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| BRUCELOSE: IMPACTO DA ZOONOSE NA SAÚDE PÚBLICA | |
| 1PEDRO VICTOR GRAEBIN, 2MARIANA COLTRO, 3ARIELLE DE OLIVEIRA COSTA, 4STEPHANIE AMANCIO SANTANA, 5ANA MARIA QUESSADA | |
| 1Acadêmico do Curso de Medicina da UNIPAR, PIBIC/UNIPAR 2 Pós-Graduanda do Programa de Pós-Graduação em Ciência Animal da Unipar - Taxista PROSUP 3Acadêmica do Curso de Medicina Veterinária da UNIPAR 4Acadêmica do Curso de Medicina Veterinária da UNIPAR 5Docente da UNIPAR |
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| Introdução: A brucelose é uma zoonose bacteriana disseminada por animais domésticos doentes (ovelhas, cabras, gado, camelos e porcos) e animais selvagens por meio do consumo de seus laticínios crus e carne infectada e contato próximo com suas secreções e carcaças (Wu et al., 2022). A doença tem como agente etiológico uma família de bactérias gram-negativas com formato cocoide ou de bastonete curto, sem motilidade e parasitas obrigatórios, porém com capacidade de sobreviver fora do hospedeiro (Bauerfeind et al., 2016). Segundo Corbel et al. (2006), ela é uma importante zoonose presente em diversos países do globo, em especial no Mediterrâneo, em alguns países da Europa, Norte e Leste da África, Oriente Médio, Ásia Central e Sul e América do Sul. Além disso, tanto a expansão da indústria animal e a urbanização, assim como a falta de medidas de higiene no manejo dos animais e produtos oriundos destes, justificam a prevalência da doença e seu impacto na saúde pública. No entanto, mesmo com a importância que a doença apresenta, ela ainda se mostra como uma zoonose de grande subnotificação pela dificuldade de diagnóstico, de acordo com o Ministério da Saúde (2025). Objetivo: O seguinte trabalho tem como objetivo fazer uma revisão bibliográfica sobre o impacto da brucelose em humanos, avaliando etiologia, transmissão, manifestações clínicas, diagnóstico e tratamento da doença. Desenvolvimento: A brucelose conta com algumas espécies que causam prejuízo para a saúde humana como: B. abortus (encontrado principalmente no gado), B. melitensis (em ovelhas e camelos), B. suis (em suínos e na América do Sul também presentes nos bovinos) e, com menos frequência, B. canis (em cachorros) (Bauerfeind et al., 2016). Em estudo de Souza et al. (2024), nota-se, por exemplo, a importância do rastreio de cães infectados por brucela, uma vez que mesmo sem sintomas, o animal ainda pode transmitir a doença para aqueles que fizerem o manejo. A transmissão da brucelose pode ser feita através do contato direto ou indireto com o animal infectado, ou com um produto derivado dele, como leite e carne. A transmissão inter-humana não é algo comum, apresentando apenas alguns casos relatados na literatura (Ministério da Saúde, 2025). De maneira particular, a brucelose humana representa um fator de risco significativo para exposição ocupacional, principalmente para indivíduos em profissões como açougueiros, trabalhadores de laboratório e caçadores, que têm contato direto com animais infectados ou seus produtos (Qureshi et al., 2024). As manifestações clínicas da brucelose são inespecíficas, com o principal sintoma da febre. Ademais, a doença pode apresentar outros sintomas, também inespecíficos, como mialgia e cefaleia, a gravidade e a intensidade desses sintomas fazem a doença ser classificada de três formas: aguda, subaguda, e crônica. (Kumar et al, 2020). Sobre o diagnóstico, deve ser feito o diagnóstico clínico, avaliando as principais complicações da doença, como: alteração no sistema osteoarticular, genitourinário, nervoso, gastrointestinal, cardiovascular e respiratório, assim como manifestações cutâneas. Ainda pode ser avaliado o vínculo epidemiológico, ou seja, considerar os riscos de contaminação que determinados grupos possuem, como estar expostos a animais e alimentos infectados, trabalhar com esses animais, entre outros. (Ministério da Saúde, 2025). O diagnóstico é desafiador e deve considerar o vínculo epidemiológico, a clínica e os exames laboratoriais, como a sorologia e o PCR. (Bauerfeind et al., 2016). Por fim, o tratamento primário em adultos é definido pela escolha entre sulfato de estreptomicina e sulfato de gentamicina deve considerar a comodidade terapêutica, enquanto que o tratamento secundário é combinação de doxiciclina e rifampicina. A associação doxiciclina e rifampicina pode ser indicada quando houver restrição clínica ou impossibilidade operacional de uso de aminoglicosídeo (Ministério da Saúde, 2025). No entanto, pode-se notar que existem cerca de 5-15% de pacientes que apresentam recidiva após o tratamento; isso geralmente ocorre quando é feita a utilização de apenas um antibiótico para tratar a doença (Qureshi et al, 2024; Bauerfeind et al, 2016). Conclusão: A brucelose continua sendo uma zoonose de relevância mundial, com impacto expressivo na saúde pública, agravado pelas dificuldades diagnósticas decorrentes da inespecificidade clínica e das limitações de métodos laboratoriais. A adoção de estratégias de vigilância epidemiológica, controle de rebanhos e educação em saúde é fundamental para a prevenção e contenção da doença, sobretudo em regiões endêmicas. O diagnóstico precoce e a abordagem integrada entre as áreas de medicina humana e veterinária são indispensáveis para o manejo eficaz dessa enfermidade negligenciada, contribuindo para reduzir sua incidência e os riscos associados à exposição ocupacional e alimentar. |
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| Referências: BAUERFEIND, R. et al. Brucelloses. In: BAUERFEIND, R. et al. (org.). Zoonoses: infectious diseases transmissible from animals to humans. 4. ed. Washington: ASM Press, 2016. p. 191-195. CORBEL, M. J. et al. Brucellosis in Humans and Animals. World Health Organization, 2006. 102p. Disponível em: https://www.who.int/publications/i/item/9789241547130. Acesso em: 6 set. 2025. KUMAR, R. P.; SUNITHA, R.; KARTHIKEYAN, A.; KUMAR, V. P.; RAJANNA. Brucellosis: a disease of zoonotic importance. International Journal of Current Microbiology and Applied Sciences, v. 9, n. 1, p. 2107-2115, 2020. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Brucelose humana. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/b/brucelose-humana. Acesso em: 3 set. 2025. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Portaria SECTICS/MS nº 22, de 12 de maio de 2025. Torna pública a decisão de aprovar, no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Brucelose Humana. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 12 maio 2025. NOZAKI, C. N.; MEGID, J.; LIMA, K. C.; SILVA JUNIOR, F. F.; VELOSO, C. S. Comparação das técnicas de imunodifusão em gel de ágar e ELISA no diagnóstico de brucelose ovina em cabanhas da região centro-oeste do estado de São Paulo. Arquivos do Instituto Biológico, v. 71, n. 1, p. 1-5, 2004. QURESHI, K. A. et al. Brucellosis: epidemiology, pathogenesis, diagnosis and treatment – a comprehensive review. Annals of Medicine, v. 55, n. 2, p. 2295398, 2023. SOUZA, A. B. et al. Positividade para Brucella canis em soro de cães localizados em Teresina (PI, Brasil). ARACÊ, v. 6, n. 4, p. 15471–15483, 2024. WU, Z. et al. Brucellosis: epidemiology and clinical features. Journal of Global Infectious Diseases, v. 14, n. 3, p. 115-123, 2022. |
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