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| Morus nigra L. COMO FONTE DE COMPOSTOS BIOATIVOS PARA CONSERVAÇÃO DE ALIMENTOS | |
| 1BRUNA DE PAULA BELINI, 2MARIA GRACIELA IECHER FARIA NUNES, 3ZILDA CRISTIANI GAZIM, 4SUELEN PEREIRA RUIZ HERRIG | |
| 1Acadêmica do Curso de Doutorado Em Biotecnologia Aplicada À Agricultura - UNIPAR 2Docente da UNIPAR 3Docente da UNIPAR 4Docente da UNIPAR |
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| Introdução: A produção de alimentos seguros é um desafio, pois, mesmo com tecnologias de conservação, há risco de contaminação por microrganismos patogênicos e deteriorantes, que alteram características sensoriais e causam Doenças Transmitidas por Alimentos (DTAs). Os principais agentes são Staphylococcus aureus, Escherichia coli, Salmonella spp., Bacillus cereus, Clostridium perfringens e Shigella spp. (Ferreira et al., 2020). Essas enfermidades atingem cerca de 600 milhões de pessoas por ano e causam 420 mil mortes, sobretudo em crianças menores de cinco anos. No Brasil, entre 2007 e 2020, registrou-se média anual de 662 surtos, totalizando mais de 156 mil casos. Os sintomas incluem náuseas, vômitos, diarreia e febre, podendo evoluir para complicações graves em grupos vulneráveis (Ministério da Saúde, 2022). A indústria alimentícia utiliza métodos como resfriamento, controle de umidade, exclusão de oxigênio, irradiação e aditivos químicos para conservação (Azevedo; Leonardi, 2018). Contudo, alguns conservantes sintéticos, embora eficazes, podem causar efeitos adversos quando usados inadequadamente, como reações alérgicas, distúrbios gastrointestinais e toxicidade. O sorbato de potássio inibe fungos e bactérias, mas em excesso pode ser genotóxico (Romli et al., 2023). O nitrito de sódio previne Clostridium botulinum, mas pode gerar nitrosaminas cancerígenas e metemoglobinemia (Zerbo et al., 2023). A busca por alternativas naturais destaca compostos vegetais, como os de Morus nigra, planta rica em antocianinas e ácidos fenólicos, com potencial antioxidante e antimicrobiano. A amora (Morus nigra L.), originária da Ásia e cultivada no Brasil, adapta-se bem à região Sul e possui cerca de 24 espécies reconhecidas. Seus frutos e folhas são ricos em compostos bioativos como antocianinas, flavonoides, ácidos fenólicos, vitaminas C e E, e ácidos graxos essenciais (Pereira; Rambo, 2023). Objetivos: Relatar o potencial de Morus nigra como alternativa natural para conservação de alimentos, analisando suas propriedades antioxidantes e antimicrobianas presentes em folhas e frutos. Desenvolvimento: As antocianinas, especialmente cianidina-3-O-glucosídeo, são responsáveis pela cor intensa do fruto e pela alta atividade antioxidante. Além de ação antimicrobiana contra Salmonella enteritidis, Escherichia coli e Staphylococcus aureus (Pereira; Rambo, 2023). Estudos também apontam efeitos anti-inflamatórios e potenciais anticancerígenos, associados à inibição de mediadores inflamatórios e indução de apoptose em células tumorais (Maciel et al., 2002). O extrato hidroalcoólico bruto das folhas de M. nigra e suas formulações apresentaram atividade antibacteriana, avaliada por microdiluição para determinação da concentração inibitória mínima (CIM) e bactericida mínima (CBM) contra S. aureus (0,39 mg/mL), S. aureus MRSA (1,56 mg/mL) e Salmonella choleraesuis (3,12 mg/mL). Em relação à CBM, o extrato e as formulações foram mais efetivos principalmente para MRSA (0,39 mg/mL) e S. choleraesuis (0,78 mg/mL) (Melo et al., 2022). Pesquisas anteriores mostraram que o extrato etanólico bruto das folhas foi bactericida contra Bacillus cereus, Enterococcus