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| AVALIAÇÃO DO EFEITO ANTIBACTERIANO DO EXTRATO BRUTO DE Vitex megapotamica ATRAVÉS DO MÉTODO DE DISCO DIFUSÃO FRENTE A ESPÉCIE Escherichia coli | |
| 1ISABELLI ENGELMANN, 2EDUARDA ZANIN LASTA , 3TIAGO TIZZIANI , 4LORENA NERIS BARBOZA, 5STIFANI ARAUJO BORSTMANN | |
| 1Acadêmica do curso de Biomedicina do Centro Universitário Univel 2Acadêmica do curso de Biomedicina do Centro Universitário Univel 3Docente do curso de Farmácia do Centro Universitário Univel 4Docente do curso de Biomedicina do Centro Universitário Univel 5Docente do curso de Biomedicina do Centro Universitário Univel |
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| Introdução: A espécie vegetal Vitex megapotamica, conhecida popularmente como Tarumã e nativa da América do Sul, tem sido objeto de pesquisa pela comunidade científica, devido a presença de diversos metabólitos secundários bioativos em sua composição química, como taninos, catequinas e flavonoides, responsáveis por diversas atividades biológicas, como a anti-hiperglicêmica, analgésica, antioxidante, hipocolesterolêmica, entretando sua função antibacteriana ainda é pouco investigada (Carvalho, 2006; De Brum, 2011). Diante do aumento da resistência bacteriana, a busca por novos compostos antimicrobianos de origem vegetal continua sendo fundamental para o desenvolvimento de alternativas terapêuticas. Entre as bactérias de relevância clínica, destaca-se a Escherichia coli, pertencente ao grupo das enterobactérias, frequentemente associada a infecções do trato urinário e, em casos graves, a sepse (Foxman, 2002; Pinheiro et al., 2024). A avaliação da atividade antimicrobiana pode ser feita através do método de disco difusão (Kirby-Bauer), através da aplicação de discos impregnados com o agente testado sobre ágar inoculado com a bactéria, sendo a formação de halos de inibição um indicativo de eficácia comparável a controles positivos e negativos. Trata-se de uma técnica padronizada, reprodutível e amplamente utilizada em pesquisas microbiológicas e na prática clínica (Júnior et al., 2016). Dessa forma, a avaliação do extrato bruto de Vitex megapotamica pelo método de disco difusão representa uma estratégia relevante para compreender o potencial antibacteriano da espécie e perspectivas no combate a bactérias resistentes, contribuindo para o desenvolvimento de alternativas terapêuticas. Objetivo: Analisar a atividade antibacteriana do extrato bruto da Vitex megapotamica por meio do método de disco difusão frente a cepa de Escherichia coli. Material e Métodos: O extrato bruto de Vitex megapotamica foi obtido pelo Grupo de Pesquisas em Produtos Naturais e Bioatividades (GPPNBio) do Centro Universitário Univel. O procedimento experimental foi conduzido in vitro pelo método de disco difusão. Inicialmente, foram preparadas soluções do extrato bruto de Vitex megapotamica em diferentes concentrações (3.5 mg; 4.0 mg; 4.5 mg; 5.0 mg), cada uma diluída em etanol a 95% (veículo). Após homogeneização, as placas de Mueller-Hinton foram identificadas com as respectivas concentrações e controles. A cepa de Escherichia coli foi inoculada sobre a superfície, e discos de papel filtro foram posicionados sobre as áreas demarcadas. Em cada disco adicionaram-se 10 µL do extrato; no controle negativo, 10 µL de etanol 95%; e no controle positivo, um disco impregnado com ampicilina. As placas foram incubadas em estufa a 37 °C por 24 horas e analisadas quanto à presença de halos de inibição (BRCAST-EUCAST, 2024). Resultados: Os discos impregnados com o extrato bruto de Vitex megapotamica nas diferentes concentrações, apresentaram atividade antimicrobiana desde a menor concentração testada (3.5mg), evidenciando sua eficiência contra a Escherichia coli. Os halos de inibição mediram 12 milímetros (mm) para a concentração de 3.5 mg, 10 mm para 4.0 mg, 12 mm para 4.5 mg e 12 mm para 5.0 mg. O controle negativo (CN) não apresentou halo de inibição, enquanto o controle positivo (CP), representado pela ampicilina, exibiu halo de 15 mm. Discussão: O extrato bruto de Vitex megapotamica apresentou atividade antibacteriana contra a cepa de Escherichia coli, mesmo na menor concentração testada (3,5mg), devido à presença de compostos bioativos, como