O USO DA PELE DE TILÁPIA PARA CICATRIZAÇÃO DE QUEIMADURAS
1MARIA EDUARDA PEREIRA, 2MILENA DA SILVA LORENCETE
1Acadêmica do Curso Superior de Tecnologia em Estética e Cosmetica da Universidade Paranaense Campus Cascavel.
2Docente da UNIPAR
Introdução: As queimaduras são lesões graves e representam um sério problema de saúde pública devido ao seu impacto funcional, estético e psicológico, além de poderem levar à incapacidade permanente ou até ao óbito. No Brasil, estima-se que ocorram aproximadamente um milhão de casos por ano, o que evidencia a relevância dessa condição clínica. Embora existam curativos eficazes disponíveis no mercado, muitos são importados e de alto custo, o que restringe sua utilização, especialmente nos serviços públicos de saúde. Nesse contexto, torna-se fundamental a busca por alternativas acessíveis e eficazes para o tratamento das lesões causadas por queimaduras (SOCIEDADE BRASILEIRA DE QUEIMADURAS, 2021).
Objetivo: Analisar a pele de tilápia como alternativa viável, sustentável e de baixo custo no tratamento de queimaduras, destacando suas propriedades estruturais, histológicas e os resultados clínicos relatados pela literatura. 
Desenvolvimento: A pele da tilápia-do-Nilo, anteriormente considerada resíduo da piscicultura, apresenta características histológicas semelhantes à pele humana, como alta resistência, elasticidade e boa aderência ao leito da ferida. É rica em colágeno tipo I, semelhante ao da pele humana, essencial para a cicatrização. Para aplicação clínica, a pele é submetida a processos de limpeza, esterilização e conservação, garantindo segurança e viabilidade terapêutica. Estudos realizados no Brasil demonstraram que seu uso como curativo biológico temporário reduz a dor, diminui a necessidade de trocas frequentes de curativo e melhora o conforto dos pacientes (FRANCO et al., 2020; LIMA JÚNIOR et al., 2017). Comparada a curativos importados como a hidrofibra com prata (Aquacel AG®), mostrou resultados equivalentes ou até mesmo superiores, com custo reduzido, o que amplia sua aplicabilidade no Sistema Único de Saúde (SUS). Além do uso em queimaduras, pesquisas já investigam sua aplicação em diferentes áreas médicas, como reconstrução vaginal em pacientes com síndrome de Rokitansky e em cirurgias de redesignação sexual, no tratamento de sindactilia e também em outras especialidades, como urologia, ginecologia, odontologia, cardiologia e oftalmologia, evidenciando seu potencial como biomaterial versátil e inovador (LIMA JÚNIOR et al., 2022; PESQUISA FAPESP, 2025).
Conclusão:  A pele de tilápia mostra-se um biomaterial inovador, promissor, sustentável e inclusivo, com potencial transformador não somente no tratamento de queimaduras, como em muitas outras áreas da medicina. Destaca-se por suas propriedades estruturais, pela presença de colágeno tipo I e pela capacidade de favorecer a cicatrização. Além de reduzir a dor e proporcionar maior conforto aos pacientes, apresenta resultados equivalentes ou superiores a curativos importados, com custo reduzido. Dessa forma, configura-se como uma alternativa eficaz e acessível, especialmente para o sistema público de saúde, unindo ciência, inovação tecnológica e responsabilidade social, com potencial de expansão para outras áreas da medicina, contribuindo para um futuro mais humano, inclusivo e consciente.
Referências:
FRANCO, M. P. et al. Estudo comparativo das peles de Tilápia, Pacu e Tambaqui para uso biomédico. Acta Scientiae Veterinariae, v. 48, p. 1-8, 2020. 
LIMA JÚNIOR, E. M. et al. Caracterização da pele de tilápia-do-Nilo (Oreochromis niloticus) como curativo biológico para queimaduras. Revista Brasileira de Queimaduras, v. 16, n. 1, p. 10-14, 2017. 
LIMA JÚNIOR, E. M. et al. Uso da pele de tilápia no tratamento de queimaduras. Brazilian Journal of Health Review, v. 5, n. 4, p. 13130-13137, 2022. 
PESQUISA FAPESP. Na pele da tilápia. Disponível em: revistapesquisa.fapesp.br. Acesso em: 09 set. 2025. 
SOCIEDADE BRASILEIRA DE QUEIMADURAS (SBQ). Dados epidemiológicos de queimaduras no Brasil. 2021. Disponível em: sbqueimaduras.org.br. Acesso em: 09 set. 2025.