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| RODA DE ESCUTA - UMA PRÁTICA DE ACOLHIMENTO | |
| 1RAQUEL BASTOS CORREIA, 2ANGELA MORBECK GOMES, 3JOSAVIAS ANTHONY OSHIRO COSTA | |
| 1Academica de Psicologia - Unipar Cianorte 2Acadêmica de Psicologia - Unipar Cianorte 3Docente da UNIPAR |
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| Introdução: O presente trabalho pretende apresentar a experiência e os resultados do Estágio Básico Obrigatório II na Política de Assistência Social. Essa atividade, de natureza interventiva, foi realizada no Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS), com pessoas em situação de rua. Conforme Silva e Corgozinho (2011) o Sistema Único de Assistência Social (SUAS) tem o objetivo de assegurar proteção social a indivíduos e famílias em situação de vulnerabilidade, para promover o bem-estar, inclusão social e dignidade da população. CREAS e a Abordagem Social entram como serviços ofertados pelo SUAS para pessoas e famílias em situação de risco pessoal ou social, cujos direitos foram violados ou ameaçados (CFP, 2012). Cabe destacar que no início da disciplina de estágio houve a inauguração do Centro de Referência Especializado de Assistência Social para a População em Situação de Rua (Centro POP). Ofertado no âmbito da Proteção Social de Média Complexidade, estes serviços devem garantir e promover atenção as necessidades mais imediatas das famílias e dos indivíduos atendidos e o acesso às redes de serviços socioassistenciais visando a garantia de direitos (Colin; Gomes, 2013). Nosso referencial teórico foi baseado na Psicologia Histórico-Cultural e na Psicologia Social Comunitária, no qual, é essencial análise das dinâmicas histórico-sociais e comunitárias para o desenvolvimento do psiquismo dos sujeitos (Gonçalves; Portugal, 2016). Objetivo: Compreender o papel da Psicologia neste contexto e estabelecer uma relação de trocas e vivências com as pessoas em situação de rua, na qual, fosse possível desenvolver vínculos e conhecer de modo genuíno suas histórias, demandas e necessidades. Metodologia: A intervenção desenvolvida ao longo do estágio foi construída com base em uma dinâmica de grupo, no modelo de roda de conversa. Esta escolha metodológica cumpre uma função importante para a construção de uma dinâmica de relações que possibilitam as trocas entre os participantes e o reconhecimento do grupo, a partir dos diferentes relatos individuais (Costa et al. 2015). Foram planejados três encontros com duração de 60 minutos, com a participação média de oito pessoas. Os temas trabalhados foram sugeridos pelos próprios participantes, funcionando como norteadores das conversas. Para produção e coleta dos temas sugeridos, montamos uma caixa, na qual, os participantes puderam inserir de forma escrita as suas sugestões. Discussões e resultados: A possibilidade desenvolver esta atividade interventiva no Centro POP enriqueceu a experiência de estágio, pois ali encontramos um espaço privilegiado de compreensão do papel do psicólogo neste equipamento – a saber, o de fortalecer o vínculo com os usuários, dar a apoio as suas necessidades, enquanto pessoas em situação de rua e proporcionar uma referência de conhecimento dos seus direitos (CRP-MG, 2015). Enquanto estagiárias pudemos vivenciar as demandas decorrentes destes usuários, bem como o dia a dia tanto deles, quanto dos profissionais que estão a frente deste trabalho. Como principais demandas foram: as queixas da exclusão que sofrem perante a sociedade e a falta de apoio que eles têm ao sair das casas de recuperação (comunidades terapêuticas) – condições comuns observadas na prática de estágio. Nesse sentido, a intervenção permitiu dar voz as angústias dessas pessoas, compreendendo-as sem julgamentos, além de proporcionar um espaço acolhedor e seguro exposição de suas experiências de vida e dilemas. Uma das maiores dificuldades, consoante com a literatura a respeito das pessoas em situação de rua, foi a alta rotatividade durante os encontros, apesar disso foi possível, para ao menos aqueles que frequentaram com alguma regularidade, proporcionar um momento de escuta e acolhimento. Conclusão: O Estágio Básico Supervisionado II, oferece um aprendizado mais aprofundado da Psicologia, e suas áreas específicas, bem como o desenvolvimento do estagiário em pensar sobre intervenções e aplicá-las no âmbito do SUAS, especificamente na Abordagem Social e posteriormente no Centro POP. Além disso, entendemos que os objetivos propostos pela intervenção foram alcançados dentro do possível para o tempo disponível. O referencial teórico trabalho ao longo dos estágios básicos I e II nos deram os fundamentos para analisar e compreender a realidade, a partir da vida concreta dos sujeitos atendidos pelo CREAS. Destacamos, por fim, a necessidade de mais pesquisas e intervenções no âmbito da Política de Assistência Social, que embora a atuação do psicólogo tenha abertura e reconhecimento, sua prática e papel ainda se encontram em construção. |
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| Referências: CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA (CFP). Referências técnicas para atuação de psicólogas(os) no Centro de Referência Especializado da Assistência Social CREAS. Brasília: CFP, 2012. Disponível em: https://site.cfp.org.br/publicacao/referencias-tecnicas-sobre-a-pratica-de-psicologas-os-no-centro-de-referencia-especializado-da-assistencia-social-creas/Acesso em: 30 set. 2023. CONSELHO REGIONAL DE PSICOLOGIA - MINAS GERAIS (CRP-MG). A psicologia e a população em situação de rua: novas propostas, velhos desafios. CRP-MG: Belo Horizonte, 2015. GOMES, M. V.; GARDING, N. M. B.; FALSARELLA, M. A. I.; et al. A intervenção do Serviço Social com a população em situação de rua. Revista Gestão em Foco, n. 12, 2020. COSTA, R. R. DE O. et al. As rodas de conversas como espaço de cuidado e promoção da saúde mental. Revista Brasileira Ciências da Saúde - USCS, v. 13, n. 43, p. 30-36, 2015. SILVA, J. V. da; CORGOZINHO, J. P. Atuação do psicólogo, SUAS/CRAS e psicologia social comunitária: possíveis articulações. Psicologia & Sociedade, Belo Horizonte, v. 23, n. esp., p. 12-21, 2011. |
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