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DO ESCRITÓRIO À NUVEM: ADULTOS NA ERA DO CAPITALISMO COGNITIVO |
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| 1ISABELLA DE BRITO BORGES, 2THALITA VITORIA CAMPOS MARIANO, 3RONALDO PEREIRA BARBOSA | |
| 1Acadêmica do Curso de Psicologia da UNIPAR 2Acadêmica do Curso de Psicologia da UNIPAR 3Docente da UNIPAR |
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| Introdução: O presente trabalho irá abordar sobre o impacto do capitalismo cognitivo na vida adulta. Com o desenvolvimento da sociedade, as demandas do mercado de trabalho têm se alterado, assim como o surgimento de novas modalidades de atuação, como por exemplo, por meio de plataformas digitais, levando a auto exploração e instabilidade emocional. Assim, torna-se necessário buscar entender as consequências que emergem desse novo modelo produtivo. Objetivo: Analisar os impactos do capitalismo cognitivo na vida adulta, com foco nas transformações das dinâmicas de trabalho contemporâneas e compreender as consequências decorrentes desse novo modelo produtivo. Desenvolvimento: Ao observar o cenário, é possível compreender que, por milhares de anos, a sociedade foi capaz de prover meios de sobrevivência a partir, inicialmente, de sistemas tradicionais e, mais recentemente, influenciada pelo controle dos grandes sistemas fabris, divididos em classes sociais, constituídas por aqueles que trabalhavam a terra, reduzidos a fome, e aqueles que se apropriavam do trabalho dos outros, destinados a fortuna. Portanto, assim como os trabalhadores dependem do mercado para vender seu trabalho, os capitalistas dependem dele para adquirir a mão de obra, transformando-se no principal método regulador da produção. Apesar de muitos acreditarem que sua essência seja baseada somente na economia, o capitalismo concentra-se também na relação do domínio que impacta a cultura, a educação, a produção, a política e a vida. Segundo Bauman (2001), na modernidade líquida, nada é feito para durar, para ser sólido ou permanente. Tudo é feito para ser trocado, descartado, substituído. Vemos uma inconsistência, a constante mudança e instabilidade das relações sociais, nesse sentido, entramos na fase atual do capitalismo, que, acompanhado do desenvolvimento da sociedade, traz o conhecimento, a informação, a criatividade e a capacidade intelectual como os principais motores da produção e da geração de valor econômico. Mantendo a exploração, considera a modernização como virtude da transformação do trabalho para algo não somente material mas em uma mercadoria fictícia. Nesse novo cenário, vemos os trabalhadores adultos cada vez mais necessitando reinventar-se no mercado fora dos espaços convencionais, o que acaba fazendo com que o tempo livre deixe de ser para descanso. Como afirma Han (2015), hoje, cada um é senhor e servo ao mesmo tempo. Como empreendedor de si mesmo, cada um explora a si próprio, o que não significa que essa autoexploração seja mais humana do que a exploração por terceiros. A liberdade se converte em coação para render. O trabalhador entra em um ciclo de autoexploração e pressão para realizar maiores performances para provar seu valor no mercado, assim, a angústia de não corresponder às suas próprias expectativas passa a ocupar o centro da vida psíquica, perdendo a capacidade de reconhecer seus próprios limites. Como observa Antunes (2018), a nova morfologia do trabalho intensifica o sofrimento, a angústia, o adoecimento e a solidão. O medo do desemprego e o terror do fracasso individual se transformam em elementos de disciplinamento da subjetividade. Com isso, torna-se extremamente importante repensar as formas de organização, buscando alternativas mais humanas para conciliar trabalho e vida pessoal, priorizando espaços de descanso e produção de ideias que busquem combater a necessidade da alta produção incessante, resgatando a centralidade do cuidado de si e das relações pessoais. Priorizar o cuidado implica reconhecer a importância da saúde mental e lutar contra a exploração dos indivíduos. Conclusão: Por meio desta pesquisa, concluímos ante o exposto que, é evidente que o capitalismo cognitivo impõe um novo modo de trabalhar, onde a subjetividade é moldada segundo as exigências e pressão do mercado. O cansaço e a sensação de inadequação revelam um modelo produtivo excludente e geram uma crise profunda na forma de ser. Deste modo, a construção de novas possibilidades é tão importante quanto resgatar o sentido do tempo livre e da autonomia, criando brechas em um sistema que nos quer sempre ativos. |
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| Referências: ANTUNES, Ricardo. O privilégio da servidão: o novo proletariado de serviços na era digital. São Paulo: Boitempo, 2018. BAUMAN, Zygmunt. Modernidade líquida. Tradução de Plínio Dentzien. Rio de Janeiro: Zahar, 2001. HAN, Byung-Chul. Sociedade do cansaço. Tradução de Enio Paulo Giachini. Petrópolis: Vozes, 2015. Edição digital. |
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