AVALIAÇÃO COMPORTAMENTAL DE H. lupulus var. columbus EM Danio Rerio: AUSÊNCIA DE EFEITO ANSIOLÍTICO NO TESTE DE PREFERÊNCIA CLARO/ESCURO   
1JOYCE SCHMIDT FERREIRA, 2JHULLIE MUNIZ RODRIGUES, 3DAYSE PEREIRA GREGÓRIO DA SILVA, 4MIRIAN CRISTIAN RUFINO, 5RAFAELLE HIROMI FARINHA KUMAGAI, 6EVELLYN CLAUDIA WIETZIKOSKI LOVATO
1Acadêmica do PIC/UNIPAR
2Acadêmica do PIC/UNIPAR
3 Acadêmica do PIC/UNIPAR
4Acadêmica do Curso de Mestrado Profissional Em Plantas Medicinais e Fitoterápicos Na Atenção Básica da UNIPAR
5Acadêmica do PIC/UNIPAR
6Professora doutora e orientadora da UNIPAR
Introdução: Os transtornos de ansiedade configuram importante problema de saúde pública no Brasil, que figura entre os países com maior carga da doença, com impacto crescente e ampla exposição a psicofármacos (CAPUANO; DA SILVA, 2025; CORREA et al., 2022). A terapêutica farmacológica, embora eficaz, é limitada por eventos adversos e risco de dependência, justificando o interesse por fitoterápicos (CORREA et al., 2022). O lúpulo (Humulus lupulus L.) possui uso tradicional sedativo e estudos sugerem mediação GABAérgica por prenilflavonoides e ácidos amargos (AWAD et al., 2007; ZANOLI, 2005; LIN et al., 2019). Evidências clínicas e pré-clínicas indicam efeitos sedativos/indutores do sono e interação com receptores GABA-A​ (SCHILLER et al., 2006; FRANCO et al., 2012a; FRANCO et al., 2012b; LEE et al., 2025). Contudo, diferenças entre variedades, métodos de extração e padronização química podem explicar resultados divergentes sobre ansiólise (LIN et al., 2019; GONZÁLEZ-SALITRE; GONZÁLEZ-OLIVARES; ANTOBELLI BASILIO-CORTES, 2022).
Objetivo: Avaliar, em zebrafish (Danio rerio), o potencial ansiolítico do extrato bruto de H. lupulus var. columbus no teste de preferência claro/escuro, usando clonazepam como controle positivo. 
Material e Métodos: Adultos zebrafish (n=7-8/grupo) foram distribuídos em: controle (veículo), clonazepam 0,75 mg/L e extrato de H. lupulus var. columbus 15, 25 e 50 mg/L. Após exposição aguda por 10 minutos, realizou-se o teste de preferência claro/escuro, adotando como desfecho primário o tempo no compartimento claro (↑tempo = ↓ansiedade) por 5 minutos. Os dados foram analisados por ANOVA de uma via seguida de Newman–Keuls, α=0,05. Previamente ao início dos experimentos o trabalho foi submetido e aprovado pelo Comitê de Ética de pesquisa envolvendo animais da UNIPAR sob protocolo 3728/2025.
Resultados: No teste de preferência claro/escuro, houve diferença entre os grupos (ANOVA: F(4,32)=3,70; p=0,013). O pós-teste de Newman-Keuls apontou que apenas o grupo clonazepam aumentou significativamente o tempo no claro versus controle (p<0,05), confirmando a sensibilidade do modelo. As três doses do extrato de H. lupulus var. columbus (15, 25 e 50 mg/L) não diferiram do controle e não superaram o clonazepam, caracterizando ausência de ansiólise detectável nas condições testadas.
