CRESCIMENTO DE CASOS DE COQUELUCHE NO PARANÁ: MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS E EPIDEMIOLÓGICAS   
1VITÓRIA CAROLINNE SANTANA NADONE, 2GABRIELLE RODRIGUES AGOSTINHO ROSA, 3ANDERSON SEIJI VERÍ­SSIMO MATSUMOTO, 4LAINY LEINY DE LIMA
1Discente do curso de Medicina da UNIPAR
2Discente do curso de Medicina da UNIPAR
3Discente do curso de Medicina da UNIPAR
4Docente do curso de Medicina da UNIPAR
Introdução: A coqueluche, ou tosse comprida, é uma infecção respiratória aguda causada pela Bordetella pertussis, bactéria que adere ao epitélio do trato respiratório e libera toxinas inflamatórias. Sua infecção mostra-se presente em todo o mundo, conhecida principalmente por suas crises de tosse seca, que acometem o trato respiratório inferior dos pacientes (MOTTA; CUNHA, 2012). A vacinação é a principal medida de prevenção, recomendada pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI) para crianças, gestantes, profissionais de saúde e estagiários em unidades neonatais. Apesar da eficácia da vacinação, a doença permanece relevante em saúde pública, com surtos recorrentes em regiões de baixa cobertura vacinal (BRASIL, 2025).
Objetivo: Avaliar a incidência da Coqueluche no estado do Paraná, a partir de uma análise epidemiológica, por meio de uma revisão bibliográfica nas bases Scielo, Google Acadêmico, Ministério da Saúde com as palavras-chaves: "Coqueluche", "Paraná", "Incidência", "Epidemiologia" em português e inglês, combinados de diversas formas, no período de 2020 a 2024.
Desenvolvimento: A transmissão da doença ocorre principalmente pelo contato direto com secreções respiratórias de indivíduos infectados, com período de incubação variável entre 5 e 10 dias, podendo estender-se até 42 dias e clinicamente evolui em três fases: catarral (inicia como resfriado comum e evolui para quadros de tosses intensas), paroxística (tosse intensa e crises rápidas com evolução para dispnéia) e convalescença (infecções de diferente natureza, permitindo o retorno da tosse temporariamente) (MOTTA; CUNHA, 2012).  Em lactentes - sobretudo menores de seis meses - e indivíduos imunocomprometidos ou portadores de doenças crônicas apresentam maior risco de complicações graves, como pneumonia, otite média, convulsões, encefalopatia hipóxica e óbito (BRASIL,  2025). No período de 2020 a 2024, foram confirmados 2.879 casos de coqueluche no estado do Paraná. A distribuição anual revela baixa incidência entre 2020 a 2023, com 2,52% dos casos em 2020, 0,87% em 2021, 0,48% em 2022 e 1,55% em 2023, sendo possível que as ações de distanciamento social e higiene, instauradas durante a pandemia de COVID-19 (CAMPOS et al., 2025), além da subnotificação de casos de coqueluche, tenham contribuído para essa redução, e os casos confirmados restantes (2.822) em 2024. Esse aumento observado ocorre devido a maior densidade demográfica e competência na confirmação de novos casos no Paraná (FRIGOTTO et al., 2025). Quanto à distribuição por faixa etária, crianças de 1 a 9 anos representaram 16,3% dos casos; indivíduos de 20 a 39 anos corresponderam a 18,5%; e aqueles entre 40 e 59 anos, 16,2% (BRASIL, 2025). Os lactentes menores de 1 ano concentraram 15,8% dos casos, sendo que 75% ocorreram entre 0 e 6 meses e 25% entre 7 e 11 meses. Embora mais comum em crianças e lactantes, muitos adultos contraem a coqueluche, especialmente aqueles que não foram vacinados. O aumento da incidência de infecção entre adultos pode estar associado aos seguintes fatores: diminuição da proteção vacinal ao longo do tempo, adaptação genética da Bordetella pertussis, aumento da circulação da bactéria em períodos de surtos e a confusão dos sintomas com outras doenças respiratórias (SANSONE et al., 2024). A obtenção desses dados revelam uma alta vulnerabilidade em lactentes, atribuída à incompletude do calendário vacinal e à fragilidade imunológica, fatores que estão associados a maiores taxas de hospitalização por coqueluche durante a infância (MEDEIROS et al., 2017).
Conclusão: A análise dos dados evidenciam o aumento da incidência da coqueluche no Paraná no ano de 2024, após anos de baixa incidência. Tais achados reforçam a necessidade de intensificação da cobertura vacinal, em especial entre crianças e lactantes, bem como do fortalecimento da vigilância epidemiológica. Essas medidas são fundamentais para reduzir a morbimortalidade associada à doença.
Referências:
BRASIL. Ministério da Saúde. Coqueluche. [Brasília]. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/c/coqueluche. Acesso em: 28 ago. 2025.
CAMPOS, V. G. de; GIACOMETTI, L. de; CENI, F. M. Perfil epidemiológico dos casos confirmados de coqueluche no Paraná. Revista Contemporânea, v. 5, n. 4, p. e7984, 2025. 
FRIGOTTO, D. de L.; ARSEGO, B.; OLIVEIRA, I. S. de; FAGUNDES, L. O. B. Perfil epidemiológico da coqueluche no Paraná em 2024. Revista Contemporânea, v. 5, n. 4, p. e7851, 2025.
MEDEIROS, A. T. N. de; CAVALCANTE, C. A. A.; SOUZA, N.  L. de; FERREIRA, M. A.  F. Reemergência da coqueluche: perfil epidemiológico dos casos confirmados. Revista Brasileira de Epidemiologia, v.20, n.3, 2017. 
MOTTA, F.; CUNHA, J. Coqueluche: revisão atual de uma antiga doença. Bol Cient Pediatr, v. 1, n. 2, p. 42-6, 2012.
SANSONE, N. M.S.; BOSCHIERO, M. N.; MARSON,  F. A. L. O ressurgimento de 2024 Bordetella pertussis (tamprédio) no Brasil e uma visão epidemiológica de uma década. Saúde pública em frente. v. 13:1549735, 2025.