TOXOPLASMOSE NA GESTANTE: DESAFIOS DO DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO NO SUS  
1ANA CLARA GONÇALVES DE OLIVEIRA, 2LETÍCIA CATELANI DA SILVA, 3LUCIANA VIEIRA PINTO RIBEIRO
1Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR
2Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR
3Docente da UNIPAR
Introdução: A toxoplasmose é uma zoonose causada pelo protozoário intracelular Toxoplasma gondii. Sua transmissão ocorre principalmente por meio da ingestão de cistos teciduais presentes em carne animal crua ou mal passada, bem como pela ingestão de alimentos ou água contaminada por fezes de gatos infectados, que apresentam os oocistos do parasita (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2023). A transmissão vertical, por sua vez, é uma via significativa de infecção, ocorrendo quando os taquizoítos atravessam a barreira placentária causando a toxoplasmose congênita (TC), condição potencialmente grave que pode resultar em diversas sequelas fetais (MITSUKA-BREGANÓ et al., 2010). A infecção primária durante a gestação é a principal responsável pela transmissão vertical, embora casos de reativação em gestantes imunocomprometidas também possam ocorrer (MITSUKA-BREGANÓ et al., 2010). A gravidade da TC está diretamente relacionada ao trimestre gestacional em que ocorre a infecção materna. (MITSUKA-BREGANÓ et al.,2010). Por outro lado, o risco de transmissão fetal aumenta progressivamente ao longo da gestação, podendo atingir até 71% no terceiro trimestre, devido a alterações na barreira placentária e no sistema imunológico da mãe. O aumento do fluxo sanguíneos placentário nesse período torna a placenta mais permeável ao parasita (MOREIRA; ALVES., 2022). A toxoplasmose congênita é considerada uma condição de grande relevância em Saúde Pública no Brasil, especialmente em virtude da elevada soroprevalência em mulheres em idade fertil e das limitações enfrentadas na atenção pré- natal (LOPES-MORI et al,. 2011). No contexto do Sistema Único de Saúde (SUS), ainda há ausência de exames confirmatórios em tempo oportuno, falhas na notificação, tratamento inadequado ou tardio e falta de capacitação dos profissionais da Atenção primário (SOUZA et al, 2009).
Objetivo: Este trabalho tem como objetivo analisar os desafios enfrentados no diagnóstico e tratamento da toxoplasmose durante a gestação no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), considerando as limitações estruturais, a capacitação dos profissionais de saúde e a efetividade das políticas públicas voltadas à prevenção da transmissão vertical e o manejo clínico da infecção.
Desenvolvimento:  O diagnóstico da toxoplasmose gestacional no Brasil envolve um agrupamento de desafios assistenciais, estruturais e educacionais ao qual acaba impactando no diagnóstico e tratamento no SUS. O pré-natal é o momento ideal para orientação de medidas preventivas das doenças de transmissão materno-fetal, com medidas que vão desde a orientação até a realização da sorologia, sendo referido pelas gestantes da amostra estudada conhecimento prévio sobre a doença e a importância da realização de sorologia (PUGLIESI et al., 2020). O rastreamento sorológico durante o pré-natal apresenta diversas falhas importantes, como o teste de avidez de IgG em diversas regiões do país (CORREA; MACHADO., 2024). A realização irregular do pré-natal ligado à falta de capacitação dos profissionais de saúde para interpretar o resultado sorológico, contribui para o atraso no início do tratamento (DE QUEIROZ ANDRADE et al., 2025). O tratamento farmacológico, quando instituído de forma precoce, é capaz de reduzir a transmissão vertical e minimizar as sequelas fetais (MOREIRA; ALVES, 2022). Ele é eficaz na redução da transmissão vertical e na gravidade das manifestações fetais, porém sua implementação é prejudicada por erros logísticos, como exemplo o fornecimento irregular de medicações específicas, como a espiramicina e da associação do esquema tríplice: pirimetamina, sulfadiazina e ácido folínico (MARGONATO et al., 2009). Gestantes de áreas periféricas e rurais frequentemente enfrentam barreiras geográficas e logísticas para alcançar centros de referência, o que reforça desigualdades regionais no manejo da toxoplasmose (DE QUEIROZ ANDRADE et al., 2025). Além disso, as diretrizes Nacionais de Saúde, conforme a Política Nacional da Atenção Básica, estabelece através de seus atributos essenciais, que a Atenção Primária à Saúde (APS), deve ser o elemento central na coordenação do cuidado, através de estratégias que garantam o vínculo e a oferta de ações para Rede de Atenção à Saúde (RAS) e que atendam as necessidades de cada gestante e de sua família (HIRSCH et al., 2023). Contudo, o tratamento da TC e gestacional deve ser orientado por um médico especialista, como um infectologista, obstetra ou pediatra, com experiência de manejo. Cada caso é único, e deve ser adaptado às necessidades específicas da mãe e do feto, levando em consideração, a gravidade da infecção, a idade gestacional e a presença de complicações (SERAFIM et al., 2023). Ressalta-se a importância do trabalho preventivo e de promoção à saúde, com investimentos em programas educacionais como estratégia em Saúde Pública para prevenção de toxoplasmose (PUGLIESI et al., 2020).
