REGRESSÃO DE LESÕES ENDODÔNTICAS EM TRATAMENTOS REALIZADOS NA UNIPAR  
1RAFAELLY LORENA CARDOSO DE SENA, 2EUGÊNIA BIANCHINI, 3MARIA EDUARDA LUPEPSA BESPALEZ CORREA, 4GUSTAVO AMORIM LISBOA, 5VANESSA RODRIGUES DO NASCIMENTO, 6LUIZ FERNANDO TOMAZINHO
1Acadêmica do PIC/UNIPAR
2Acadêmica do PIC/UNIPAR
3Acadêmica do PIC/UNIPAR
4Cirurgião-Dentista Especialista em Endodontia
5Docente da UNIPAR
6Docente da UNIPAR
Introdução: As lesões endodônticas constituem um desafio recorrente na prática clínica, estando frequentemente associadas a processos infecciosos e inflamatórios que podem comprometer o prognóstico dos dentes tratados (CAMPOS et al., 2017). A avaliação da regressão dessas alterações periapicais é essencial para determinar o sucesso da terapia endodôntica, uma vez que depende da eliminação da infecção intrarradicular e da qualidade técnica do tratamento executado (DIOGO et al., 2024). A análise clínica e radiográfica dos pacientes, aliada ao acompanhamento por meio de fichas clínicas e entrevistas direcionadas, permite compreender a evolução das lesões e fornece subsídios para o aprimoramento das condutas terapêuticas (CAMPOS et al., 2017) e para a padronização de protocolos clínicos mais eficazes (DIOGO et al., 2024). Esse contexto evidencia a importância de investigar a regressão de lesões endodônticas, contribuindo para o desenvolvimento de práticas baseadas em evidências.
Objetivo: Avaliar e descrever a regressão de lesões endodônticas em tratamentos realizados na UNIPAR, por meio da análise das informações obtidas nas fichas clínicas e nas radiografias iniciais dos pacientes, complementada pela realização de exames radiográficos de acompanhamento e por entrevistas clínicas direcionadas para coleta de dados adicionais.
Material e Métodos: Foi conduzido um estudo no acompanhamento clínico-radiográfico nos pacientes que realizaram tratamento endodôntico na Universidade Paranaense (UNIPAR), no período de 2017 a 2024. Os pacientes incluídos no estudo apresentavam lesões periapicais diagnosticadas previamente ao tratamento. 
O protocolo clínico consistiu na realização de uma radiografia inicial (pré-operatória), seguida de radiografias durante o tratamento endodôntico, e, posteriormente, uma radiografia de controle após seis meses da conclusão do tratamento. A partir dessas imagens, foi possível avaliar a evolução da lesão periapical, observando se houve regressão, persistência ou agravamento da condição inicial. Para a análise dos dados, foram feitas comparações qualitativas entre as imagens obtidas ao longo do tempo. Também foi realizada uma revisão de literatura em bases de dados científicas, a fim de embasar os resultados obtidos com dados da literatura atual. A partir disso, foram comparados a regressão, persistência e progressão das lesões, conforme os critérios radiográficos avaliados. Todos os pacientes assinaram um termo de consentimento livre e esclarecido (TCLE), autorizando a utilização de suas imagens radiográficas para fins de pesquisa. Houve aprovação do Comitê de ética em Pesquisa (CAAE: 78797324.0.0000.0109). 
Resultados: Durante os anos de 2017 a 2024, foram analisados os casos de 38 pacientes que receberam intervenções endodônticas na UNIPAR devido a etiologias que afetam a região periapical - sendo suas evoluções clínicas acompanhadas por meio de imagens radiográficas. Dos 38 pacientes, em 33 (86%) se pode observar regressão total da lesão, 4 pacientes (10%) tiveram regressão parcial e 1 paciente (4%) manteve a lesão periapical. 
