RELAÇÃO ENTRE OBESIDADE FELINA E O DESENVOLVIMENTO DO DIABETES MELLITUS TIPO 2: ASPECTOS METABÓLICOS E CLÍNICOS  
1YASMIN GABRIELE ALVES RODRIGUES, 2ANA JULIA SAMPAIO , 3ANA LUIZA DE ANDRADE GATTI , 4NATÁLIA APARECIDA MOREIRA ARAÚJO, 5AMANDA CARDIN, 6MAURO HENRIQUE BUENO DE CAMARGO
1Discente, curso de Medicina Veterinária, Universidade Estadual de Maringá
2Discente, curso de Medicina Veterinária, Universidade Estadual de Maringá
3Discente, curso de Medicina Veterinária, Universidade Estadual de Maringá
4Discente, curso de Medicina Veterinária, Universidade Estadual de Maringá
5Residente em Clínica Médica de Pequenos Animais da Universidade Estadual de Maringá – UEM.
6Docente, Departamento de Medicina Veterinária, Universidade Estadual Maringá
Introdução: A obesidade felina, é prevalente, atingindo aproximadamente cerca de 40% dos gatos domésticos, sendo considerada um dos principais fatores de risco para o desenvolvimento do diabetes mellitus tipo 2. Animais obesos, machos e castrados apresentam maior demanda por insulina, o que sobrecarrega as células β-pancreáticas. Essa condição pode provocar alterações na expressão de genes relacionados ao transporte de insulina e glicose, além de resistência à leptina, contribuindo para o agravamento do quadro metabólico. Essas alterações podem levar ao desenvolvimento em uma deficiência na secreção de insulina ou em uma resposta ineficaz à sua ação (Gomes, 2024). Estima-se que cerca de 80% dos gatos diabéticos apresentam o tipo 2, o que reforça a importância dos cuidados clínicos adequados para preservar a saúde e o bem-estar desses animais. O conhecimento aprofundado sobre os mecanismos fisiopatológicos envolvidos, fatores predisponentes e estratégias terapêuticas, é essencial para melhorar o prognóstico e prevenir complicações associadas à doença (McKinley & Hall, 2023).
Objetivo: Descrever a relação entre obesidade felina e o desenvolvimento do diabetes mellitus tipo 2, abordando os mecanismos metabólicos envolvidos, fatores predisponentes e implicações clínicas.
Desenvolvimento: O metabolismo da glicose em felinos é essencial para a manutenção da energia e do funcionamento dos tecidos, envolvendo múltiplos órgãos, como pâncreas, fígado e músculos. A regulação da glicemia depende do equilíbrio entre hormônios antagonistas, principalmente insulina e glucagon, que atuam para manter níveis sanguíneos estáveis. Alterações nesse equilíbrio, frequentemente associadas à obesidade e ao sedentarismo, podem levar ao desenvolvimento de resistência à insulina e comprometer a homeostase glicêmica, aumentando o risco de diabetes mellitus tipo 2 (Nakrani; Wineland; Anjum, 2025).  Nos gatos com esse tipo de diabetes, a resistência insulínica prejudica a captação de glicose pelos músculos e tecido adiposo, além de interferir no controle hepático da glicose, resultando em hiperglicemia crônica, aumento da neoglicogênese e glicogenólise persistente. Como consequência, há aceleração da lipólise e da degradação proteica, o que leva à perda de peso e atrofia muscular. Além disso, o acúmulo de gordura visceral, por sua vez, promove inflamação crônica de baixo grau e liberação de citocinas pró-inflamatórias, agravando ainda mais a resistência insulínica e contribuindo para disfunções metabólicas sistêmicas (Prado; Ferreira, 2022). A doença também está associada à deposição de amilina nas ilhotas pancreáticas, e alterações sistêmicas que comprometem o funcionamento do organismo como um todo. A combinação de resistência insulínica e secreção pancreática inadequada pode levar ao aparecimento de sinais clínicos como glicosúria, diurese osmótica, desidratação, polidipsia e polifagia (Rocha, 2020; Silva; Teixeira, 2019). Além desses sinais clássicos, gatos diabéticos podem apresentar fraqueza dos membros posteriores, decréscimo da capacidade de saltar e postura plantígrada, alterações na pelagem e letargia. O diagnóstico é realizado com base em exames clínicos e bioquímicos, especialmente sobre a dosagem de glicose sérica e a detecção de glicosúria. A intervenção precoce é essencial, e o manejo clínico baseia-se no controle alimentar, insulinoterapia e, quando indicado, uso de agentes hipoglicemiantes orais. Estudos, demonstram que, com tratamento adequado, é possível alcançar remissão parcial da doença em cerca de 50% dos gatos, especialmente quando a terapia é iniciada nos primeiros três meses após o diagnóstico (Faria, 2021). Além dos hormônios pancreáticos, a ação da insulina, é modulada por adipocinas, como a adiponectina e a leptina. Enquanto a adiponectina melhora a sensibilidade à insulina, e promove efeitos protetores sobre o metabolismo lipídico, a leptina atua no regulamento do apetite e no metabolismo energético, influenciando indiretamente a homeostase glicêmica de forma complementar a ação da insulina. A interação, entre essas adipocinas e a resistência insulínica observada em gatos diabéticos tipo 2, evidencia a complexidade da doença e auxilia na identificação e na compreensão de possíveis estratégias terapêuticas, reforçando a necessidade de um manejo individualizado (Nelson; Reusch, 2014).
