TAP BLOCK EM CAPRINO PARA LATERALIZAÇÃO DO PÊNIS: RELATO DE CASO  
1HELOISA FANTINI BARIQUELO, 2GUILHERME ANZOLIN CAVALHEIRO, 3LUCAS AUGUSTO MARIOTTO, 4ISIS CLEÓPATRA COELHO CHAVES, 5ANTONIO CAMPANHA MARTINEZ, 6MARILDA ONGHERO TAFFAREL
1Residente em Anestesiologia Veterinária, Universidade Estadual de Maringá
2Residente em Anestesiologia Veterinária, Universidade Estadual de Maringá
3Residente em Reprodução de Animais Domésticos, Universidade Estadual de Maringá
4Mestranda, Programa de Pós Graduação em Produção Sustentável e Saúde Animal, Universidade Estadual de Maringá
5Docente, Departamento de Medicina Veterinária, Universidade Estadual de Maringá
6Docente, Departamento de Medicina Veterinária, Universidade Estadual de Maringá
Introdução: O bloqueio do plano transverso do abdômen (TAP Block) consiste na administração de anestésicos locais entre as fáscias dos músculos transverso abdominal e obliquo abdominal interno afim de proporcionar analgesia da parede ventral e lateral do abdômen, pele, glândulas mamárias, tecido subcutâneo, musculatura abdominal e peritônio parietal (Freitag et al., 2018; Read; Campoy; Fischer, 2024). Assim, objetivou-se descrever o uso da técnica para cirurgia de deslocamento peniano em um caprino.
Relato de Caso: Um paciente caprino da raça Boer, de aproximadamente 5 anos e peso 31,2 quilos, foi submetido a um procedimento cirúrgico para lateralização do pênis. Devido ao comportamento reativo, o paciente não permitiu a avaliação clínica e coleta de sangue para avaliação laboratorial. O proprietário, ciente dos riscos, consentiu com a sedação sem exames laboratoriais prévios. Como medicação pré-anestésica foi utilizado 0,05mg/kg de xilazina 1% pela via intramuscular. Após a administração, aguardou-se 25 minutos até que o animal demonstrasse sinais de sedação profunda, com abaixamento de cabeça e decúbito lateral. Ato contínuo, a veia cefálica foi cateterizada com um cateter 16G, e os parâmetros como frequência cardíaca (FC), respiratória (FR) e saturação de oxihemoglobina periférica (SpO2) foram monitorados continuamente. Em seguida, procedeu-se à tricotomia e à antissepsia da região cirúrgica. Para o bloqueio do plano transverso do abdômen foi utilizado bupivacaína 0,25% na dose de 2mg/kg. O volume final foi dividido igualmente e administrado em um único ponto, bilateralmente. A técnica foi guiada por ultrassonografia, com probe posicionada imediatamente caudal à última costela. Decorridos 10 minutos da execução do bloqueio foi iniciado o procedimento cirúrgico. Não houve sinais de nocicepção durante o procedimento, exceto durante incisão da região hipogástrica, quando observou-se aumento da FC e FR, também associado à superficialização da sedação. A equipe anestésica avaliou o episódio como efeito parcial do bloqueio, e com o intuito de garantir analgesia adicional, realizou-se bloqueio infiltrativo com lidocaína 2% na dose de 5 mg/kg ao redor do pênis na região inguinal. Em sequência, administrou-se dose complementar de xilazina (0,05 mg/kg IV) para manutenção sedação. O paciente permaneceu com parâmetros fisiológicos estáveis até o término do procedimento (duração total de 70 minutos). Ao final da cirurgia foi administrado meloxicam (0,1 mg/kg) e dipirona (25 mg/kg) para analgesia pós-operatória.
Discussão: A técnica utilizada mostrou-se eficaz em promover insensibilização da região ventral da parede abdominal. Contudo, houve necessidade de complementação da anestesia local com infiltração na porção mais ventral do abdome. O protocolo foi considerado eficiente para a realização do procedimento cirúrgico com segurança para o paciente. Read, Campoy e Fischer (2024) abordam que o nervo ilioinguinal, inerva a região inguinal, mas não se estende até a região ventro-medial, o que justificaria, portanto, a permanência do estímulo nociceptivo durante a incisão na região hipogástrica. Este bloqueio também foi utilizado em caprinos por Morris; Hopster; Fecteau (2023) para cistotomia por celiotomia mediana. No referido estudo, foi utilizada uma abordagem utilizando dois pontos de deposição do anestésico. Em pôneis, esta técnica, utilizando bupivacaína 0,125%, promoveu analgesia pós-operatória por 2 horas (Küls et al., 2020), enfatizando a necessidade de utilizar volumes e concentrações maiores a fim de promover maior duração analgésica.
Conclusão: O TAP Block se demonstrou um bloqueio efetivo em caprinos para a realização de procedimentos que envolvam a parede abdominal, mas que demanda de outras técnicas complementares para acessos à região ventro-medial inguinal.
Referências:
FREITAG, F. A. V.; et al. Continuous transversus abdominis plane block for analgesia in three dogs with abdominal pain. Journal of Veterinary Science, v. 45, n. 4, p. 581-583, jul. 2018.
KÜLS, N.; et al. Ultrasound-guided transversus abdominis plane block in Shetland ponies: a description of a three-point injection technique and evaluation of potential analgesic effects. Journal of Equine Veterinary Science, v. 90, p. 102994, jul. 2020.
MORRIS, T. B.; HOPSTER, K.; FECTEAU, M.-E. Perioperative analgesic effects of an ultrasound-guided transversus abdominis plane block using bupivacaine in goats undergoing celiotomy. Frontiers in Veterinary Science, v. 10, 23 nov. 2023.
READ, M. R.; CAMPOY, L.; FISCHER, B. Small Animal Regional Anesthesia and Analgesia. 2. ed. Hoboken, New Jersey: Wiley‑Blackwell, 2024.