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| IMPACTOS E MANEJO DO Migdolus fryanus NA PRODUÇÃO E QUALIDADE DA MANDIOCA (Manihot Esculenta) | |
| 1GIOVANNI CAUÃ BARRETO DE JESUS, 2CAMILI LUTZ RUFATO, 3MARIA EDUARDA BENEDETTI, 4VINICIUS SOARES CAMPOS, 5HELYTON GUEDES DE OLIVEIRA , 6JÚLIO CESAR GUERREIRO | |
| 1Acadêmico bolsista PEBIC/UEM 2Discente de graduação em Engenharia Agronômica, Universidade Estadual de Maringá (UEM) 3Discente de graduação em Engenharia Agronômica, Universidade Estadual de Maringá (UEM) 4Discente de graduação em Engenharia Agronômica, Universidade Estadual de Maringá (UEM) 5Mestrando do Programa de Pós-Graduação em Ciências Agrárias, Universidade Estadual de Maringá (UEM) 6Docente Doutor nos cursos de Graduação e do Programa de Mestrado, Universidade Estadual de Maringá |
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| Introdução: Depois de culturas como o milho e o arroz, a mandioca (Manihot esculenta) destaca-se como uma das principais fontes de calorias nas regiões tropicais. Trata-se de uma espécie perene, utilizada como recurso alimentar para consumo humano e animal, além de apresentar aplicações na medicina tradicional (Scaria et al., 2024). O valor agregado, a alta tolerância a períodos adversos e a flexibilidade quanto ao momento da colheita são fatores determinantes que influenciam os agricultores pela adoção dessa cultura (Amelework et al., 2021), alinhando-se aos ODS 2, fome zero e agricultura sustentável. Não obstante essas vantagens, essa cultura está sujeita ao ataque do Migdolus fryanus (Coleoptera: Vesperidae), conhecido como besouro-do-congo ou broca do rizoma, uma praga subterrânea de difícil controle. Ao provocar danos ao sistema radicular da planta, compromete a qualidade dos tubérculos, acarreta perdas significativas de produtividade e pode resultar na permanência da infestação do solo, com riscos fitossanitários para cultivos subsequentes. Objetivo: Analisar os impactos do M. fryanus, em suas fases de larva e adulto, na cultura da mandioca, com ênfase nas alterações morfológicas da planta decorrentes do ataque da praga, e avaliar os métodos de manejo fitossanitário com foco nas características morfológicas da planta após o ataque. Desenvolvimento: Decorridos 161 anos do primeiro relato da ocorrência na cana-de-açucar (Machado et al., 2005), o M. fryanus segue infestando novas regiões produtoras e para distintas culturas, como a da mandioca, demonstrando elevada adaptabilidade, preponderantemente em solos arenosos. No Brasil, há registros nas regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul, bem como em áreas do Paraguai e da Argentina (Machado et al., 2005). As principais limitações ao controle do M. fryanus decorrem do comportamento críptico e subterrâneo do inseto. Durante o longo ciclo larval, de um a três anos (Bento et al., 1992; Nakayama et al., 2017), as larvas se alojam em galerias subterrâneas que podem atingir até 5 metros de profundidade, e promovem o ataque ao sistema radicular das plantas (Arrigone, 1988). Essas larvas, classificadas como polífogas, raspam e perfuram as raízes tuberosas, potencializando a ação de agentes patogênicos oportunistas devido a formação de galerias abertas no interior das raízes, favorecida pela escavação do solo pelas larvas (Guerreiro et al., 2022). Outrossim, a literatura aponta outras consequências multifacetadas, diretas – plantas – e indiretas – indústria. Para as plantas: entrada de patógenos e podridão, desvio de nutrientes para outras partes do vegetal e estresse da planta; impactos na qualidade do amido, com diminuição de 20% a 30%, conforme o nível de agressividade do ataque; alterações colorimétricas, resultando em escurecimento; alterações morfológicas, com queda no tamanho dos grânulos de amido nas raízes que sofreram maiores níveis de danos. Para a indústria: comprometimento da padronização; degradação e oxidação; alterações reológicas, podendo resultar em alterações na viscosidade da suspensão de amido e do gel que se forma (Guerreiro, et