Conclusão: A obesidade felina representa um importante fator de risco para o diabetes mellitus tipo 2, estando associado à resistência insulínica, alterações no metabolismo da glicose e disfunção das células β-pancreáticas. Esse conhecimento reforça a importância do diagnóstico precoce, do manejo clínico adequado e das estratégias terapêuticas personalizadas, visando remissão parcial, prevenir complicações, melhorar o bem-estar e garantir a qualidade de vida dos gatos afetados. Ademais, a conscientização dos tutores sobre alimentação adequada, estímulo à atividade física e acompanhamento veterinário contínuo é fundamental, permitindo que o manejo da doença seja mais eficaz e sustentável.
Referências:
ALTERAÇÕES METABÓLICAS NO DIABÉTICO. RSV – Revisão de Saúde e Vida. Disponível em: https://rsv.ojsbr.com/rsv/article/view/163/158. Acesso em: 1 set. 2025.
FARIA, F. F. L. Diabetes mellitus felina. Revista Científic@ Universitas (FEPI), 2021. Disponível em: http://revista.fepi.br/revista/index.php/revista/article/viewFile/814/642. Acesso em: 1 set. 2025.
GOMES, S. P. Perspectivas atuais sobre o diabetes mellitus em cães e ... Cuadernos de Educación y Desarrollo, 2024. Disponível em: https://ojs.cuadernoseducacion.com/ojs/index.php/ced/article/view/4527. Acesso em: 30 ago. 2025.
MCKINLEY, M.; HALL, J. E. Guyton and Hall Textbook of Medical Physiology. 14th edition. National Center for Biotechnology Information, 2023. Cap. 18 – Regulation of Blood Glucose. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK560599/. Acesso em: 30 ago. 2025.
NAKRANI, M. N.; WINELAND, R. H.; ANJUM, F. Physiology, Glucose Metabolism. In: STATPEARLS [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing, 2025. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK560599/. Acesso em: 1 set. 2025
NELSON, R. W.; REUSCH, C. E. Animal models of disease: classification and etiology of diabetes in dogs and cats. Journal of Endocrinology, v. 222, n. 3, p. T1–T9, 2014. DOI: https://doi.org/10.1530/JOE-14-0202. Acesso em: 30 ago. 2025.
ROCHA, STF. Diabetes mellitus felina – revisão de literatura. Faef Revista, [s.l.], v. 9, n. 1, p. 1–10, 2020. Disponível em: https://faef.revista.inf.br/imagens_arquivos/arquivos_destaque/lNyP6s6GwMyvUQt_2020-1-29-17-27-12.pdf. Acesso em: 31 ago. 2025.
SILVA, I. O.; TEIXEIRA, P. S. Fisiopatologia do diabetes mellitus e obesidade em felinos. Agrovetsul Minas, [s.l.], v. 11, n. 2, p. 1–8, 2019. Disponível em: https://ojs.periodicos.unis.edu.br/agrovetsulminas/article/view/269/239. Acesso em: 31 ago. 2025.