Discussão: Os resultados são compatíveis com os índices encontrados na literatura, que variam entre 80% e 90% quando há adequada desinfecção e selamento dos canais (CAMPOS et al., 2017). A elevada taxa de sucesso em tratamentos na UNIPAR pode estar relacionada à correta execução das etapas clínicas, incluindo preparo químico-mecânico dos canais e adequada obturação, fatores amplamente apontados como determinantes para o prognóstico (SOUZA et al., 2024). Apesar disso, a persistência ou regressão parcial em 14% dos casos validam achados que evidenciam o papel de microrganismos resistentes, como o Enterococcus faecalis, em falhas endodônticas, mesmo após protocolos rigorosos de assepsia e irrigação (COSTA et al., 2025). Essas bactérias, frequentemente associadas a biofilmes, dificultam a completa eliminação da infecção e podem justificar os casos de manutenção da lesão. Outro aspecto relevante refere-se à limitação da radiografia periapical no acompanhamento das lesões. Estudos indicam que a tomografia computadorizada de feixe cônico possibilita maior precisão diagnóstica, principalmente em casos de variações anatômicas e presença de canais acessórios, podendo modificar condutas clínicas em mais de 40% dos casos (BATISTA et al., 2022). Dessa forma, a ausência desse exame no acompanhamento pode ter contribuído para a não detecção de algumas variações que justifiquem a persistência de lesões.
Conclusão: Os resultados do tratamento realizado na UNIPAR mostraram uma taxa de sucesso acima de 85% de regressão total das lesões, demonstrando múltiplas imagens radiolúcidas. De acordo com o presente na atual literatura, tal porcentagem de sucesso confirma que o tratamento endodôntico realizado na UNIPAR apresenta desempenho comparável aos melhores índices descritos na literatura, embora a adoção de exames de imagem mais avançados e estratégias complementares de desinfecção possam elevar ainda mais as taxas de sucesso.
Referências:
BATISTA, Allyson Vinicius Bonfim; CARVALHO, Brenda Raniely Ferreira de; CÂNDIDO, Ediênnia Mariana do Nascimento; FERREIRA, Gabriella Batista; BRASIL, Alyne Moreira. A tomografia de feixe cônico no diagnóstico do insucesso endodôntico: relato de caso. Brazilian Journal of Surgery and Clinical Research, [s. l.], v. 40, n. 3, p. 15–19, Set. 2022. Disponível em: http://www.mastereditora.com.br/bjscr. Acesso em: 4 set. 2025.
CAMPOS, Fernanda Lamounier; GUIMARÃES, Luiza Cruz; ALMEIDA, Gustavo de Cristofaro; VIANA, Ana Cecília Diniz. Causas de insucessos no tratamento endodôntico – análise dos casos de retratamento atendidos no projeto de extensão da Faculdade de Odontologia da UFMG. Arquivos em Odontologia, Belo Horizonte, v. 53, p. 1-8, Dez. 2017. DOI: 10.7308/aodontol/2017.53.e20. Disponível em: Artigo e20_53_2.indd. Acesso em: 4 set. 2025.
COSTA, Gabriel da Silva; REIS, Rafael Arantes Soares; SOUZA, Raylla Jennifer Silva de; SILVA, Ana Luísa Castro e; MARÇAL, Caroline Weinert; BANTIM, Giseli Ortolan Bueno; VILLANOVA, Marcos Pereira; OLIVEIRA, Renata Aparecida Rosa de. Infecção persistente e sua relação com o insucesso do tratamento endodôntico. Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences, [s. l.], v. 7, n. 4, p. 1082–1092, abr. 2025. Disponível em: https://doi.org/10.36557/2674-8169.2025v7n4p1082-1092. Acesso em: 4 set. 2025. 
DIOGO, Ana Tereza Silva e; et. al,. Retratamento endodôntico e sua relevância na recessão de lesões periapicais. Revista Foco, Curitiba, v. 17, n. 1, p. 01–15, 2024. Disponível em:https://doi.org/10.54751/revistafoco.v17n1-008. Acesso em: 4 set. 2025.
SOUZA, Acácia Kaylany Neto; SILVA, Emilly Maria Valadares da; BATISTA, Breno de Araujo. Retratamento endodôntico não cirúrgico em dentes anteriores. Research, Society and Development, [s. l.], v. 13, n. 7, p. 1-11, Jun. 2024. Disponível em: http://dx.doi.org/10.33448/rsd-v13i7.46129. Acesso em: 4 set. 2025.