IMPORTÂNCIA DO HEMOGRAMA NA DETECÇÃO PRECOCE DA SÍNDROME DE SJÖGREN   
1ANA BEATRIZ COELHO CAVALINI, 2THAYNÁ LARA ANGELO SILVA, 3NICÁCIA MIRANDA VASCONCELOS, 4DUNIA RAMIREZ GOMES MEHANNA, 5ELIZABETI DE MATOS MASSAMBANI
1Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR
2Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR
3Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR
4Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR
5Docente de Pós-Graduação/Farmacêutica-Bioquímica
Introdução: A síndrome de Sjögren primária (SSp) é uma doença inflamatória autoimune sistêmica caracterizada pela infiltração linfocítica e consequente disfunção de glândulas exócrinas, especialmente as salivares e lacrimais. Além do quadro clínico clássico de sicca (xerostomia e xeroftalmia), a SSp pode se manifestar com uma ampla gama de manifestações extraglandulares, as quais incluem, mas não se limitam a, envolvimento cardíaco, articular, gastrointestinal, cutâneo, pulmonar, renal e neurológico (MIHAI, 2023).  O hemograma completo, embora careça de especificidade diagnóstica para a síndrome autoimune em questão, é uma ferramenta essencial para a detecção de anormalidades hematológicas que estão intrinsecamente ligadas ao processo patológico. Conforme PÉREZ-DE-LIZ et al. (2018), a anemia tipicamente caracterizada como normocítica e normocrômica, é observada em uma parcela significativa (aproximadamente um terço) dos pacientes. Essa condição é um indicador da resposta inflamatória crônica sistêmica, que frequentemente acompanha a síndrome.
Objetivo: Avaliar, por meio de revisão de literatura, a importância do hemograma na detecção precoce da Síndrome de Sjögren, destacando as principais alterações hematológicas encontradas e seu potencial papel como marcador auxiliar para o diagnóstico inicial. 
Desenvolvimento: A SS pode cursar com ampla variabilidade clínica, o que contribui para atrasos no diagnóstico. Estima-se que o tempo médio entre os primeiros sintomas e o diagnóstico possa ultrapassar cinco anos (RAMOS et al., 2024). Nessa fase inicial, exames laboratoriais de rotina podem fornecer pistas importantes para a suspeita clínica. O hemograma, embora inespecífico, permite identificar alterações diretamente relacionadas ao processo autoimune. A anemia, geralmente normocítica e normocrômica, é observada em até um terço dos pacientes e pode refletir a inflamação crônica associada à síndrome (PÉREZ-DE-LIS et al., 2018). A leucopenia, particularmente a linfocitopenia, está associada ao sequestro e migração de linfócitos para glândulas salivares e outros tecidos, funcionando como marcador indireto da atividade imunológica (NISHIYAMA et al., 2023). Já a trombocitopenia, embora menos frequente, pode indicar maior gravidade da doença e aumento do risco de complicações sistêmicas (NISHIYAMA et al., 2023; GARCÍA-CARRASCO et al., 2018). Além das alterações quantitativas, estudos recentes apontam que modificações hematológicas persistentes podem preceder o aparecimento de sintomas glandulares, funcionando como sinal de alerta precoce (GARCÍA-CARRASCO et al., 2018; YANG et al., 2024). Essa possibilidade é particularmente relevante em pacientes com fadiga, artralgias ou sintomas inespecíficos, nos quais a associação com alterações hematológicas pode direcionar o clínico para investigação reumatológica. O hemograma também tem valor no acompanhamento da SS, uma vez que a presença de citopenias está correlacionada com maior risco de manifestações extraglandulares e linfoproliferativas (NISHIYAMA et al., 2023; WANG et al., 2024). Assim, sua utilização não se limita à suspeita inicial, mas também auxilia na estratificação de risco e monitoramento da evolução clínica. Embora exames específicos, como a detecção de autoanticorpos (anti-SSA/Ro, anti-SSB/La) e a biópsia de glândula salivar, sejam fundamentais para o diagnóstico definitivo, o hemograma se destaca pela acessibilidade, baixo custo e ampla utilização na prática clínica. Esses fatores reforçam seu potencial como exame complementar estratégico para a triagem precoce da síndrome (MARIANO et al., 2023; RAMOS et al., 2024).             
