ANÁLISE DA SAÚDE BUCAL DE PACIENTES INFECTADOS PELO VÍRUS HIVAIDS NO SUDOESTE DO PARANÁ  
1DANIELLY BIAZUSSI, 2JULIA RIZZATTI ANTONIOLLI, 3LUANA ALVES DO CARMO, 4AMANDA CRISTINA SCHOEFFEL
1acadêmica do PIC/UNIPAR
2Acadêmica do Curso de Odontologia da UNIPAR
3Acadêmica do Curso de Odontologia da UNIPAR
4Docente da UNIPAR
Introdução: Ao receber o diagnóstico, os portadores do vírus HIV enfrentam, além das limitações impostas pela doença, implicações psicológicas devido ao preconceito e discriminação. Isso em muitos casos leva à falta de motivação para cuidar da saúde, levando à problemas nutricionais, bucais e sistêmicos. (Soares, 2013). Dentre os problemas bucais, destacam-se a cárie e a periodontite, os quais representam um fator de risco para a perda dentária precoce, principalmente quando o paciente não está realizando a terapia antirretroviral (Argenta et al., 2014). Nesse sentido, avaliar a condição de saúde bucal e a necessidade do uso de próteses dentárias surge com um importante papel, afim de que o seu diagnóstico permita reestabelecer as funções mastigatórias, fonéticas, nutricionais e estéticas do paciente.
Objetivos: Avaliar a condição de saúde oral dos pacientes portadores do vírus HIV atendidos no SAE/CTA de Francisco Beltrão/PR e relacionar com a satisfação quanto à condição oral e necessidade de próteses dentárias nessa parcela da população.
Material e métodos: O estudo foi desenvolvido no SAE/CTA de Francisco Beltrão/PR, onde acompanhouse pacientes infectados pelo vírus HIV. Nesta pesquisa foram coletados dados epidemiológicos, condições socioeconômicas, comportamentais e clínicas, ainda se coletou amostras de saliva, e realizou-se a avaliação das condições de saúde oral dos participantes. As informações foram recolhidas no período de 2020 a 2022. Este trabalho foi aprovado pelo Conselho de Ética em Pesquisa com Seres Humanos, estando sob registro de protocolo 3667278.
Resultados: Foi realizado o acompanhamento de 342 pacientes portadores do vírus HIV no SAE de Francisco Beltrão. Dentre eles, em 132 pacientes foi realizado exame dentário, e observou-se que destes 42% relataram estar insatisfeitos ou muito insatisfeitos com sua condição oral. Observou-se ainda que 45% desses pacientes fazem uso de próteses dentárias, variando entre próteses removíveis ou fixas, e 33% necessitam de próteses (apresentam ausência dentária - unitária ou múltipla - ou fazem uso de próteses que precisam ser substituídas). Destes, 28,7% são analfabetos ou possuem no máximo ensino médio incompleto.
Discussão: Quase metade dos pacientes entrevistados em dados dentários se mostraram inseguros com sua condição bucal, o que pode trazer implicações psicológicas e somar negativamente na falta de motivação para o cuidado, seja na higiene ou na saúde de modo geral (Garbin et al., 2021). Além disso, a necessidade de novas próteses em um terço dos pacientes entrevistados mostra que uma boa parcela dessa população provavelmente terá dificuldades para alimentar-se, comunicar-se ou sofrerá incômodos estéticos oriundos da falta dentária. Os dados educacionais conferem com o encontrado na literatura, onde nos relatam que os níveis de escolaridade influenciam no desenvolvimento de lesões cariosas e consequentemente índices de perda dentária, conforme relatado por Parola e Zihlmann (2019). Visto que realizando o tratamento com o antirretroviral, os níveis do vírus no organismo tornam-se indetectáveis, o paciente é possibilitado de ter uma vida normal, e nesses casos as chances de desenvolver lesões nos tecidos periodontais ou lesões cariosas reduzem consideravelmente. Surge aí a necessidade de manter uma equipe multidisciplinar para o cuidado do paciente, conforme a Política Nacional de Humanização (PNH), envolvendo médicos, psicólogos, nutricionistas, cirurgiões dentistas, para que o cuidado integrado seja passível de se realizar.
Conclusão: O diagnóstico do HIV positivo desencadeia diversas inseguranças, seja na perspectiva quanto a sua saúde e tratamento, implicações sexuais e dúvidas comuns entre quem não tem total conhecimento da doença. Neste trabalho foi possível observar uma alta prevalência de pacientes que necessitam do uso de próteses dentárias, o que pode estar relacionada a um alto índice de insatisfação com a saúde bucal. Ainda foi possível constatar um baixo nível de escolaridade em uma alta parcela desta população. Neste contesto, é necessário que um trabalho interdisciplinar seja realizado para tratar esses pacientes, visando reestabelecer a saúde oral através da odontologia e demais circunstâncias envolvidas por meio da Medicina, Psicologia e demais níveis de atenção e cuidado.
Referências:
ARGENTA, S. et al. Doença periodontal em indivíduos infectados pelo HIV. Revista Médica Hospital São Vicente de Paulo, Passo Fundo, v. 40, p. 43-47, 2014. Disponível em: https://www.hsvp.com.br/painel/admin/upload/publicacoes/130_revistamedica40.pdf. Acesso em: 29 set. 2025.
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Política Nacional de Humanização da Saúde: documento base. 4. ed. Brasília: Ministério da Saúde, 2007.
GARBIN, C. A. S. et al. Levantamento epidemiológico bucal, autoestima e qualidade de vida de pacientes portadores do vírus HIV/AIDS: estudo transversal exploratório. Revista Saúde e Desenvolvimento Humano, Canoas, v. 9, n. 2, 2021. Disponível em: https://revistas.unilasalle.edu.br/index.php/saude_desenvolvimento/article/view/6873. DOI não identificado. Acesso em: 29 set. 2025.
PAROLA, G. B.; ZIHLMANN, K. F. A saúde bucal na perspectiva das pessoas vivendo com HIV/Aids: subsídios para a educação permanente de cirurgiões-dentistas. Interface – Comunicação, Saúde, Educação, Botucatu, v. 23, e1805762, p. 1-14, 2019. Disponível em: https://doi.org/10.1590/Interface.180576. Acesso em: 29 set. 2025.
SOARES, G. B. Convivendo com HIV/AIDS: fatores que influenciam na qualidade de vida e condição de saúde bucal. 2013. Dissertação (Mestrado em Odontologia Preventiva e Social) – Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”, Faculdade de Odontologia de Araçatuba, Araçatuba, 2013. Disponível em: https://repositorio.unesp.br/handle/11449/109111. DOI não identificado. Acesso em: 29 set. 2025.