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| PERFIL EPIDEMIOLÓGICO DOS TIPOS DE CARCINOMA PREDOMINANTES NA REGIÃO DO ESTADO DO PARANÁ | |
| 1EDUARDO HENRIQUE BARBOSA DA SILVA, 2KELORI PAVLAK MORETTO, 3RICARDO MARCELO ABRAO | |
| 1Acadêmico do curso de Medicina da UNIPAR 2Acadêmico do curso de Medicina da UNIPAR 3Professor Titular do curso de Medicina da UNIPAR |
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| Introdução: A epidemiologia da distribuição dos tipos de carcinoma varia segundo determinantes demográficos, ambientais e socioeconômicos. No Sul do Brasil, a combinação de maior exposição à radiação ultravioleta em atividades agropecuárias, características sociodemográficas e o nível da organização dos serviços de saúde impactam diretamente a incidência e a mortalidade por neoplasias cutâneas, mamárias e do colo uterino. No Paraná, onde a população se concentra em centros urbanos ao Norte e na região metropolitana de Curitiba, além da forte base agrícola no Oeste e Sudoeste, esse perfil aparece de modo marcante: carcinomas cutâneos lideram a incidência; o câncer de mama responde por importante parte da carga entre mulheres; e o câncer do colo do útero demonstra heterogeneidade em sua prevalência conforme as condições de vida e a cobertura de rastreamento de cada região paranaense (MÜLLER et al., 2011; INCA, 2015). Objetivo: Sintetizar o perfil epidemiológico dos tipos de carcinoma predominantes no Paraná, descrevendo padrões de ocorrência, grupos de risco e implicações para políticas públicas. Desenvolvimento: Os carcinomas cutâneos não melanoma (CCNM), sobretudo o basocelular (CBC) e o espinocelular (CEC), constituem os tumores malignos de maior incidência no país e na região Sul. Em uma pesquisa realizada no Oeste do estado, observou-se crescimento significativo desses diagnósticos, com 681 laudos anatomopatológicos em trabalhadores rurais entre 2011 e 2016, havendo predominância no sexo masculino, maior acometimento após os 65 anos e topografia preferencial em cabeça e pescoço. O subtipo histológico mais comum foi o CBC nodular, seguido do CEC indiferenciado (MIOLO et al., 2019). Esses achados corroboram o papel da exposição solar, do fototipo claro e de práticas laborais ao ar livre como determinantes de risco. Para o melanoma cutâneo, análises espaciais com dados do Datasus identificaram aglomerados de maior densidade de óbitos no Sudeste do Paraná, refletindo padrões epidemiológicos e demográficos da região Sul (FERREIRA; NASCIMENTO, 2016). Relatórios institucionais também apontam que, na região, as taxas de incidência de CCNM são substancialmente superiores às do melanoma, que, por sua vez, detém maior letalidade e impacto em anos de vida perdidos. No âmbito da mastologia, a literatura paranaense mostra amplo predomínio do carcinoma ductal sobre o lobular. Em levantamento do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (2008–2013), os carcinomas ductais e tipos especiais corresponderam a aproximadamente 92% dos casos, enquanto os lobulares somaram cerca de 8% (ROCHA et al., 2019). A maioria dos diagnósticos ocorreu após os 50 anos, com concentração em estádios II. Os receptores hormonais de estrogênio e progesterona mantiveram-se mais frequentemente positivos no grupo lobular ao longo da progressão tumoral, enquanto a expressão da proteína HER2 (Human Epidermal growth factor Receptor 2) não distinguiu significativamente os grupos. Adicionalmente, uma pesquisa advinda do Sudoeste do estado aplicou em sua população a ferramenta FHS-7 (Family History Screen-7), o qual é um questionário com 7 perguntas usado para rastrear o risco hereditário de câncer de mama e ovário. Este estimou que cerca de um quinto das mulheres com câncer de mama atendidas possuíam risco familiar elevado para a síndrome de câncer de mama e ovário hereditários, havendo associação a características