ENDOMETRITE INFECCIOSAS EM ÉGUAS  
1GUILHERME DA SILVA ASSALIN, 2GABRIEL AUGUSTO RATTI DE SOUZA, 3KAYLAINNE DANIELLE RODRIGUES, 4MARIA EDUARDA DE ABREU SILVA, 5MARIA DAMARIS RIBEIRO CAVALCANTE, 6ANDRE GIAROLA BOSCARATO
1Discente do Curso de Medicina Veterinária Bolsista, PIBIC, UNIPAR
2Acadêmico do Curso de Medicina Veterinária da UNIPAR
3Acadêmica do Curso de Medicina Veterinária da UNIPAR
4Acadêmica do Curso de Medicina Veterinária da UNIPAR
5Acadêmica do Curso de Mestrado Em Ciência Animal Com ênfase Em Produtos Bioativos da UNIPAR
6Docente da UNIPAR
Introdução: A endometrite é um processo inflamatório local, que atinge a camada mais superficial do útero em resposta a fatores contaminantes, como detritos, plasma seminal, proteínas do sêmen e bactérias, bem como infecções bacterianas e/ou fúngicas (Carneiro, 2024). Alterações inflamatórias no endométrio levam à incapacidade de concepção, morte prematura do concepto e aumenta os custos de produção, consecutivamente, constituindo um desafio relevante tanto para criadores quanto para médicos veterinários que atuam na reprodução equina (Santos et al., 2024). Do ponto de vista clínico, pode ser classificada em aguda ou crônica, além de ser categorizada conforme o momento de ocorrência, como pós-acasalamento, pós-inseminação, pós inovulação do embrião (Souza, 2023). Habitualmente, a endometrite infecciosa apresenta origem bacteriana ou fúngica, sendo mais identificadas nas culturas microbiológicas as bactérias Streptococcus equi subps. zooepidemicus, Escherichia coli, Pseudomonas aeruginosa, Klebsiella pneumonie e os fungos Candida guilliermondii, C. tropicalis, Taylorella equigenitalis, Pseudomonas aeruginosa (Carneiro, 2024). Santos et al. (2024) comenta que o diagnóstico é realizado através da anamnese, exame ginecológico e ultrassonografia. Exames complementares auxiliam o diagnóstico, como a citologia endometrial, que permite a detecção de células inflamatórias e microrganismos, tais como bactérias ou fungos (Botelho et al., 2024). Já a cultura bacteriana é realizada para a identificação e isolamento dos patógenos causadores (Ribeiro, 2019). Na endometrite infecciosa crônica também pode ser feita a biópsia endometrial, muitas vezes as bactérias não estão apenas na região superficial do endométrio (Santos et al., 2024). Outra alternativa eficaz é através do lavado uterino de baixo volume, onde, com a solução recuperada, podem ser realizados tanto exames citológicos quanto de microbiológicos (Ramos, 2025).
Objetivo: O presente trabalho é uma revisão de literatura, que tem como objetivo abordar os principais aspectos relacionados a endometrite infecciosas em águas, fornecendo informações relevantes para aprimorar os conhecimentos em clínica médica de grandes animais.
Desenvolvimento: Botelho et al. (2024) comenta que as características inatas da espécie equina a torna mais suscetível a infecções uterinas. Os métodos terapêuticos visam eliminar a infecção e restabelecer a capacidade reprodutiva da égua (Aguiar et al., 2021). Geralmente, o tratamento da endometrite envolve a utilização de antibióticos específicos para combater os agentes patogênicos presentes no útero (Carneiro, 2024). A primeira etapa é isolar e identificar qual agente etiológico através da cultura bacteriana (Ramos, 2025). A partir do antibiograma é possível selecionar medicamento específicos para o tratamento, visando diminuir a resistência antimicrobiana (Ribeiro, 2019). A penicilina, a gentamicina e o ceftiofur são alguns dos antibióticos mais comumente usados, administrados por via intrauterina (Botelho et al., 2024). Santos et al. (2024) nos traz que em situações de infecções por fungos, antifúngicos como a nistatina ou o cetoconazol são aplicados localmente, geralmente por um período de 7 a 10 dias. A lavagem uterina, além do uso de medicamentos, é uma prática habitual para eliminar secreções inflamatórias e resíduos celulares, o que facilita a ação dos antibióticos (Ramos, 2025). O uso de ocitocina, que estimula as contrações uterinas, é outro método crucial para auxiliar na limpeza do útero e na eliminação do fluido acumulado (Ramos, 2025). Em certas situações, a injeção de plasma com leucócitos é feita para promover a fagocitose bacteriana, contribuindo para a erradicação da infecção (Kohne et al., 2023).
Conclusão: A endometrite em éguas é uma condição complexa e desafiadora, que afeta significativamente a saúde reprodutiva. A reação inflamatória do endométrio, prejudica a fertilidade e pode levar a sérias consequências, como a formação de aderências e abscessos no útero, devendo ser diagnosticada e tratada o mais breve possível.
Referências:
AGUIAR, D. M. et al. Etiologia e sensibilidade in vitro de microrganismos aeróbicos isolados de endometrite eqüina. Arquivos do Instituto biológico, v. 72, n. 1, p. 107-109, 2021.
BOTELHO, J. H. V. et al. Does the Uterine Ozone Therapy Alter the Transcript Profile of Anti‐and Proinflammatory Genes in Mares With Endometritis?. Reproduction in Domestic Animals, v. 59, n. 9, p. e14718, 2024.
CARNEIRO, G. F. Management of chronic infectious and chronic degenerative endometritis in mares: A narrative review of the literature. Research, Society and Development, [S. l.], v. 13, n. 10, p. e46131047089, 2024. Disponível em: https://rsdjournal.org/rsd/article/view/47089. Acesso em: 4 sep. 2025.
KÖHNE, M. et al. Comparison of systemic trimethoprim-sulfadimethoxine treatment and intrauterine ozone application as possible therapies for bacterial endometritis in equine practice. Frontiers in veterinary science, v. 10, p. 1102149, 2023.
RAMOS, F. A. S. Isolamento de bactérias do útero de éguas utilizando o lavado de alto volume associado ao procedimento de recuperação embrionária. 2025. 34 f. Dissertação (Mestrado em Ciências Veterinárias) - Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, 2025. 
RIBEIRO, Tiago José Esteves. Abordagem à Adaptação da Citocentrifugação no Diagnóstico Citológico de Endometrite Equina. 2019. Dissertação de Mestrado. Universidade do Porto, Portugal. 2019.
SANTOS, A. O. et al. Manejo da endometrite crônica infecciosa e crônica degenerativa em éguas: Uma revisão narrativa da literatura. Research, Society and Development, v. 13, n. 10, p. e46131047089-e46131047089, 2024.
SOUZA, C. C. P. Abordagem terapêutica de endometrite em central de reprodução equina. 2023. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Medicina Veterinária) – Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, 2023.