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| ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NAS INTERCORRÊNCIAS DURANTE AS SESSÕES DE HEMODIÁLISE EM UNIDADE DE TERAPIA INTENSIVA | |
| 1JOYCE DA SILVA BENDER, 2SARA CRISTINA SILVA ANTONIO, 3GABRIEL RIBEIRO DA SILVA, 4GABRIELA FAVERO ESPOLADOR | |
| 1Acadêmica do Curso de Enfermagem da UNIPAR 2Acadêmica do Curso de Enfermagem da UNIPAR 3Acadêmico do Curso de Mestrado Em Ciência Animal Com ênfase Em Produtos Bioativos da UNIPAR 4Docente da UNIPAR |
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| Introdução: A hemodiálise é uma modalidade de terapia renal substitutiva amplamente utilizada em pacientes com doença renal crônica e, de forma aguda, em indivíduos com lesão renal associada à criticidade clínica. Em Unidades de Terapia Intensiva (UTI), sua indicação é frequente devido à instabilidade hemodinâmica, alterações hidroeletrolíticas graves e necessidade de suporte avançado (ARAÚJO; ESPÍRITO SANTO, 2012). Nesse contexto, a hemodiálise em ambiente intensivo apresenta desafios adicionais. As intercorrências mais comuns incluem hipotensão arterial, desequilíbrios eletrolíticos, sobrecarga hídrica e complicações relacionadas ao uso de cateter venoso central, como infecções e obstruções (BELTRAME et al., 2013; SCHEEREN et al., 2018). Tais eventos, quando não identificados e manejados oportunamente, podem aumentar a morbimortalidade hospitalar e prolongar a internação em UTI (CHEN et al., 2019). Diante desse cenário, a enfermagem tem papel essencial, pois responde pelo monitoramento contínuo dos parâmetros clínicos, pela aplicação de protocolos de segurança e pelo registro da assistência. O Protocolo de Hemodiálise da Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN, 2024) reforça a necessidade de capacitação da equipe e da adoção de ferramentas como bioimpedância elétrica e ultrassonografia point-of-care para avaliação da volemia. Assim, compreender as intercorrências na hemodiálise em UTI e a forma como a enfermagem pode preveni-las ou manejá-las é fundamental para garantir cuidado seguro, eficaz e humanizado, fortalecendo a qualidade assistencial e reduzindo complicações. Objetivo: Analisar as práticas de enfermagem frente às intercorrências durante sessões de hemodiálise em UTI, enfatizando medidas preventivas, manejo adequado e estratégias baseadas em evidências científicas. Desenvolvimento: A hipotensão arterial é a complicação mais frequente durante a hemodiálise em UTI, com prevalência estimada de 20% a 30% das sessões (BELTRAME et al., 2013). O manejo inclui redução da taxa de ultrafiltração, reposição volêmica criteriosa e ajuste da medicação vasoativa, conforme recomenda a SBN (2024). Estudos apontam que a monitorização contínua com intervalos de 15 minutos pode reduzir significativamente a incidência de eventos graves (MORAES et al., 2021). O balanço hídrico positivo é reconhecido como um dos principais preditores de mortalidade em pacientes críticos dialíticos. Em estudo multicêntrico, pacientes com sobrecarga hídrica superior a 10% do peso corporal apresentaram mortalidade em 28 dias até duas vezes maior que os com balanço controlado (CHEN et al., 2019). Dessa forma, o papel da enfermagem no controle rigoroso de entrada e saída de líquidos é decisivo. O uso de bioimpedância elétrica e ultrassom de beira-leito tem se mostrado eficaz na avaliação precoce da congestão hídrica (SILVA et al., 2023). As infecções associadas ao cateter venoso central podem acometer até 25% dos pacientes em hemodiálise hospitalar, sendo responsáveis por aumento de até 40% nos custos de internação (FERREIRA et al., 2021). A adesão à técnica asséptica, trocas regulares de curativos e vigilância ativa são fundamentais para sua prevenção. O Protocolo SBN (2024) recomenda