A IMPORTÂNCIA DA ODONTOLOGIA HOSPITALAR NA UTI: ESTRATÉGIAS PARA MELHORIA DO CUIDADO E REDUÇÃO DE CUSTOS - REVISÃO DE LITERATURA  
1VIVIANE MARTINS DE OLIVEIRA, 2AYANY KAMILLI SILVA SOUZA, 3DIEISE PALOMA SALOME, 4DANIELLA LONDERO SILVA BATISTI
1Acadêmica do curso de Odontologia da Universidade Paranaense/UNIPAR
2Acadêmica do Curso de Odontologia da UNIPAR
3Acadêmica do Curso de Odontologia da UNIPAR
4Docente da UNIPAR
Introdução: A odontologia hospitalar vem ganhando espaço como parte integrante do cuidado multidisciplinar em unidades de terapia intensiva (UTI), especialmente diante da crescente evidência científica que demonstra sua importância na prevenção de infecções respiratórias e complicações orais em pacientes críticos. Estudos indicam que a presença do cirurgião-dentista na UTI contribui significativamente para a redução de infecções, como a pneumonia associada à ventilação mecânica (VAP), além de promover bem-estar e recuperação mais rápida. Pacientes em estado crítico, muitas vezes, não conseguem realizar sua própria higiene bucal, o que aumenta o risco de colonização bacteriana e consequente agravamento do quadro clínico. Dessa forma, torna-se essencial a inserção de um profissional capacitado para promover cuidados odontológicos adequados nesse ambiente.
Objetivo: Este trabalho tem como objetivo demonstrar a relevância da atuação do dentista na UTI, destacando os benefícios clínicos e econômicos dessa prática, com base em uma revisão de literatura atualizada, a fim de reforçar a necessidade de sua implementação nos serviços hospitalares.
Desenvolvimento: A presença do dentista na UTI permite a realização de intervenções que previnem complicações orais, como mucosite, candidíase, xerostomia e úlceras traumáticas. A higienização bucal adequada de pacientes intubados é fundamental para evitar a aspiração de biofilme contaminado, reduzindo, assim, a incidência de VAP. Oliveira et al. (2023) apontam que a higiene bucal regular em UTIs pode reduzir em até 30% os casos de pneumonia associada à ventilação. Essa redução impacta diretamente nos custos hospitalares, como demonstrado por Magalhães et al. (2022), que relataram economia significativa com antibióticos e menor tempo de internação. Além disso, a odontologia hospitalar colabora na identificação precoce de lesões orais que poderiam agravar o quadro geral do paciente. Segundo Costa et al. (2021), hospitais que adotaram serviços odontológicos em UTIs observaram uma redução de 40% nas complicações bucais, o que favoreceu a recuperação mais rápida dos pacientes internados por mais de 72 horas. Outro benefício destacado é o aumento do conforto e bem-estar dos pacientes. Procedimentos simples, como a hidratação da mucosa bucal e remoção de biofilme, proporcionam alívio de sintomas como boca seca e dor, contribuindo para uma experiência menos traumática durante a internação. Além disso, a atuação do dentista promove uma integração eficaz com a equipe multidisciplinar, auxiliando médicos e enfermeiros na condução de cuidados específicos. A implantação da odontologia hospitalar exige a disponibilidade de equipamentos portáteis, materiais adaptados e protocolos de biossegurança rigorosos. Os serviços prestados incluem avaliação clínica, higienização de pacientes entubados, laserterapia para alívio da dor, tratamento de lesões orais e intervenções simples, como extrações de urgência. A rotina pode ser ajustada conforme a demanda hospitalar, com atendimentos diários de até duas horas. Casos clínicos, como o de uma criança de três anos na UTI pediátrica e um recém-nascido na UTI neonatal, demonstram na prática os benefícios da higienização bucal sistemática, com uso de clorexidina, gaze e óleos naturais, evidenciando melhora na mucosa e prevenção de infecções. Do ponto de vista econômico, Magalhães et al. (2022) relatam que a presença do dentista reduziu os custos com internações prolongadas em até 25%. A menor permanência no hospital e a prevenção de infecções sistêmicas contribuem para a liberação mais rápida de leitos e para a rotatividade eficiente de pacientes. A avaliação da eficácia do programa deve ser feita com base em indicadores como a taxa de VAP, o número de complicações orais, o tempo médio de internação e a satisfação da equipe médica e dos pacientes. Com planejamento adequado e capacitação da equipe, é possível garantir um serviço eficiente e sustentável.
Conclusão: A odontologia hospitalar na UTI representa um avanço significativo na qualidade da assistência prestada aos pacientes críticos. Sua implementação tem demonstrado resultados positivos na prevenção de complicações, recuperação mais rápida, melhoria do conforto e redução de custos. Dessa forma, a atuação do cirurgião-dentista deve ser considerada uma estratégia essencial no contexto hospitalar, contribuindo para uma abordagem mais completa, segura e humanizada no cuidado intensivo.
Referências:
Costa, F. T. et al. (2021). Cuidados odontológicos em UTIs: O impacto na recuperação de pacientes críticos. Revista Brasileira de Odontologia.
Magalhães, D. S. et al. (2022). Custos hospitalares e a prevenção de pneumonia associada à ventilação mecânica: O impacto da odontologia hospitalar. Revista Brasileira de Saúde Pública.
Oliveira, J. D. et al. (2023). Odontologia na UTI: Prevenção de complicações respiratórias e melhora na recuperação dos pacientes críticos. Revista Brasileira de Odontologia Hospitalar.