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| RELAÇÃO DA UREIA NA REPRODUÇÃO DE FÊMEAS BOVINAS - REVISÃO DE LITERATURA | |
| 1MARIA CLARA GUARNIERI DE ALMEIDA, 2MARIANA TROMBELA, 3CLARA REGINA ANDRÉ RAITZ, 4CECILIA APARECIDA SPADA, 5ALISSON MATHEUS MACAGNAN, 6DENIS VINICIUS BONATO | |
| 1Acadêmica bolsista do PIBIC/UNIPAR 2Acadêmica bolsista do PIBIC/UNIPAR 3Acadêmica de Medicina Veterinária da UNIPAR 4Discente do Programa de Pós-graduação em Ciência Animal com Ênfase em Produtos Bioativos, Universidade Paranaense – UNIPAR. 5Médico Veterinário do Centro de Treinamento Pecuário (CPT) em Castro -PR 6Docente do Programa de Pós-graduação em Ciência Animal com Ênfase em Produtos Bioativos, Universidade Paranaense – UNIPAR. |
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| Introdução: A ureia é um composto orgânico encontrado na digesta dos ruminantes, que pode ser classificada de acordo com sua origem: endógena, obtida através do ciclo da ureia que ocorre no fígado, ou exógena, a partir da adição do composto sintético na alimentação (Townsend et al., 1998). A ureia sintética é uma fonte de nitrogênio não proteico utilizada de forma estratégica durante a estação seca do ano, ou seja, quando as gramíneas tropicais apresentam valores de proteína insuficientes para o aproveitamento pelos microrganismos encontrados no rúmen (Sampaio et al., 2010). A proteína resultante da dieta possui grande importância quando relacionada a reprodução, pois tem sido associada a diminuição no desempenho reprodutivo de bovinos (Westwood et al., 1998). Objetivo: O presente trabalho tem como objetivo abordar a relação da ureia sintética na reprodução de fêmeas bovinas. Desenvolvimento: A ureia, fonte de nitrogênio não proteico utilizada na dieta de ruminantes, quando atinge o rúmen, passa por hidrólise a partir da ação da enzima uréase resultando em gás carbônico (CO₂) e amônia (NH₃), sendo a amônia um composto utilizado pelos microrganismos ruminais para a produção de proteína microbiana que é absorvida pelo intestino e transportada pela corrente sanguínea ou excretada pela urina (Townsend et al., 1998). Portanto, a ureia pode ser considerada um indicador sensível sobre o desequilíbrio energético e proteico a partir da avaliação da eficiência do uso de proteínas pelo animal (Kenny et al., 2002). De acordo com Leroy et al. (2008), uma dieta com altos níveis de proteína dietética resultante da ureia pode afetar a reprodução das fêmeas bovinas por meio do balanço energético negativo, ao aumentar a demanda energética para a conversão de amônia para ureia no fígado, alteração do pH uterino após a ovulação, alterações na produção de prostaglandina (PGF2α) liberada pelo endométrio e alterações nas dinâmicas e secreções do fator de crescimento similar a insulina I (IGF1), hormônio luteinizante (LH) e progesterona (P4) respectivamente, afetando o funcionamento do eixo hipotalâmico hipofisário gonadal. Um estudo realizado por Westwood et al. (1998) revelou que as chances de concepção diminuíram 43% quando encontrados≥19,3 mg/dL de ureia no sangue e ≥420 mg/L no leite, porém, por falta de estudos adicionais, não há confirmação se essa relação possui maior efeito antes ou depois da inseminação artificial. Já Santos (2023), chegou à conclusão que níveis mais altos de ureia pós-ruminal em vacas de corte no final da gestação pode ser benéfico ao melhorar o metabolismo energético e suprir as demandas maternas. Conclusão: Embora existam informações que uma dieta com ureia e altos níveis de proteína possam ser prejudiciais ao desempenho reprodutivo por afetar as ações de hormônios reprodutivos e outros mecanismos fisiológicos, ainda há relações que não estão bem esclarecida. Portanto, é evidente que mais estudos sobre os efeitos da ureia na reprodução de fêmeas bovinas devem ser realizados. |
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| Referências: BUTLER, W.R. Review: Effect of Protein Nutrition on Ovarian and Uterine Physiology in Dairy Cattle. Journal of Dairy Science. v.81, n.9, p.2533-39, 1998. DOI: https://doi.org/10.3168/jds.S0022-0302(98)70146-8. KENNY D.A. et al. Effect of elevated systemic concentrations of ammonia and urea on the metabolite and ionic composition of oviductal fluid in cattle. Biology of Reproduction. v.66, n.6, p.1797-1804, 2002. DOI: 10.1095/biolreprod66.6.1797. LEROY, J.L.M.R. et al. Reduced fertility in high-yielding dairy cows: are the oocyte and embryo in danger? Part II. Mechanisms linking nutrition and reduced oocyte and embryo quality in high-yielding dairy cows. Reproduction in Domestic Animals. v.43, n.5, p.623-632, 2008. DOI: https://doi.org/10.1111/j.1439-0531.2007.00961.x. SAMPAIO, C.B. et al. Intake and digestinility in cattle fed low-quality tropical forage and supplemented with nitrogenous compounds. Revista Brasileira de Zootecnia, v.42, n.7, p.1471-9, 2010. DOI: 10.1007/s11250-010-9581-7. SANTOS, M.M. et al. Can the post-ruminal urea release impact liver metabolism, and nutritional status of beef cows at late gestation?. Public Library of Science, v.18, n.10, 2023. DOI: https://doi.org/10.1371/journal.pone.0293216. TOWNSEND, C. R.; COSTA, N. L.; PEREIRA, R. G. A. Ureia pecuária para produção de carne e leite em Rondônia. Circular Técnica, EMBRAPA, n.37, p.25, 1998. Disponível em: https://www.embrapa.br/busca-de-publicacoes/-/publicacao/699150/ureia-pecuaria-alternativa-para-a-producao-de-carne-e-leite-em-rondonia. WESTWOOD, C.T.; LEAN, I.J.; KELLAWAY, R.C. Indications and implications for testing of milk urea in dairy cattle: A quantitative review. Part 2. Effect of dietary protein on reproductive performance. New Zealand Veterinary Journal. v.46, n.4, p.123-130, 1998. DOI: 10.1080/00480169.1998.36076. |
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