COMPARATIVO DO TEMPO DE RETORNO E TAXA DE REPETIÇÃO DA LESÃO EM ATLETAS SUBMETIDOS A RECONSTRUÇÃO DO LIGAMENTO CRUZADO ANTERIOR
1JOÃO GABRIEL OLIVOTO SALGUEIRO, 2MARIANA SILVA GOMES, 3THAISSA LEAL OLIVEIRA, 4MAXSUEL FIDELIS DE PADUA ALMEIDA
1Acadêmico do curso de Medicina da UNIPAR
2Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR
3Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR
4Docente da UNIPAR
Introdução: As rupturas do ligamento cruzado anterior (LCA) com ou sem comprometimento de menisco e ligamento colateral medial (LCM) são lesões musculoesqueléticas comuns sofridas por atletas que praticam esportes que exigem aterrissagem, mudanças de direção e giros, sendo que o LCA é uma estrutura frequentemente lesionada e mais reconstruída no joelho de atletas. O procedimento padrão adotado para restabelecer a estabilidade mecânica da articulação do joelho e promover o retorno do atleta à prática esportiva o mais rápido possível é a reconstrução cirúrgica do LCA (PEREIRA., 2017). Após a reconstrução do LCA, o tempo é um fator crucial no retorno ao esporte, que reduz o risco de novas lesões, dessa maneira cada mês de adiamento no retorno ao esporte até nove meses após a cirurgia pode reduzir o risco de nova lesão em 51% (PEREIRA; VILELA, 2024). 
Objetivo: Compreender e sintetizar na literatura o tempo de retorno e taxa de repetição da lesão em atletas submetidos a reconstrução do ligamento cruzado anterior.
Desenvolvimento: Após a lesão, a tomada de decisão sobre a realização de uma cirurgia de reconstrução ligamentar ou por tratamento conservador é influenciada por diversos fatores, como extensão da lesão, nível de instabilidade, prática de atividade física e demanda funcional do paciente. Muitos indivíduos que sofrem esta lesão, no entanto, optam pela reconstrução do LCA ao invés da reabilitação conservadora, com o propósito final de retornar à prática esportiva (RABELO et al., 2023). O retorno ao esporte é constituído por três elementos: o retorno à participação, que consiste no atleta estar fisicamente ativo podendo ainda estar fazendo reabilitação ou algum esporte em nível inferior ao seu objetivo, nessa fase ele não está fisicamente e/ou psicologicamente preparado; o retorno ao esporte, o qual o atleta retornou ao seu esporte definido, porém, não está apresentando o desempenho desejado; e o retorno ao desempenho, nesta fase o atleta está jogando o seu esporte definido com desempenho igual, ou melhor ao anterior à lesão (ROCHA; CARVALHO, 2021). Na atualidade, não há parâmetros funcionais amplamente reconhecidos que definem o momento em que o atleta está liberado para retomar a atividade esportiva. Estima-se que após a cirurgia, cerca de 81% dos pacientes retomam algum tipo de prática esportiva, 65% alcançam o nível de desempenho esportivo que tinham antes da lesão e apenas 55% conseguem retornar ao esporte em nível competitivo. Diversos fatores influenciam o sucesso no retorno ao esporte após a reconstrução do LCA. Nos últimos anos, os aspectos psicológicos têm recebido atenção, pois podem favorecer ou dificultar o retorno ao nível esportivo pré-lesão. Além disso, fatores sociais e contextuais são críticos para a recuperação, já que experiências emocionais negativas pós-lesão podem comprometer o processo (RABELO et al., 2023). A taxa de re-lesão na população em geral, 5 anos após a reconstrução é de 6% e em atletas jovens é de cerca de 29,5% (PEREIRA., 2017). A reconstrução do ligamento cruzado anterior (LCA) é comumente realizada em atletas com o objetivo de retornar às atividades esportivas. Contudo, essa operação pode falhar, e as taxas de recidiva de um joelho reconstruído com LCA ou de ruptura do LCA no joelho contralateral podem variar entre 3% a 49% (PEREIRA; VILELA, 2024). Durante os primeiros nove meses após a cirurgia, um retorno tardio ao esporte foi significativamente associado a uma menor taxa de reincidência de lesões. Para cada mês de atraso no retorno ao esporte, a taxa de reincidência de lesões foi reduzida em 51%. Em pacientes que retornaram entre 9 e 23 meses após a cirurgia, o tempo de retorno não foi significativamente associado à reincidência de lesões no joelho. Pacientes que participaram de esportes de nível I antes de nove meses após a cirurgia sofreram 39,5% de reincidência de lesões, em comparação com 19,4% de reincidência de lesões no joelho naqueles que retornaram aos esportes de nível I depois de nove meses após a cirurgia (GRINDEM et al., 2016). 
Conclusão: Com base no que foi apresentado, entende-se que a reconstrução do LCA é uma cirurgia frequente em atletas, com o objetivo de permitir o retorno à atividade esportiva. No entanto, o sucesso desse retorno e a prevenção de novas lesões dependem de diversos fatores, como o tempo de recuperação, fatores psicológicos e sociais. A evidência indica que retornar ao esporte antes dos nove meses pós-cirurgia aumenta consideravelmente o risco de novas lesões, destacando a necessidade de critérios claros para a liberação do atleta.
Referências:
GRINDEM, Hege et al. Simple decision rules can reduce reinjury risk by 84% after ACL reconstruction: the Delaware-Oslo ACL cohort study. British Journal of Sports Medicine, v. 50, n. 13, p. 804-808, 9 maio 2016.
PEREIRA, Guilherme Ferreira; VILELA, Guilherme Vitale. Critérios para retorno ao esporte após lesão do ligamento cruzado anterior: uma revisão de literatura. 2024. Monografia (Graduando em fisioterapia) - Centro Universitário São Camilo, São Paulo, 2024.
PEREIRA, Marina Martins. Critérios de retorno ao esporte após cirurgia de reconstrução do ligamento cruzado anterior: revisão narrativa. 2017. Monografia (Especialização em Fisioterapia) –  Escola de Educação Física, Fisioterapia e Terapia Ocupacional, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2016.
RABELO, Laís Menezes et al. Retorno ao esporte após reconstrução do ligamento cruzado anterior: uma análise qualitativa. Fisioterapia em Movimento, v. 36, 2023. 
ROCHA, Mariane Silva Teixeira da; CARVALHO, Caroline Fortes de. Estudo comparativo pós-lesão de LCA em atletas amadores de futebol: tratamento cirúrgico x conservador (2021). Fisioterapia – Ubá: Universidade Presidente Antônio Carlos (UNIPAC), 30 dez. 2021. Trabalho de conclusão de curso (Graduação). Orientadores: Thiago dos Anjos Ferreira; Geovane Elias Guidini Lima.