faecalis e E. coli em concentrações inferiores a 0,195 mg/mL, e inibitório contra S. aureus e S. choleraesuis em 12,50 mg/mL; a fração hexânica foi eficaz contra B. cereus e E. faecalis e inibiu E. coli, S. choleraesuis e S. marcescens a 3,12 mg/mL (Souza et al., 2018). As folhas de M. nigra apresentaram atividade antimicrobiana significativa, com a fração de acetato de etila ativa contra Streptococcus mutans, E. coli, S. aureus e Bacillus subtilis, além de inibir 87% da formação de biofilme; a fração de clorofórmio foi eficaz contra P. aeruginosa e B. subtilis, e a metanólica apenas contra B. subtilis, enquanto extratos etanólico, de hexano e acetato de etila mostraram ação contra B. cereus e E. faecalis, com destaque para o extrato de clorofórmio, bactericida contra S. choleraesuis (Souza et al. 2018). Já os frutos demonstraram ampla atividade, com extrato de flavonoides inibindo E. coli, P. aeruginosa e S. aureus (MBC ≤ 2 mg/mL), o suco fresco se mostrou ativo contra bactérias Gram-positivas e Gram-negativas, especialmente P. aeruginosa (Chen et al. 2018), e extratos etanólico, acetônico, metanólico e clorofórmico mostrando inibição contra várias cepas, incluindo Neisseria spp., K. pneumoniae, S. epidermidis e S. marcescens. Além disso, o extrato etanólico apresentou ação contra bactérias associadas à acne (S. epidermidis e P. acnes) (Budiman et al. 2017). Conclusão: Os estudos mostraram que M. nigra apresenta potencial como conservante natural, com compostos bioativos antioxidantes e antimicrobianos eficazes contra diversas bactérias, inclusive resistentes, podendo substituir ou agir em sinergismo com conservantes químicos em alimentos e produtos funcionais. |
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| Referências: AZEVEDO, B. M.; LEONARDI, J. G. Métodos de Conservação de Alimentos. Revista Saúde em Foco, n. 10, p. 51-61, 2018. BUDIMAN, A. et al. Antibacterial and antioxidant activity of black mulberry (Morus nigra L.) extract for acne treatment. Pharmacognosy Journal, v. 9, p. 611-614, 2017. CHEN, H. et al. Antinociceptive and antibacterial properties of anthocyanins and flavonols from fruits of black and non-black mulberries. Molecules, v. 23, n. 4, 2018. FERREIRA, M. J. G. et al. Antimicrobial activity and chemical characterization of the bark decoction of cumaru stem. Ciência Rural, v. 50, n. 3, 2020. MACIEL, M. A. M. et al. Plantas Medicinais: a necessidade de estudos multidisciplinares. Química Nova, v. 23, p. 429–438, 2002. MELO, R. S. et al. Phytocosmetic emulsion containing extract of Morus nigra L. (Moraceae): development, stability study, antioxidant and antibacterial activities. Cosmetics, v. 9, n. 2, p. 39, 2022. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Doenças de Transmissão Hídrica e Alimentar (DTHA). OMS, 2022. PEREIRA, R. S.; RAMBO, R. B. S. Composição fitoquímica e propriedades farmacológicas potenciais da Morus nigra L.: uma revisão narrativa. Revista Científica Eletrônica do Conselho Regional de Farmácia da Bahia, Salvador, v. 2, n. 1, 2023. ROMLI, N. F. A. et al. The efficacy of sodium benzoate and potassium sorbate in inhibiting the growth of food fungi and bacteria. Songklanakarin Journal of Science and Technology, v. 45, n. 1, p. 138–145, 2023. SOUZA, G. R. et al. Assessment of the antibacterial, cytotoxic and antioxidant activities of Morus nigra L. (Moraceae). Brazilian Journal of Biology, v. 78, p. 248-254, 2018. ZERBO, S. et al. A fatal suicidal sodium nitrite ingestion determined six days after death. Journal of Forensic and Legal Medicine, v. 98, p. 102576, 2023. |
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