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| ÁREAS DE BRODMANN COMO REFERENCIAL NEUROANATÔMICO E CLÍNICO NA PROGRESSÃO DA DOENÇA DE ALZHEIMER | |
| 1ISABELLI VITORIA CICHOCKI, 2ANA LAURA NOGUEIRA, 3CECILIA ALINE LOPES DE SOUZA, 4LAINY LEINY DE LIMA | |
| 1Discente do curso de Medicina, Universidade Paranaense - UNIPAR 2Discente do curso de Medicina, Universidade Paranaense - UNIPAR 3Discente do curso de Medicina, Universidade Paranaense - UNIPAR 4Docente do curso de Medicina, Universidade Paranaense - UNIPAR |
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| Introdução: A Doença de Alzheimer (DA), descrita pela primeira vez pelo neurologista alemão Alois Alzheimer, é uma condição neurodegenerativa de curso progressivo e irreversível que compromete, de forma gradual, diversas funções cognitivas (Hippius; Neundörfer, 2003). Os principais prejuízos são a perda de memória, dificuldades na linguagem, deterioração do raciocínio lógico e a incapacidade de realizar atividades da vida diária de forma independente, resultando na perda progressiva da autonomia funcional, sendo que, durante sua evolução, as áreas corticais específicas são afetadas de maneira sistemática, o que se relaciona diretamente com os déficits cognitivos apresentados nos diferentes estágios clínicos da enfermidade (Defina et al., 2013). Nesse contexto, o mapa estrutural do cérebro, representado pelas Áreas de Brodmann, identifica regiões funcionais citoarquiteturais com correspondências eletrofisiológicas, o que contribui para a compreensão dos padrões de comprometimento cerebral na DA, ao relacionar áreas anatômicas específicas com funções cognitivas e comportamentais (Damiani; Nascimento; Pereira, 2017). Objetivo: Estabelecer a correlação entre a neuroanatomia e a anatomia clínica na Doença de Alzheimer, enfatizando as Áreas de Brodmann na sua progressão. Desenvolvimento: A DA manifesta-se, na maioria dos casos, na forma típica amnésica, caracterizada por dificuldade predominante da memória episódica relacionada a lesões degenerativas das estruturas temporais mediais, correspondendo a aproximadamente 85% dos casos, enquanto as apresentações atípicas e menos frequentes podem iniciar-se com predomínio de alterações da linguagem, das habilidades visuais-espaciais, das funções executivas ou motoras complexas, como a síndrome disexecutiva (Schilling et al., 2022). Damiani, Nascimento e Pereira (2017) relatam que a progressão dessa condição neurodegenerativa segue um padrão topográfico bem definido, e as conexões entre as áreas límbicas, temporais e pré-frontais são as mais afetadas e que na Doença de Alzheimer as primeiras regiões afetadas pertencem ao lobo límbico, e relacionam-se diretamente com à memória episódica e à orientação espacial, constituídas das áreas 23, 26, 28, 29, 30 e 35 de Brodmann. A área 28 de Brodmann, correspondente ao córtex entorrinal - localizado no lobo temporal medial, é responsável por atuar como porta de entrada para o hipocampo, auxiliando na consolidação da memória, alterações nessa área podem levar a desorientação espacial e dificuldade na evocação da memória recente, em complementação, a área 23, localizada no giro do cíngulo posterior no lobo parietal, também está entre as primeiras áreas a sofrer alterações estruturais e funcionais, estando envolvida nos processos de memória e atenção (Guy-Evans, 2025), alterações nessas áreas compactuam com sintomas clássicos da DA. No decorrer da evolução da doença, outras áreas temporais de Brodmann são afetadas, como a 20, associada ao reconhecimento visual e à memória semântica, e a 38, relacionada à apresentação de crises epilépticas no lobo temporal e onde estudos recentes com ressonância magnética nuclear funcional revelaram participar de vários neurocircuitos, incluindo: memória de trabalho, fonognosia (reconhecimento de sons familiares, resposta aversiva e prazerosa a sons), processamento da linguagem e funções executivas e emocionais (Brodmann, 1914 citado por Damiani; Nascimento; Pereira, 2017). A deterioração dessas duas regiões supracitadas está relacionada à perda da capacidade de reconhecer rostos familiares, compreender linguagem e processar emoções - características típicas dos estágios moderados da doença. Em fases mais avançadas, as doenças degenerativas apresentam efeitos e se estendem às áreas pré-frontais 9 e 10, responsáveis pelas funções executivas, planejamento e julgamento, cuja degeneração pode manifestar-se em apatia, desinibição e dificuldades de tomada de decisão (Damiani; Nascimento; Pereira, 2017), sintomas frequentes nos estágios mais avançados da DA. Conclusão: Ao seguir um padrão de comprometimento cortical progressivo, a Doença de Alzheimer evidencia a relevância do mapeamento funcional cerebral proposto por Brodmann, e ao correlacionar estruturas anatômicas específicas com funções cognitivas, essas áreas oferecem uma base sólida para compreender os processos degenerativos observados nos diferentes estágios da doença. A partir do envolvimento precoce de regiões límbicas relacionadas à memória, até a deterioração progressiva de áreas temporais e pré-frontais, responsáveis por linguagem, emoções e funções executivas, é possível delinear uma trajetória anatômico-clínica compatível com os sintomas característicos da DA. Dessa forma, torna-se evidente a importância da integração entre a neuroanatomia funcional e a anatomia clínica, pois o reconhecimento precoce das áreas cerebrais comprometidas favorece diagnósticos mais precisos e intervenções terapêuticas individualizadas, contribuindo de maneira significativa para o enfrentamento das doenças neurodegenerativas de forma geral. |
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| Referências: BRODMANN, K. In Allgemeine Chirurgie der Gehirnkrankheiten, 86426 (Verlag von Ferdinand Enke, Stuttgart, 1914). DAMIANI, D.; NASCIMENTO, A. M.; PEREIRA, L. K. Cortical Brain Functions - The Brodmann Legacy in the 21st Century. Arquivos Brasileiros de Neurocirurgia: Brazilian Neurosurgery, v. 39, n. 04, p. 261–270, 2017. DEFINA, P. A. et al. Alzheimerʼs Disease Clinical and Research Update for Health Care Practitioners. Journal of Aging Research, v. 2013, p. 1-9, 2013. GUY-EVANS, O. Brodmann Areas Of The Brain. Trabalho revisado por Saul McLeod. Disponível em: https://www.simplypsychology.org/brodmann-areas.html. Acesso em: 07 de setembro de 2025. HIPPIUS, H.; NEUNDÖRFER, G. The discovery of Alzheimerʼs disease. Dialogues in Clinical Neuroscience, v. 5, n. 1, p. 101-108, 2003. SCHILLING, L. P. et al. Diagnóstico da doença de Alzheimer: recomendações do Departamento Científico de Neurologia Cognitiva e do Envelhecimento da Academia Brasileira de Neurologia. Dementia & Neuropsychologia, v. 16, p. 25-39, 2022. |
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