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| ANTIBIOTICOTERAPIA EM PACIENTES CRÍTICOS COM ALERGIA À PENICILINA NA UTI | |
| 1RENATA DE ARAUJO FERREIRA, 2IGOR FABIANO DA SILVA, 3MARIA FERNANDA LUNELLI, 4RAFAEL DOS SANTOS PEREIRA, 5JACKSON ERASMO FUCK, 6FABIANA BALBINO SANTAANA FUCK | |
| 1Acadêmico do curso de Medicina da UNIPAR 2Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR 3Acadêmico do curso de Medicina da UNIPAR 4Acadêmico do curso de Medicina da UNIPAR 5Docente da UNIPAR 6Docente da UNIPAR |
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| Introdução: A alergia à penicilina é um rótulo frequente entre pacientes hospitalizados e, em proporção relevante, também na UTI. Contudo, a maior parte desses rótulos não corresponde à hipersensibilidade verdadeira e leva ao uso de antimicrobianos alternativos de espectro mais amplo, com impacto negativo em desfechos clínicos e na ecologia microbiana. Revisões recentes descrevem que a prevalência de rótulos de alergia a antibióticos em pacientes hospitalizados chega a 20%, mas mais de 80–90% são excluídos após avaliação formal, e que esses rótulos se associam a piores desfechos e maior utilização de agentes subótimos (Moran et al., 2019; Sacco et al., 2017). Objetivo: Discutir estratégias seguras de antibioticoterapia em pacientes críticos rotulados como alérgicos à penicilina, conciliando urgência terapêutica, eficácia antimicrobiana e prevenção de eventos adversos. Desenvolvimento: Na sepse grave, a escolha precoce e adequada do antibiótico é determinante. O rótulo de alergia à penicilina frequentemente leva ao uso de glicopeptídeos, quinolonas e aztreonam, muitas vezes menos eficazes que β-lactâmicos de primeira linha (Evans et al., 2021). A reavaliação da história clínica é fundamental, na maioria dos pacientes de baixo risco, pode-se utilizar cefalosporinas ou carbapenêmicos com segurança, considerando a baixa taxa de reação cruzada e diferenças nas cadeias laterais (Khan et al., 2022). Nos casos em que a alergia relatada é leve ou remota, estudos demonstraram que testes ou desafios supervisionados permitem descartar a alergia e garantir o uso do antibiótico mais adequado, inclusive em pacientes críticos (Koo et al., 2022; Rose et al., 2024). Em situações de maior risco, alternativas seguras ou protocolos de dessensibilização podem ser aplicados. A padronização dessa abordagem na UTI reduz mortalidade, tempo de internação e risco de resistência (Stollings et al., 2023; Alamin et al., 2025). Conclusão: Portanto, em pacientes críticos com suspeita de alergia à penicilina, a conduta deve incluir reavaliação diagnóstica e uso criterioso de alternativas, como cefalosporinas e carbapenêmicos em baixo risco, além de testes supervisionados. Isso garante segurança, eficácia e racionalidade no uso de antimicrobianos na UTI. |
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| Referências: ALAMIN, S. et al. Antibiotic allergy de-labeling in the intensive care unit: the prospective ADE-ICU study. Journal of Critical Care, 2025. EVANS, L. et al. Surviving sepsis campaign: international guidelines for management of sepsis and septic shock 2021. Intensive Care Medicine, 2021. KHAN, D. A. et al. Drug allergy: a 2022 practice parameter update. Journal of Allergy and Clinical Immunology, 2022. KOO, G. et al. Low-risk penicillin allergy delabeling through a direct oral challenge in immunocompromised and/or multiple drug allergy labeled patients in a critical care setting. Journal of Allergy and Clinical Immunology: In Practice, v. 10, n. 6, p. 1660-1663.e2, 2022. LOPES, M. A.; GOÜEL-CHERON, A.; NSEIR, S. Challenges and opportunities in antibiotic allergy de-labeling in intensive care units: the time is now! Journal of Critical Care, 2025. MORAN, R. et al. Antibiotic allergy labels in hospitalised and critically ill adults: a review of current impacts of inaccurate labelling. British Journal of Clinical Pharmacology, v. 85, n. 5, p. 1034-1047, 2019. ROSE, M. T. et al. Oral challenge vs routine care to assess low-risk penicillin allergy in the ICU: the ORACLE pilot RCT. Pilot and Feasibility Studies, v. 10, n. 1, p. 1-10, 2024. SACCO, K. A. et al. Clinical outcomes following inpatient penicillin allergy testing: a systematic review and meta-analysis. Allergy, v. 72, n. 9, p. 1288-1296, 2017. STOLLINGS, J. L. et al. Risk-stratified management to remove low-risk penicillin allergy labels in the ICU. Journal of Allergy and Clinical Immunology: In Practice, 2023. |
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