielo.br/j/qn/a/q3W6skBGvTxhMhRTNLwJGMB/. Acesso em: 26 jul. 2025. SECRETARIA DE ESTADO DA SAÚDE DO PARANÁ. Informe Epidemiológico nº 25/2025 – Arboviroses Urbanas, 2025. Disponível em: https://www.documentador.pr.gov.br/documentador/pub.do?action=d&uuid=@gtf-escribasesa@ead2b7aa-5fa5-4498-9a7c-37f25c689777&emPg=true. Acesso em: 26 jul. 2025. SILVA, A. G. et al. The essential oil of Brazilian pepper, Schinus terebinthifolia Raddi in larval control of Stegomyia aegypti (Linnaeus, 1762). Parasites & Vectors, v. 3, p. 79, 2010. Disponível em: https://parasitesandvectors.biomedcentral.com/articles/10.1186/1756-3305-3-79. Acesso em: 26 jul. 2025.