al., 2022; Guerreiro, et al., 2019). A fase adulta do M. fryanus é breve, caracterizada pela ausência de alimentação e dimorfismo sexual. Os machos são de coloração escura, menores e ágeis, e possuem capacidade de voar em busca das fêmeas, maiores, de coloração marrom-avermelhada e ápteras, para a cópula. Os machos e as fêmeas possuem hábito escavador e vivem em média de 4 a 7 dias e de 7 a 38 dias, respectivamente. A atração para a cópula dá-se pelo feromônio sexual feminino e ocorre pela revoada dos machos. Esse voo nupcial ocorre após as chuvas, quando os indivíduos iniciam a busca por parceiras. Após a “revoada do M. fryanus”, as fêmeas ovipositam de 14 a 45 ovos (Bento et al., 1992). No tocante aos métodos de controle dessa praga, incluem-se as abordagens químicos, culturais e comportamentais. O primeiro ocorre com o emprego de pesticidas, mas seus são limitados em virtude do hábito subterrâneo dos insetos, do custo operacional e, contemporaneamente, das preocupações ambientais e ecotoxicológicas; o segundo, cultural, implica na rotação de culturas, e no caso da cana-de-açúcar, remoção da palha remanescente e queima das plantas infestadas; o terceiro, comportamental, mediante a utilização de feromônios femininos aplicado em armadilhas iscadas na cultura, cuja síntese é N-(2′S)-methylbutanoyl-2-methylbutylamide (Frianol) (Bernardo; Lima; Santana, 2022). Conclusão: Com base nos estudos analisados, infere-se que o M. fryanus apresenta elevada resistência aos métodos de controle disponíveis. Os danos à cultura da mandioca são atribuídos preponderantemente à fase larval, caracterizada pelo hábito subterrâneo e destruição do sistema radicular. Contemporaneamente, a sinergia entre os métodos químicos, culturais e comportamentais não tem sido suficientes para conter a expansão geográfica da praga, que continua a causar impactos no solo, nas plantas e na sustentabilidade econômica. |
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| Referências: AMELEWORK, A. B.; BAIRU, M. W.; MAEMA, O.; VENTER, S. L.; LAING, M. Adoption and promotion of resilient crops for climate risk mitigation and import substitution: a case analysis of cassava for South African agriculture. Frontiers in Sustainable Food Systems, v. 5, 15 abr. 2021. BENTO, J. M. S.; ALBINO, F. E.; DELLA LUCIA, T. M. C.; VILELA, E. F. Field trapping of Migdolus fryanus Westwood (Coleoptera: Cerambycidae) using natural sex pheromone. Journal of Chemical Ecology, v. 18, p. 245–251, 1 fev. 1992. BERNARDO, V. B.; LIMA, M. R. F.; SANTANA, A. E. S. Synthesis of N-(2′S)-methylbutanoyl-2-methylbutylamide (Frianol), sex pheromone of sugarcane rhizome borer Migdolus fryanus, from renewable sources. Results in Chemistry, v. 4, p. 100368, 1 jan. 2022. GUERREIRO, J.; AZEVEDO, A. P.; PRADO, E.; PIETROWSKI, V.; RINGENBERG, R.; MENGUE, C.; MORITZ, C.; GIOTTO, T.; PASCUTTI, M.; FILHO, P. J. Cassava roots damaged by Migdolus fryanus produce poor quality starch. Revista de Agricultura Neotropical, v. 9, 5 jul. 2022. GUERREIRO, J. C.; AZEVEDO, A. P.; ESPESSATO, R. R.; PIETROWSKI, V.; RINGENBERG, R.; FILHO, P. J. F.; HORA, R. C. D.; PRADO, E. P.; PASCUTTI, T. M. Migdolus fryanus damage causes decrease in the starch content in Manihot esculenta. Journal of Agricultural Science, v. 11, n. 15, p. 97, 15 set. 2019. MACHADO, L. A.; HABIB, M.; LEITE, L. G.; CALEGARI, L. C.; GOULART, R. M.; TAVARES, F. M. Patogenicidade de nematóides entomopatogênicos a ovos e larvas de Migdolus fryanus (Westwood, 1863) (Coleoptera: Vesperidae). Arquivos do Instituto Biológico, v. 72, n. 2, p. 223-228, abr. 2005. NAKAYAMA, D. G.; JÚNIOR, C. D. S.; KISHI, L. T.; PEDEZZI, R.; SANTIAGO, A. C.; SOARES-COSTA, A.; HENRIQUE-SILVA, F. A transcriptomic survey of Migdolus fryanus (sugarcane rhizome borer) larvae. PLOS ONE, v. 12, p. e0173059, 1 mar. 2017. SCARIA, S. S. et al. Cassava (Manihot esculenta Crantz)—A potential source of phytochemicals, food, and nutrition: an updated review. eFood, v. 5, p. e127, 2024. |
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