EXTRAÇÃO SIMULTÂNEA DE ÓLEO DE CANOLA E FARELO DE ARROZ: RENDIMENTO E COMPOSIÇÃO TOTAL EM ÁCIDOS GRAXOS  
1BRUNO HENRIQUE FIGUEIREDO SAQUETI, 2OSCAR OLIVEIRA SANTOS, 3CAMILA DA SILVA
1Departamento de Engenharia Química, Centro de Tecnologia, Universidade Estadual de Maringá, Maringá, PR, Brasil
2Departamento de Química, Centro de Ciências Exatas, Universidade Estadual de Maringá, Maringá, PR, Brasil
3Departamento de Tecnologia, Centro de Tecnologia, Universidade Estadual de Maringá, Umuarama, PR, Brasil
Introdução: A canola (Brassica spp.) é uma das principais fontes de óleo vegetal no mundo, destacando-se pelo alto valor nutricional e por possuir alto teor de ácidos graxos insaturados, baixo teor de ácidos graxos saturados e proporção equilibrada entre os ácidos graxos da família ômega-3 e ômega-6 (Marçola et al., 2024). Além das oleaginosas, o farelo de arroz, subproduto do beneficiamento do grão, destaca-se pelo teor de lipidios, contendo ácidos graxos insaturados e compostos ativos (Güҫlü, 2025). A valorização de subprodutos agroindustriais, como o farelo de arroz, desempenha um papel estratégico na promoção da sustentabilidade, uma vez que contribui para a redução do desperdício e para o aproveitamento integral da matéria-prima. Para a obtenção de óleos presentes em matrizes vegetais, técnicas clássicas de extração por solventes orgânicos, como o método Soxhlet, são amplamente utilizadas (Gagour et al., 2022).
Objetivo: Investigar a extração simultânea de óleo de sementes de canola e farelo de arroz pelo método Soxhlet, avaliando o rendimento e a composição em ácidos graxos por cromatografia em fase gasosa.
Material e Métodos: As sementes de canola foram adquiridas da Horizonte Pet Store (Corumbataí, São Paulo, Brasil), e o farelo de arroz foi doado pela empresa Niporice - Comércio e Benefício de Arroz LTDA (Maringá, Paraná, Brasil), após foram processados, classificados quanto à granulometria e preparados para a extração. O óleo foi extraído em Soxhlet, com éter de petróleo, por 8 h a temperatura constante. Realizaram-se extrações individuais e de uma mistura 50:50 (p/p) de canola e farelo de arroz (SC:FA). O rendimento em base seca (%) foi determinado pela relação entre a massa de óleo extraído e a massa da amostra utilizada no extrator. Os ácidos graxos foram convertidos em ésteres metílicos através de esterificação e quantificados por cromatografia em fase gasosa com detector de ionização em chama com padrão interno, conforme descrito por Visentainer (2012), sendo os resultados expressos como somatório de ácidos graxos saturados (AGS), monoinsaturados (AGMI) e poliinsaturados (AGPI) (mg g⁻¹ de lipídio).
Resultados: O rendimento da extração foi de 36,92 ± 2,57% (SC), 10,88 ± 1,85% (FA) e 16,49 ± 1,67% (SC:FA). A composição lipídica apresentou diferenças entre as amostras: Para SC, os teores foram AGS: 59,23 ± 1,83, AGMI: 473,11 ± 18,87 e AGPI: 196,32 ± 7,12. Para FA, os valores foram AGS: 157,83 ± 2,10, AGMI: 252,61 ± 8,97 e AGPI: 230,57 ± 8,89. Para a mistura SC:FA, os teores foram AGS: 68,74 ± 1,27, AGMI: 445,48 ± 9,10 e AGPI: 209,89 ± 3,84.
Discussão: O rendimento da extração foi maior para SC, possivelmente devido à maior disponibilidade de lipídios nas sementes em comparação ao FA, valor semelhante ao relatado por Gagour et al. (2022) que utilizaram hexano como solvente na extração em Soxhlet para determinar os lipídios totais, obtendo rendimento de 38,80 ± 0,50%. A mistura das matérias-primas em proporção 50:50 apresentou o segundo maior rendimento, seguida pelo farelo de arroz isolado que, neste estudo, apresentou uma menor concentração de lipídios quando comparado aos valores reportados na literatura (14-31%) (HUSSAIN et al., 2021). A análise da composição lipídica mostrou que SC apresentou predominância de AGMI, enquanto FA apresentou maior proporção de AGS e AGPI. A mistura SC:FA refletiu um perfil intermediário, mantendo a predominância de AGMI encontrado na SC, mas com aumento relativo de AGS e AGPI devido à contribuição do FA. Esses resultados indicam que a combinação pode modular o perfil lipídico, ajustando as proporções de ácidos graxos de acordo com a aplicação desejada. Óleos ricos em AGMI e AGPI são nutricionalmente importantes, promovendo efeitos anti-inflamatórios, proteção cardiovascular, melhora do metabolismo lipídico e função cerebral, principalmente relacionados com os ácidos graxos essenciais linoleico e alfa-linolênico e seus precursores ácido eicosapentaenoico e docosahexaenoico. (Coniglio; Shumskaya; Vassiliou, 2023).
Conclusão: A extração de óleo de SC apresentou maior rendimento, enquanto a mistura SC:FA proporcionou um perfil lipídico promissor, como majoritários os AGMI e AGPI. A incorporação do FA como subproduto agrega valor nutricional e gera óleos ricos em ácidos graxos benéficos à saúde, reforçando seu potencial para aplicações alimentícias e farmacêuticas e alinhado em práticas sustentáveis e de economia circular.
Referências:
CONIGLIO, S.; SHUMSKAYA, M.; VASSILIOU, E. Unsaturated Fatty Acids and Their Immunomodulatory Properties. Biology, v. 12, n. 2, p. 279, 9 fev. 2023.
GAGOUR, J. et al. Proximate Composition, Physicochemical, and Lipids Profiling and Elemental Profiling of Rapeseed (Brassica napus L.) and Sunflower (Helianthus annuus L.) Grown in Morocco. Evidence-Based Complementary and Alternative Medicine, v. 2022, p. 1–12, 9 set. 2022.
GÜҪLÜ, H. Characteristic of Essential Oils Extracted from the Industrial-Scale Processing By-Products of Agro-foods. Current Nutrition Reports, v. 14, n. 1, p. 34, 17 fev. 2025.
HUSSAIN, N. et al. Effects of different stabilization conditions and extraction methods (Soxhlet and ultrasonic-assisted) on quality of rice bran oil. Emirates Journal of Food and Agriculture, p. 220, 25 abr. 2021.
MAYUMI ANTONIAZZI MARÇOLA, S. et al. Desenvolvimento de Organogéis de Óleo de Canola Utilizando Monoestearato de Sorbitano: Qual é a Influência de Diferentes Concentrações? Revista Virtual de Química, v. 16, n. 4, p. 604–611, 2024.
VISENTAINER, J. V. Aspectos analíticos da resposta do detector de ionização em chama para ésteres de ácidos graxos em biodiesel e alimentos. Química Nova, v. 35, n. 2, p. 274–279, 2012.