Discussão: A não detecção de efeito ansiolítico contrasta com relatos de sedação/sono associados ao lúpulo (FRANCO et al., 2012a; FRANCO et al., 2012b) e com evidências de interação GABAérgica (AWAD et al., 2007; LEE et al., 2025). Essa discrepância pode decorrer de especificidade varietal e composição química (proporções de xanthohumol/humulonas/polifenóis) e de processos de extração, que modulam o perfil bioativo (LIN et al., 2019; GONZÁLEZ-SALITRE; GONZÁLEZ-OLIVARES; ANTOBELLI BASILIO-CORTES, 2022). Em modelos comportamentais, compostos GABAérgicos clássicos exibem resposta robusta aguda, enquanto fitocomplexos, por mecanismos multifatoriais, podem demandar exposição repetida e padronização de marcadores para revelar ansiólise (SCHILLER et al., 2006; ZANOLI, 2005; LIN et al., 2019). Limitações incluem ausência de padronização fitoquímica do extrato, amostra pequena (n=8), avaliação aguda única e uso de um único teste; métricas locomotoras adicionais ajudariam a excluir sedação inespecífica (FRANCO et al., 2012a; FRANCO et al., 2012b).
Conclusão: Nas condições avaliadas, o extrato bruto de H. lupulus var. Columbus não demonstrou atividade ansiolítica no zebrafish claro/escuro, ao passo que o clonazepam teve efeito positivo, sustentando a validade do modelo (AWAD et al., 2007; SCHILLER et al., 2006). Estudos futuros devem padronizar quimicamente os extratos (p. ex., quantificação de xanthohumol/humulonas), comparar variedades e investigar regimes subagudos/crônicos em bateria multimodal de testes, a fim de elucidar o real potencial ansiolítico de diferentes variedades (LIN et al., 2019; LEE et al., 2025; GONZÁLEZ-SALITRE; GONZÁLEZ-OLIVARES; ANTOBELLI BASILIO-CORTES, 2022).
Referências:
AWAD, R. et al. Effects of traditionally used anxiolytic botanicals on enzymes of the gamma-aminobutyric acid (GABA) system. Phytomedicine, v. 14, n. 7–8, p. 512–519, 2007. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/18066140/. Acesso em: 18 jul. 2025.
CAPUANO, A.; DA SILVA, J. B. Brasil ocupa alarmante papel de destaque na atual epidemia global de ansiedade. VEJA, n. 2928, 2025.
CORREA, R. M. dos S. et al. Mental health and pharmaceutical services: use of medicinal plants and phytotherapeutic drugs in anxiety disorders. Research, Society and Development, v. 11, n. 6, p. e52911628930, 2022. DOI: 10.33448/rsd-v11i6.28930. Disponível em: https://rsdjournal.org/index.php/rsd/article/view/28930. Acesso em: 25 jul. 2025.
FRANCO, L. et al. The sedative effect of non-alcoholic beer in healthy female nurses. PLOS ONE, v. 7, n. 7, 2012a. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/22815680/. Acesso em: 18 jul. 2025.
FRANCO, L. et al. The sedative effects of hops (Humulus lupulus), a component of beer, on the activity/rest rhythm. PLOS ONE, v. 7, n. 7, 2012b. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/22849837/. Acesso em: 18 jul. 2025.
GONZÁLEZ-SALITRE, L.; GONZÁLEZ-OLIVARES, L. G.; ANTOBELLI BASILIO-CORTES, U. Humulus lupulus L. a potential precursor to human health: High hops craft beer. Food Chemistry, p. 134959, nov. 2022. Disponível em: https://doi.org/10.1016/j.foodchem.2022.134959. Acesso em: 25 jul. 2025.
LEE, J. et al. Sleep-enhancing effect of Hongcheon-hop (Humulus lupulus L.) extract containing xanthohumol and humulone through GABAA_AA​ receptor. Journal of Ethnopharmacology, 2025. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/39522843/. Acesso em: 18 jul. 2025.
LIN, M. et al. Role of characteristic components of Humulus lupulus in promoting human health. Journal of Agricultural and Food Chemistry, v. 67, n. 30, p. 8291–8302, 2019. Disponível em: https://doi.org/10.1021/acs.jafc.9b03780. Acesso em: 25 jul. 2025.
SCHILLER, H. et al. Sedating effects of Humulus lupulus L. extracts. Phytomedicine, v. 13, n. 8, p. 535–541, 2006. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/16860977/. Acesso em: 18 jul. 2025.
ZANOLI, P. New insight in the neuropharmacological activity of Humulus lupulus L. Phytomedicine, v. 12, n. 8, p. 567–571, 2005. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/16046089/. Acesso em: 18 jul. 2025.