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| SAÚDE MENTAL DOS PROFISSIONAIS DE ENFERMAGEM QUE ATUAM NA URGÊNCIA E EMERGÊNCIA | |
| 1CLAUDINEIA OLIVEIRA DOS SANTOS, 2KATIA BIAGIO FONTES | |
| 1Acadêmico do PIC/UNIPAR 2Docente da UNIPAR |
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| Introdução: A saúde mental é mais do que a ausência de transtornos mentais. Envolve um estado de bem-estar em que os indivíduos reconhecem suas habilidades, são capazes de lidar com as tensões normais da vida, trabalham produtivamente e contribuem para a comunidade (OMS, 2022). A organização mundial de saúde e o Cofen vem chamando atenção para a necessidade de promover a saúde mental e qualidade de vida nos espaços laborais. Os enfermeiros de urgência e emergência apresentam altos níveis de exaustão emocional, despersonalização e sobrecarga laboral, resultantes das condições intensas e complexas do setor (Faustino et al., 2025). O trabalho em unidades de urgência e emergência é permeado por condições adversas que afetam diretamente a saúde física e mental dos profissionais de enfermagem (Santos et al., 2022). Essas condições expõem os trabalhadores a situações de estresse ocupacional, ansiedade, depressão e síndrome de Burnout, configurando um cenário que compromete tanto a qualidade de vida dos profissionais quanto a segurança do paciente (Ferreira et al., 2025). Objetivo: Identificar na literatura cientifica os fatores que afetam a saúde mental dos profissionais de enfermagem que atuam em urgência e emergência. Desenvolvimento: As vivências dos profissionais de Enfermagem em contextos de urgência e emergência revelam a coexistência de experiências de prazer e sofrimento (Santos et al., 2022). O sofrimento está associado à alternância entre êxitos e desfechos adversos, intensificado pelo contato cotidiano com situações imprevisíveis envolvendo dor, angústia e morte, resultando em desgaste físico e emocional significativo (Santos et al., 2022). O contexto das unidades de emergência caracteriza-se pelo elevado fluxo de pacientes, superlotação, intensificação das demandas, pressão quanto ao tempo de execução das atividades, exigências físicas e limitações no poder de decisão, configurando fontes relevantes de sofrimento e sobrecarga laboral (Duarte et al., 2018). Conflitos interpessoais no âmbito da equipe e com a comunidade, aliados à fragmentação das práticas, configuram um ambiente propenso à ansiedade. A precarização das condições laborais e a fragilidade dos vínculos empregatícios reforçam fatores de adoecimento (Santos et al., 2022). Estudo realizado com enfermeiros evidenciaram que seu sofrimento laboral estava diretamente associado às particularidades do serviço, destacando superlotação, sobrecarga de trabalho, sentimentos de frustração, insegurança e conflitos entre profissionais. Relações interpessoais marcadas pela falta de harmonia constituem importante fator de sofrimento, especialmente em situações de elevada pressão, impactando negativamente o estado emocional dos profissionais. A percepção dos trabalhadores indicou que sobrecarga e superlotação constituem aspectos permanentes da rotina, favorecendo desgaste físico e emocional e tornando o trabalho exaustivo. Apesar desse cenário, os profissionais demonstram compromisso ético e responsabilidade com o cuidado, mesmo diante das limitações e complexidades do contexto de emergência, o que, por vezes, resulta em frustração (Duarte et al., 2018). No setor de urgência e emergência, a atuação exige decisões rápidas e efetivas para preservar a vida do paciente. Contudo, o contato constante com dor, sofrimento e morte, a multiplicidade de tarefas e a elevada demanda contribuem para desgaste físico e mental (Machado et al., 2023). Resultados de estudo que investigou fatores desencadeadores de estresse demonstrou que 61,0% dos profissionais atribuíram sua origem ao ambiente laboral, 13,33% à esfera familiar e 16,66% a outras causas. Entre as repercussões cognitivas destacam-se alterações de memória (38,88%), dificuldade de concentração (33,33%), ansiedade (55,55%) e preocupação excessiva (27,77%). No âmbito emocional, os sintomas incluíram mau humor (44,44%), agitação (33,33%), tristeza (16,66%) e episódios de choro (11,11%). Entre os fatores contribuintes destacaram-se a rotina intensa, elevada demanda, conflitos, desgaste físico e mental, bem como manifestações de ansiedade, nervosismo e depressão. Nesse contexto, ressalta-se a importância de programas institucionais de prevenção do estresse ocupacional e promoção da qualidade de vida. Em relação ao gênero, 35,7% das mulheres e 33,3% dos homens já realizaram tratamento voltado ao estresse, depressão e/ou ansiedade, evidenciando repercussões negativas tanto na qualidade de vida quanto na assistência prestada aos pacientes (Silva et al., 2019). Conclusão: Pode-se concluir que de acordo com a literatura as características do serviço, conflitos interpessoais, situações imprevisíveis, contato constante com dor, sofrimento e morte, a multiplicidade de tarefas e a elevada demanda, são fatores que favorecem o adoecimento mental de enfermeiros atuantes em serviço de urgência e emergência. Diante disso, ressalta-se a relevância da implementação de programas institucionais voltados à prevenção do estresse ocupacional e à promoção da qualidade de vida no ambiente laboral, em consonância com as políticas nacionais de atenção à saúde do trabalhador. |
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| Referências: DUARTE, M. L.C.; GLANZNER, C. H.; PEREIRA, L. P. O trabalho em emergência hospitalar: sofrimento e estratégias defensivas dos enfermeiros. Rev. Gaúcha Enferm., v. 39, p. e2017-0255, 2018. Disponível em: https://doi.org/10.1590/1983-1447.2018.2017-0255. Acesso em: 08 set. 2025. FAUSTINO, W. R. et al. Síndrome de Burnout em Enfermeiros dos Serviços de Urgência e Emergência. Revista Nursing, v.29, n. 321, p. 10587–10594, 2025. Disponível em: https://www.revistanursing.com.br/index.php/revistanursing/article/view/3323. Acesso em: 08 set. 2025. FERREIRA, F. C. R. et al. Estresse ocupacional e Síndrome de Burnout em enfermeiros de unidades de emergência. Revista Eletrônica Acervo Saúde, v. 25, p. e18898, 2025. Disponível em: https://doi.org/10.25248/reas.e18898.2025. Acesso em: 08 set. 2025. MACHADO, H. M. B. et al. Prevalência de estresse ocupacional em enfermeiros que atuam na urgência e emergência da cidade de boa vista. Rev. Enferm Atual, v.97, n. 3, p. e023144, 2023. Disponível em: https://doi.org/10.31011/reaid-2023-v.97-n.3-art.1881. Acesso em: 08 set. 2025. ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Relatório mundial sobre saúde mental: transformando a saúde mental para todos. OMS, 2022. Disponível em: https://iris.who.int/handle/10665/356119. Acesso em: 08 set. 2025. SANTOS, A. F. et al. Prazer e sofrimento no trabalho de Enfermagem em urgência e emergência. REME Rev. Min Enferm. v. 26, 2022. Disponível em: https://periodicos.ufmg.br/index.php/reme/article/view/38486 Acesso em: 08 set. 2025. SILVA, P. N. et al. Autopercepção do estresse ocupacional na equipe de enfermagem de um serviço de emergência. Journal Health NPEPS, v.4, n. 2, p. 357-369, 2019. Disponível em: https://docs.bvsalud.org/biblioref/2020/01/1047668/3696-14880-1-pb-1.pdf Acesso em: 08 set. 2025. |
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