flavonoides, que atuam sobre a bicamada lipídica bacteriana, comprometendo a integridade da membrana e inibindo o crescimento celular (Loubiuc et al., 2023). O CN, não apresentou halo de inibição, confirmando que o veículo sozinho não exerceu efeito antimicrobiano, enquanto o controle positivo, representado pela ampicilina, preconizadas pelo método, validou o ensaio ao inibir efetivamente o crescimento bacteriano, garantindo a adequação das condições experimentais. Na concentração de 3,5 mg, o extrato formou um halo de inibição de 11 mm, indicando atividade antibacteriana fraca. Em concentrações mais elevadas, o halo alcançou 12 mm, sendo classificado como atividade moderada. Embora o CLSI (2020) não forneça pontos de corte para extratos vegetais, limitando-se a antibióticos padronizados, a literatura sobre produtos naturais considera halos menores que 12 mm como indicativos de efeito limitado (Al-Garadi et al., 2022; Al-Qudah, 2022). Conclusão: Com base nos resultados obtidos, conclui-se que o extrato bruto de Vitex megapotamica apresentou potencial atividade antimicrobiana contra Escherichia coli, demonstrando halos de inibição desde as menores concentrações avaliadas (3.5mg). Dessa forma, o estudo evidencia o potencial de Vitex megapotamica como fonte de compostos bioativos com aplicação no combate a microrganismos patogênicos, embora sejam necessários novos ensaios para isolamento dos princípios ativos, determinação das concentrações mínimas inibitórias e avaliação da eficácia em modelos in vivo. |
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| Referências: AL‑GARADI, M. A.; et al. In vitro phytochemical analysis and antibacterial and antifungal efficacy assessment of ethanolic and aqueous extracts of Rumex nervosus leaves against selected bacteria and fungi. 2022. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC9798057/. Acesso em: 4 set. 2025. AL-QUDAH, M. M. A. Antibacterial effect of Asphodelus fistulosus aqueous and ethanolic crude extracts on gram positive and gram negative bacteria: Brazilian Journal og Biology, Jordânia, ano 2024, v. 84, n. 260029, 15 jun. 2022. ., p. 1-9. DOI https://doi.org/10.1590/1519-6984.260029. Disponível em: https://www.scielo.br/j/bjb/a/YyGFz6mpS5yWZfsXCxH8Vhx/?lang=en#. BRCAST-EUCAST. Método de disco-difusão para teste de sensibilidade aos antimicrobianos. Versão 12.0, janeiro de 2024. Válido no Brasil a partir de 15 de abril de 2024. Disponível em: https://brcast.org.br/wp-content/uploads/2022/09/Metodo-disco-difusao BrCAST-15-04-2024.pdf. Acesso em: 4 set. 2025. CARVALHO, Paulo Ernani Ramalho. Espécies Arbóreas Brasileiras:1a edição. Brasília: Embrapa, 2006. 629 p. v. 2. ISBN 85-7383-373 4. Disponível em: https://www.ecoagri.com.br/web/wp-content/uploads/Especies-Arboreas Brasileiras-vol-2red.pdf. DE BRUM, Thiele Faccim . Análise Fitoquímica Preliminar das folhas de Vitex Megapotamica (Sprengel) Moldenke: Revista Saúde (Santa Maria), Ahead of Print, v.37, n.2, p. 57-62, 2011., 2011. Disponível em: https://periodicos.ufsm.br/revistasaude/article/view/3088. FOXMAN, B. Epidemiology of urinary tract infections: incidence, morbidity and economic costs. American Journal of Medicine. v.113, p.5S-13S, 2002. JÚNIOR, Antônio Alexandre de Vasconcelos et al. Susceptibility testing of Candida albicans by disk diffusion method: a comparison of the culture media used. Revista Brasileira de Análises Clínicas, v. 48, n. 1, p. 50-54, 2016. DOI: 10.21877/2448-3877.201600503. LOBIUC, Andrei et al. Future Antimicrobials: Natural and Functionalized Phenolics: Molecules, 2023. Disponível em: https://www.mdpi.com/1420-3049/28/3/1114. PINHEIRO, Franciane Cabral et al. Antimicrobial Effect of Diphenyl Ditelluride (PhTe)2 in a Model of Infection by Escherichia coli in Drosophila melanogaster. Indian Journal Microbiology, 2024. Disponível em: https://doi.org/10.1007/s12088-024-01196-8. SEREIA, Aline. Os desafios da resistência bacteriana. Neoprospecta microbiome technologes, 2016. URL: https://blog.neoprospecta.com/desafios-resistencia-bacteriana/. ZHANG, Zhaoyang et al. Recent Advances in Antimicrobial Resistance: Insights from Escherichia coli as a Model Organism. 13. ed. Switzerland: Microorganisms, 2025. 2-25 p. v. 51. |
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