AZUL DE METILENO NO MANEJO DO CHOQUE SÉPTICO  
1PEDRO VICTOR GRAEBIN, 2GABRYELE BORRI PEREIRA, 3THAIS EDUARDA MARQUES PEREIRA, 4LAURA BORGES URBANO, 5JACKSON ERASMO FUCK
1Acadêmico do Curso de Medicina da UNIPAR, PIBIC/UNIPAR
2Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR
3Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR
4Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR
5Docente da UNIPAR
Introdução: Segundo Gorordo-Delsol, L.A. et al., 2020 a sepse é definida como falência orgânica potencialmente fatal causada por uma resposta desproporcional do corpo a uma infecção. Enquanto isso, o choque séptico é um choque caracterizado pela vasodilatação arteriolar excessiva que diminui a resistência vascular sistêmica com hipotensão e inadequada perfusão, caracterizado como choque distributivo (KISLITSINA et al., 2019). O choque representa uma das principais causas de morte em UTI, variando a mortalidade entre 30-50% (VIEIRA. et al., 2024). E por isso, entender o tratamento para lidar com essa patologia é de suma importância, de acordo com as diretrizes da Campanha Sobrevivendo à Sepse de 2021, norepinefrina, epinefrina ou dopamina e vasopressina são recomendadas como terapias de primeira, segunda e terceira linha para tratar choque séptico, respectivamente. Contudo, a utilização desses medicamentos gera efeitos adversos consideráveis durante o tratamento. Sendo assim, a terapia com Azul de Metileno apresentou melhores desfechos em adultos graves e poucos efeitos adversos observados (NG et al., 2025).
Objetivo: O trabalho apresenta como objetivo fazer um levantamento de literatura acerca do uso de azul de metileno no manejo do choque séptico, com avaliação do mecanismo de ação, impacto no tratamento, efeitos adversos e limitação.
Discussão: É importante primeiro conceituar que o choque séptico resistente à vasopressores possui 3 mecanismos diferentes de fisiopatologia: deficiência de vasopressina, ativação de canais de potássio sensíveis à trifosfato de adenosina (ATP) e aumento da síntese de óxido nítrico (NO) em células musculares lisas (NG et al., 2025). Pode-se observar que o principal mecanismo de ação do azul de metileno é reduzir a forma oxidada da hemoglobina Fe3+ quando em um estado de metemoglobinemia para Fe2+. No entanto, para que o uso desse fármaco seja útil no tratamento do choque séptico, ele precisaria atuar sobre algum dos três mecanismos citados acima, por isso, também pode ser observado que o azul de metileno inibe as enzimas óxido nítrico-sintetase endotelial (eNOS), óxido nítrico sintase induzível (iNOS) e guanilato ciclase, diminuindo a quantidade de monofosfato de guanosina cíclico (cGMP) necessária para a liberação de óxido nitroso, causando, portanto, vasoconstrição dos vasos sanguíneos por meio da inibição do relaxamento do músculo liso vascular (BISTAS e SANGHAVI, 2023). Em meta-análise realizada por Ballarin et al (2024), foi considerado o uso de azul de metileno como uma estratégia promissora como poupador de vasopressores em pacientes com sepse e choque séptico, isso foi corroborado com resultados positivos na redução do tempo até a descontinuação de vasopressores, menos dias de ventilação mecânica e menor tempo de permanência em UTI, sem efeitos adversos relevantes. Da mesma forma, neste ensaio clínico randomizado, a administração adjuvante precoce de azul de metileno, dentro de 24 horas após o diagnóstico de choque séptico, reduziu o tempo até a descontinuação de vasopressores, sem efeitos adversos graves. Esses achados sugerem que o azul de metileno pode ser considerado não apenas como terapia de resgate, mas também como adjuvante em fases iniciais da doença, dado seu perfil de segurança, baixo custo e disponibilidade. Além de que o esquema de doses repetidas, em vez de apenas uma infusão única, pode ser mais eficaz para manter a inibição da via do óxido nítrico, justificando os achados positivos (IBARRA-ESTRADA et al., 2023). De acordo com NG et al (2025), o azul de metileno é um medicamento seguro quando usado em doses terapêuticas de < 2 mg.kg -1. Segundo Bistas e Sanghavi (2023), um dos efeitos adversos mais comuns do azul de metileno é a descoloração verde-azulada da urina, além de dor nos membros após administração intravenosa. Em adultos, o azul de metileno pode causar sintomas relacionados ao sistema nervoso central, como tontura, confusão e dores de cabeça. Por fim, o uso de azul de metileno é contraindicado em pacientes que demonstraram hipersensibilidade ou anafilaxia anterior.
Conclusão: O azul de metileno apresenta-se como uma terapia promissora no manejo do choque séptico, especialmente como adjuvante em fases iniciais da doença, devido à sua capacidade de modular a via do óxido nítrico, promover vasoconstrição e reduzir a necessidade de vasopressores. Estudos demonstram que seu uso aumenta a pressão arterial média, reduz o tempo de ventilação mecânica e a permanência em UTI, com efeitos adversos geralmente leves e transitórios, como descoloração da urina. Apesar dos resultados positivos, a segurança e eficácia do azul de metileno devem ser avaliadas em ensaios clínicos maiores e com protocolos padronizados, incluindo definição ideal de dose, tempo de administração e monitoramento de efeitos adversos, antes de sua implementação rotineira na prática clínica.
Referências:
Ballarin RS, Lazzarin T, Zornoff L, et al. Methylene blue in sepsis and septic shock: a systematic review and meta-analysis. Frontiers in Medicine (Lausanne). 2024;11:1366062.
Bistas E, Sanghavi DK. Methylene Blue. In: StatPearls. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2025 Jan–. Atualizado em 26 jun. 2023. StatPearls Publishing.
Gorordo-Delsol LA, Merinos-Sánchez G, Estrada-Escobar RA, et al. Sepsis and septic shock in emergency departments of Mexico: a multicenter point prevalence study. Gaceta Médica de México. 2020;156(6):486-492.
Ibarra-Estrada M, Kattan E, Aguilera-González P, et al. Early adjunctive methylene blue in patients with septic shock: a randomized controlled trial. Critical Care. 2023;27(1):110..
Kislitsina ON, Rich JD, Wilcox JE, et al. Shock – Classification and Pathophysiological Principles of Therapeutics. Current Cardiology Reviews. 2019;15(2):102–113. 
NG, K. T. et al.. The use of methylene blue in adult patients with septic shock: a systematic review and meta-analysis. Brazilian Journal of Anesthesiology, v. 75, n. 1, p. 844580, 2025.