POTENCIAL ANTIBACTERIANO DA CASCA DE Punica granatum L. COMO SUBPRODUTO VEGETAL BIOATIVO  
1ALANA BERTI ROSA, 2SUELEN PEREIRA RUIZ HERRIG
1Acadêmico do PIC/UNIPAR
2Docente da UNIPAR
Introdução: A romã (Punica granatum L.), originária do Oriente Médio e pertencente à família Punicaceae, é amplamente utilizada na medicina popular devido às suas propriedades antioxidantes, anti-inflamatórias e antimicrobianas (Sousa, 2007). Sua polpa e casca concentram compostos fenólicos, como antocianinas, quercetina, ácidos fenólicos e taninos, especialmente a punicalagina, além de flavonoides, alcaloides, ácido ascórbico e ácido ursólico, todos com reconhecido potencial bioativo. O aproveitamento da casca da romã como subproduto vegetal constitui uma alternativa sustentável, reduzindo o impacto ambiental do descarte agroindustrial e possibilitando a obtenção de compostos de interesse, em especial pelo seu potencial antimicrobiano (Sun, 2021). Contudo, por serem compostos sensíveis a fatores oxidativos, torna-se necessária a aplicação de tecnologias de preservação, como o uso de agentes carreadores e a liofilização, para garantir a estabilidade e funcionalidade dos extratos (Lima, 2019). Dessa forma, investigar o potencial antibacteriano da casca da romã é relevante tanto para o aproveitamento sustentável de resíduos vegetais quanto para a prospecção de novas fontes naturais de compostos bioativos.
Objetivo: Investigar o aproveitamento da casca da romã como subproduto vegetal para a obtenção de compostos bioativos.
Desenvolvimento: No estudo realizado por Silva et al. (2018), foram utilizados ratos como modelo experimental para avaliar a atividade cicatrizante do extrato etanólico da casca de romã. As lesões foram induzidas cirurgicamente na região da língua dos animais, o que representa um modelo relevante por se tratar de um tecido de rápida regeneração e constantemente exposto a microrganismos da cavidade oral. Após a indução da lesão, os animais foram divididos em grupos que receberam tratamento com gel contendo 2,5 % e 5 % do extrato da casca da romã, além de grupos controle (sem tratamento ou tratados apenas com veículo). O acompanhamento da evolução cicatricial foi feito por meio de observação clínica, mensuração da área lesionada e análises histológicas, a fim de avaliar a velocidade e a qualidade da cicatrização. Os resultados mostraram que o gel a 5 % promoveu cicatrização completa em 10 dias, enquanto a formulação a 2,5 % também favoreceu a recuperação, embora de forma mais lenta. O tratamento foi associado à presença de compostos bioativos como polifenóis e taninos, que apresentam reconhecida atividade antimicrobiana e anti-inflamatória, fatores que provavelmente contribuíram para a regeneração mais rápida dos tecidos da língua. A romã é um fruto que possui importantes propriedades funcionais, com destaque para o seu potencial antioxidante consideravelmente elevado. O fruto demonstrou possuir também propriedades antimicrobianas, anti-hepatotóxicas e antivirais. Estes benefícios estão atribuídos à alta capacidade antioxidante que está correlacionada com a concentração e composição química de antocianinas e taninos hidrolisáveis (Kandylis; Kokkinomagoulos, 2020). A atividade antibacteriana dos extratos da casca da romã foi avaliada pelo método de difusão em ágar por poço contra quatro cepas bacterianas de importância clínica: Staphylococcus aureus (halos de inibição de 20,3 a 24,5 mm), Enterobacter aerogenes (17,3 a 21,9 mm), Salmonella typhi (15,1 a 28,0 mm) e Klebsiella pneumoniae (11,3 a 14,3 mm). Os resultados demonstraram que todos os extratos apresentaram inibição significativa do crescimento microbiano. Além disso, os extratos obtidos com etanol 70%:30% água e com 100% água destacaram-se por exibirem maior teor de compostos fenólicos e atividade antioxidante elevada, o que reforça seu potencial para aplicações (Malviya et al., 2014).
Conclusão: A casca da romã é um subproduto vegetal com alto potencial bioativo, rico em compostos como fenólicos, taninos e flavonoides, que apresentam atividades antioxidante, cicatrizante e antimicrobiana comprovadas. Estudos indicam que seus extratos aceleram a cicatrização e inibem microrganismos patogênicos relevantes. Além do valor clínico, farmacêutico e nutracêutico, seu uso reduz impactos ambientais causados pelo descarte de resíduos agroindustriais. Essa aplicação favorece práticas sustentáveis alinhadas à economia circular. Assim, a prospecção da casca da romã configura-se como estratégia promissora para a saúde, a ciência e a inovação tecnológica.
Referências:
KANDYLIS, P; KOKKINOMAGOU­LOUS, E. Food Applications and Potential Health Benefits of Pomegranate and its Derivatives. Foods Basel, v. 9, n. 2, p. 122, 23 jan. 2020. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC7074153/. Acesso em: 2 set. 2025.
LIMA, A. S. Microencapsulação de extratos vegetais: técnicas de secagem e aplicação em alimentos. Revista do Instituto de Laticínios Cândido Tostes, v. 74, n. 3, p. 212-223, 2019.
MALVIYA, S.; ARVIND; JHA, A.; HETTIARACHCHY, N. Antioxidant and antibacterial potential of pomegranate peel extracts. Journal of Food Science and Technology, v. 51, n. 12, p. 4132–4137, 2014. https://doi.org/10.1007/s13197-013-0956-4.
SILVA, F. A.; MORAES, T. A. A.; SOARES, F. L. R. et al. Atividade cicatrizante de gel contendo extrato etanólico da casca de romã (Punica granatum L.) em ratos. Revista Brasileira de Plantas Medicinais, v. 20, n. 2, p. 215-222, 2018.
SOUSA, C. M. M. et al. Fenóis totais e atividade antioxidante de cinco plantas medicinais. Química Nova, São Paulo, v. 30, n. 2, p. 351–355, 2007.
SUN, S., et al. Extraction, isolation, characterization and antimicrobial activity of non‑extractable polyphenols (NEPPs) in pomegranate peel. Food Chemistry, v. 351, 2021. DOI: 10.1016/j.foodchem.2021.129232.