Conclusão: O hemograma, apesar de não ser específico para a Síndrome de Sjögren, revela-se um instrumento essencial na prática clínica por sua capacidade de identificar precocemente as alterações hematológicas que podem sinalizar a atividade autoimune da doença. Sua ampla disponibilidade e baixo custo tornam-no uma ferramenta estratégica para a triagem inicial, permitindo levantar suspeitas em fases em que os sintomas clínicos ainda são inespecíficos. Além disso, o acompanhamento seriado das alterações hematológicas fornece subsídios para avaliar a evolução do quadro e orientar condutas terapêuticas. Assim, o hemograma deve ser considerado não apenas como exame de rotina, mas como parte integrante do raciocínio diagnóstico e do seguimento clínico de pacientes com suspeita ou diagnóstico confirmado de Síndrome de Sjögren, contribuindo para o manejo precoce e para a melhoria do prognóstico a longo prazo. 
Referências:
GARCÍA-CARRASCO, M. et al. Hematologic abnormalities in primary Sjögrenʼs syndrome. Autoimmunity Reviews, Amsterdam, v. 17, n. 8, p. 846-855, ago. 2018. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/40604050/. Acesso em: 31 ago. 2025. 
MARIANO, R. et al. Clinical, diagnostic and therapeutic aspects of Sjögrenʼs Syndrome: a literature review. Journal of Clinical Medicine, Basel, v. 12, n. 9, p. 3672, 2023. Disponível em: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles. Acesso em: 31 ago. 2025. 
MIHAI, A.; CHITIMUS, D. M.; JURCUT, C.; BLAJUT, F. C.; OPRIS-BELINSKI, D.; CARUNTU, C.; IONESCU, R.; CARUNTU, A. Comparative analysis of hematological and immunological parameters in patients with primary Sjögrenʼs syndrome and peripheral neuropathy. Journal of Clinical Medicine, v. 12, n. 11, p. 3672, 2023. DOI: https://doi.org/10.3390/jcm12113672. Disponível em:https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC10254055/. Acesso em: 31 ago.. 2025 
NISHIYAMA, S. et al. Hematologic manifestations of primary Sjögrenʼs syndrome. Clinical Rheumatology, Basel, v. 43, n. 2, p. 345-356, fev. 2023. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/. Acesso em: 31 ago. 2025. 
PÉREZ-DE-LIS, M. et al. Autoimmune cytopenias in primary Sjögrenʼs syndrome: clinical significance and prognostic factors. Revista Colombiana de Reumatología (English Edition), Bogotá, v. 25, n. 3, p. 145-154, 2018. Disponível em: https://www.elsevier.es/en-revista-revista-colombiana-reumatologia-english-edition–474. Acesso em: 31 ago. 2025. 
RAMOS, D. et al. Aspectos clínicos, diagnósticos e terapêuticos da Síndrome de Sjögren: uma revisão de literatura. Research, Society and Development, v. 13, n. 4, p. e151385, 2024. Disponível em: https://www.researchgate.net/publication/. Acesso em: 31 ago. 2025. 
WANG, H. et al. Advances in the hematologic involvement of Sjögrenʼs syndrome. Frontiers in Immunology, Lausanne, v. 15, n. 1223, p. 1-12, 2024. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/. Acesso em: 31 ago. 2025. 
YANG, L. et al. Novel insights into hematological markers and early diagnosis in Sjögrenʼs syndrome. Clinical and Experimental Rheumatology, Pisa, v. 42, n. 3, p. 512-520, 2024. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov. Acesso em: 31 ago. 2025.