Conclusão: A toxoplasmose gestacional representa um importante desafio para a saúde pública brasileira, não apenas pela alta prevalência, mas principalmente pelas limitações do SUS, que é marcado por erros no fornecimento de medicamentos, dificuldades de diagnóstico precoce e por falta de capacitação profissional, dessa forma, causando um aumento nas taxas de transmissão vertical e para a ocorrência de casos de toxoplasmose congênita. A promoção de estratégias de educação em saúde e a capacitação multiprofissional na Atenção Primária à Saúde, constituem ferramentas indispensáveis para reduzir desigualdades regionais e garantir integralidade no cuidado.
Referências:
CORREA, Paula Fernanda; MACHADO, Roberto Augusto Fernandes. Toxoplasmose congênita: um estudo epidemiológico na região sul do Brasil, no período de 2019 a 2023. Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação, v. 10, n. 6, p. 4266-4277, 2024.
DE QUEIROZ ANDRADE, Amanda et al. O IMPACTO DO PRÉ-NATAL NO DIAGNÓSTICO PRECOCE DA TOXOPLASMOSE CONGÊNITA NO BRASIL. Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences, v. 7, n. 3, p. 2756-2775, 2025.
HIRSCH, Suzana Liotto et al. Atenção Primária à Saúde como coordenadora do cuidado no atendimento pré-natal de alto risco para toxoplasmose gestacional: relato de caso. Arquivos de Ciências da Saúde da UNIPAR, v. 27, n. 6, p. 2195-2206, 2023.
MARGONATO, Fabiana Burdini et al. Toxoplasmose na gestação: diagnóstico, tratamento e importância de protocolo clínico. Revista Brasileira de Saúde Materno Infantil, v. 7, p. 381-386, 2007.
MINISTÉRIO DA SAÚDE. Toxoplasmose. Brasília, DF: Ministério da Saúde, [s.d.]. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/t/toxoplasmose. Acesso em: 24 ago. 2025.
 MITSUKA-BREGANÓ, Regina; LOPES-MORI, Fabiana Maria Ruiz; NAVARRO, Italmar Teodorico. Toxoplasmose adquirida na gestação e congênita: vigilância em saúde, diagnóstico, tratamento e condutas. Eduel, 2010.
MOREIRA, L. M. O.; ALVES, C. Toxoplasmose congênita. Anápolis: Sociedade Brasileira de Triagem Neonatal e Erros Inatos do Metabolismo, 2022. 30 p. Disponível em: https://www.sbteim.org.br/taxoplasmose-congenita.aspx. Acesso em: 24 ago. 2025
PUGLIESI, Caio Henrique Hashimoto et al. Estudo epidemiológico de gestantes atendidas pelo sistema único de saúde com ênfase na toxoplasmose. Saúde Coletiva (Barueri), v. 10, n. 58, p. 3803-3816, 2020.
SERAFIM, E. R. C. N. et al. Práticas educativas sobre toxoplasmose gestacional e congênita na atenção primária à saúde. Revista Saúde Pública em Pauta: Conhecimentos e Inovações, v. 2, n. 1, 2023.
SOUZA, J. P. et al.  Perfil epidemiológico da toxoplasmose gestacional no Brasil de 2019 a 2023. Revista Eletrônica Acervo Científico, 2024.