indicadores de qualidade, como a taxa de infecção relacionada a cateter, a serem monitorados periodicamente. Outro pilar da assistência é a Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE), que padroniza cuidados, favorece a comunicação multiprofissional e permite o registro detalhado das condutas (FERREIRA et al., 2021). Evidências mostram que a SAE reduz falhas de comunicação em até 30% e melhora a satisfação do paciente. As modalidades dialíticas emergentes, como a Terapia Renal Substitutiva Contínua (TRSC) e a hemodiálise prolongada (PIRRT), apresentam vantagens no manejo do paciente crítico instável. Estudos recentes apontam que a PIRRT, além de reduzir a carga de trabalho da enfermagem, melhora a estabilidade hemodinâmica e está associada à menor mortalidade em UTI (ZHANG et al., 2023). Conclusão: A assistência de enfermagem nas intercorrências de hemodiálise em UTI é determinante para a segurança, estabilidade clínica e prognóstico do paciente crítico. O reconhecimento precoce das complicações e a implementação de estratégias de manejo, como monitorização intensiva, controle hídrico rigoroso e prevenção de infecções, constituem pilares da prática assistencial. A incorporação das recomendações do Protocolo SBN (2024), aliada a práticas baseadas em evidências, potencializa a efetividade do cuidado. Ademais, a utilização de tecnologias como bioimpedância e ultrassonografia, a adoção da SAE e a capacitação contínua dos profissionais favorecem um cuidado mais resolutivo e humanizado. Dessa forma, a enfermagem consolida-se não apenas como executora, mas como protagonista na prevenção e manejo das intercorrências, contribuindo para a redução da morbimortalidade, a otimização dos recursos e a qualidade da assistência em terapia intensiva. |
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| Referências: ARAÚJO, A. C. S.; ESPÍRITO SANTO, E. A importância das intervenções do enfermeiro nas intercorrências durante a sessão de hemodiálise. Saúde e Desenvolvimento, v. 1, n. 1, p. 1-12, 2012. BELTRAME, V. et al. Intervenções de enfermagem nas intercorrências do tratamento hemodialítico. Ágora: Revista de Divulgação Científica, v. 18, n. 1, p. 131-140, 2013. CHEN, C. et al. Fluid balance and outcome in critically ill patients with acute kidney injury: a multicenter prospective cohort study. Critical Care, v. 23, n. 1, p. 1-10, 2019. DOI: 10.1186/s13054-019-2585-7. FERREIRA, J. M. et al. Cultura de segurança do paciente em serviços de diálise durante a pandemia da COVID-19. Ciência, Cuidado e Saúde, v. 20, e58202, 2021. DOI: 10.4025/ciencuidsaude.v20i0.58202. MORAES, R. B. et al. Incidentes em sessões de hemodiálise à beira-leito em unidades de terapia intensiva. Cogitare Enfermagem, v. 26, e77755, 2021. DOI: 10.5380/ce.v26i0.77755. SCHEEREN, B. et al. Validação de intervenções e atividades de enfermagem para pacientes em terapia hemodialítica. Revista Gaúcha de Enfermagem, v. 39, e2017-0129, 2018. DOI: 10.1590/1983-1447.2018.2017-0129. SILVA, R. A. et al. Ultrassonografia point-of-care na avaliação de sobrecarga hídrica em pacientes críticos dialíticos. Brazilian Journal of Nephrology, v. 45, n. 2, p. 123-131, 2023. DOI: 10.1590/2175-8239-JBN-2023-0123. Sociedade Brasileira de Nefrologia. Guia de Assistência Nefrológica Hospitalar. Braz. J. Nephrol. [online]. 2025, vol. 47, n. 3, e20240239. Disponível em: https://www.bjnephrology.org/article/guia-de-assistencia-nefrologica-hospitalar-da-sociedade-brasileira-denefrologia-sbn/. Acesso em: 02 set. 2025. ZHANG, L. et al. Prolonged intermittent renal replacement therapy in critically ill patients: effects on workload and outcomes. Journal of Critical Care, v. 72, p. 154-162, 2023. DOI: 10.1016/j.jcrc.2022.12.010. |
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