clínicas mais agressiva, como alto grau histológico e diagnóstico antes da menopausa (MOURA et al., 2021). Outros levantamentos no local também apontam fatores de risco associados à obesidade e menopausa tardia (MATOS; PELLOSO; CARVALHO, 2010). O câncer de colo de útero também possui grande presença no estado. Sua mortalidade apresentou tendência geral estacionária entre 1980 e 2000, com crescimento em regionais de saúde caracterizadas por piores indicadores socioeconômicos (MÜLLER et al., 2011). A literatura aponta cobertura abaixo do satisfatório do rastreamento citopatológico em determinados períodos e localidades, o que ajuda a explicar a persistência de localidades de maior risco. Esses dados reforçam a importância de programas organizados de rastreamento, com convocações ativas, monitoramento e garantia de seguimento, além da integração de ações de promoção à saúde sexual e reprodutiva, vacinação contra HPV e ampliação do acesso a diagnóstico e tratamento oportunos (INCA, 2015). Conclusão: O Paraná compartilha com a região Sul um perfil marcado por alta ocorrência de carcinomas cutâneos, principalmente devido à composição populacional marcada por trabalhadores rurais e idosos; predominância do carcinoma ductal entre os tumores de mama; e heterogeneidade na mortalidade por câncer do colo uterino associada a desigualdades sociais e cobertura de rastreamento. Intervenções combinadas, como prevenção primária, rastreamento organizado, diagnóstico precoce, gestão do risco familiar e vigilância qualificada, são ferramentas cruciais para reduzir a morbimortalidade por carcinoma no estado (INCA, 2015; MOURA et al., 2021). |
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| Referências: FERREIRA FR; NASCIMENTO LFC. Mortality due to cutaneous melanoma in south region of Brazil: a spatial approach. An Bras Dermatol. [s. l.], v. 91, n. 4, p. 437-441, Jul. 2016. Disponível em: http://dx.doi.org/10.1590/abd1806-4841.20165122. Acesso em: 1 set. 2025. INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA (INCA). Estimativa 2016: incidência de câncer no Brasil. INCA, Rio de Janeiro, 2015. Disponível em: https://ninho.inca.gov.br/jspui/bitstream/123456789/11691/1/Estimativa%202016%20Incid%c3%aancia%20de%20C%c 3%a2ncer%20no%20Brasil.%202015.pdf. Acesso em: 1 set. 2025. MATOS JC; PELLOSO SM; CARVALHO MDB. Prevalência de fatores de risco para o câncer de mama no município de Maringá, Paraná, Brasil. Rev Latino-Am Enferm. [s. l.], v. 18, n. 3, p. 352-359. Disponível em: https://doi.org/10.1590/S0104-11692010000300009. Acesso em: 30 ago. 2025. MIOLO N; et al. Skin cancer incidence in rural workers at a reference hospital in western Paraná. An Bras Dermatol. [s. l.], v. 94, n. 2, p. 157–163, Mar. 2019. Disponível em: http://dx.doi.org/10.1590/abd1806-4841.20197335. Acesso em: 31 ago. 2025 MOURA JB; et al. Hereditary Breast and Ovarian Cancer Screening Syndrome Profile in Women Diagnosed with Breast Cancer from Paraná State Southwest. Rev Bras Ginecol Obstet. [s. l.], v. 43, n. 8, p. 616-621, Mai. 2021. Disponível em: https://doi.org/10.1055/s-0041 1733998. Acesso em: 31 ago. 2025. MÜLLER EV; et al. Tendência e diferenciais socioeconômicos da mortalidade por câncer de colo de útero no Estado do Paraná (Brasil), 1980–2000. Ciênc Saúde Colet. [s. l.], v. 16, n. 5, p. 2495-2500, Mai. 2011. Disponível em: https://doi.org/10.1590/S1413-81232011000500019. Acesso em: 30 ago. 2025. ROCHA HZ; et al. Comparative analysis of the histopathological and epidemiological profile of ductal and lobular breast carcinomas diagnosed at the Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná during the period 2008–2013. J Bras Patol Med Lab. Curitiba, v. 55, n. 1, p. 69-86. Jan. 2019. Disponível em: https://doi.org/10.5935/1676-2444.20190009. Acesso em: 1 set. 2025. |
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