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| O USO DO MEL DE ABELHA NA PREVENÇÃO E TRATAMENTO DA MUCOSITE ORAL EM CRIANÇAS | |
| 1MARYA EDUARDA LEMOS SANTOS, 2AMANDA TOLOTTO VALOTO, 3CECILIA DA SILVA RAFAEL, 4MAIARA ALVES DA SILVA, 5FABIOLA ADRIANA GARCIA MELLO DYNA, 6DANIELA DE CASSIA FAGLIONI B CERANTO | |
| 1Acadêmico do PIC/UNIPAR 2Acadêmica do Curso de Odontologia da UNIPAR 3Acadêmica do Curso de Odontologia da UNIPAR 4Acadêmica do Curso de Odontologia da UNIPAR 5Docente da UNIPAR 6Docente da UNIPAR |
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| Introdução: A mucosite oral (MO) é uma inflamação aguda que ocorre em pacientes submetidos a tratamentos oncológicos, causada pelas terapias antineoplásicas. Seu desenvolvimento pode ser descrito em cinco fases: iniciação, resposta primária ao dano, sinalização e amplificação, ulceração com inflamação e cicatrização. Nem todos os estágios necessariamente se manifestam em cada paciente (Da Silva Nemetala et al., 2020). Clinicamente, a MO se caracteriza pelo aparecimento de lesões eritematosas, erosivas e ulcerativas, que causam dor e limitam funções orais, podendo comprometer a higiene bucal e a alimentação do indivíduo (Muniz et al., 2021). O mel de abelha, por apresentar propriedades anti-inflamatórias, antimicrobianas e cicatrizantes, tem despertado interesse como recurso terapêutico natural. Estudos recentes sugerem que seu uso pode reduzir a severidade da mucosite, acelerar a cicatrização e proporcionar maior conforto aos pacientes (Nurhidayah et al., 2024). Objetivo: Investigar, por meio de revisão bibliográfica, o potencial terapêutico do mel de abelha na prevenção e no manejo da mucosite oral em crianças em tratamento quimioterápico. Foram incluídos artigos publicados nos últimos cinco anos, localizados nas bases PubMed, SciELO e Google Acadêmico, utilizando os descritores: mucosite oral, mel de abelha, quimioterapia e tratamento complementar. Desenvolvimento: Evidências clínicas apontam que o mel pode reduzir a severidade da mucosite oral (MO) em diferentes contextos. Em um ensaio clínico randomizado realizado com crianças com leucemia, o mel de abelha demonstrou eficácia superior ao placebo e ao óleo de oliva na redução da gravidade da mucosite (escala WHO) e da dor (VAS), com diferença estatisticamente significativa (Badr et al., 2023). Resultados semelhantes foram observados em um estudo piloto multicêntrico, no qual o grupo que recebeu intervenção oral com mel apresentou menor progressão da mucosite em comparação ao grupo controle (Nurhidayah et al., 2024). Do ponto de vista mecanístico, a ação do mel envolve a inibição do crescimento microbiano pela produção de peróxido de hidrogênio e baixo pH, além da presença de compostos fenólicos com atividade antioxidante, que reduzem o estresse oxidativo induzido pela quimioterapia. O mel também estimula processos de angiogênese, proliferação de fibroblastos e regeneração tecidual, acelerando a cicatrização da mucosa (Hao et al., 2022). Uma meta-análise de Andriakopoulou et al. (2024), incluindo ensaios clínicos publicados até 2023, concluiu que o uso do mel não apenas reduziu a duração da mucosite, mas também encurtou o tempo de hospitalização em média 4,3 dias em casos graves, reforçando seu impacto clínico relevante. Em contrapartida, outras terapias adjuvantes, como o laser de baixa intensidade (LLLT), mostraram resultados inconsistentes em pediatria. Apesar dos achados encorajadores, a literatura ainda carece de ensaios multicêntricos de grande porte, com protocolos padronizados sobre o tipo de mel, dose e forma de aplicação. A heterogeneidade metodológica entre os estudos dificulta a generalização dos resultados, destacando a necessidade de novas pesquisas. Conclusão: O mel de abelha se apresenta como uma alternativa natural, de baixo custo e bem aceita por pacientes pediátricos, com potencial para reduzir a gravidade da mucosite oral, acelerar a cicatrização e diminuir o tempo de hospitalização. Entretanto, sua consolidação como intervenção clínica depende da realização de estudos robustos, com maior número de pacientes e padronização metodológica, para garantir eficácia e segurança em oncologia pediátrica. |
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| Referências: BADR, L. K. et al. The efficacy of honey or olive oil on the severity of oral mucositis and pain compared to placebo in children with leukemia receiving intensive chemotherapy: a randomized controlled trial. Journal of Pediatric Nursing, v. 70, p. e48–e53, 2023. DOI: https://doi.org/10.1016/j.pedn.2022.12.003. DA SILVA NEMETALA, R. M. et al. Mucosite oral causada pelo tratamento antineoplásico. Revista JRG de Estudos Acadêmicos, v. 7, n. 14, p. e14969, 2024. DOI: 10.55892/jrg.v7i14.969 HAO, S. et al. Effect of honey on pediatric radio/chemotherapy-induced oral mucositis: systematic review and meta-analysis. Evidence-Based Complementary and Alternative Medicine, v. 2022, p. 6906439, 2022. DOI: https://doi.org/10.1155/2022/6906439. MUNIZ, V. I. M. S. Parâmetros reprodutivos e alimentares da abelha solitária Epanthidium tigrinum (Schr.) (Hymenoptera, Megachilidae) para criatório racional. 2021. Disponível em: http://repositorio.ufc.br/handle/riufc/58295. Acesso em: 24 set. 2025. NURHIDAYAH, I. et al. The effect of honey in oral care intervention against chemotherapy-induced mucositis in pediatric cancer patients: a pilot study. BMC Complementary Medicine and Therapies, v. 24, p. 415, 2024. DOI: https://doi.org/10.1186/s12906-024-04710-z. ANDRIAKOPOULOU, C. S.; YAPIJAKIS, C.; KOUTELEKOS, I.; PERDIKARIS, P. Prevention and treatment of oral mucositis in pediatric patients: systematic review and meta-analysis of randomized controlled trials. In Vivo, v. 38, n. 3, p. 1016-1029, 2024.DOI: 10.21873/invivo.13535. |
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