ANEURISMA DA ARTÉRIA ESPLÊNICA: UMA ABORDAGEM ANATOMOCLÍNICA  
1AMANDA AIRES NUNES, 2CHAYENE YANOMAMI BISPO SANTANA, 3ISADORA MARTINS PIFFER, 4MATHEUS HENRIQUE TEN CATEN DAL POZZO, 5LAINY LEINY DE LIMA
1Discente do curso de Medicina da UNIPAR
2Discente do curso de Medicina da UNIPAR
3Discente do curso de Medicina da UNIPAR
4Discente do curso de Medicina da UNIPAR
5Docente do curso de Medicina da UNIPAR
Introdução: O aneurisma da artéria esplênica (AAE) representa a maior parte dos aneurismas viscerais,sendo na maioria das vezes assintomático,contudo,estudos apontam risco significativo de ruptura quando o diâmetro ultrapassar 2 cm, podendo resultar em complicações potencialmente fatais (Hogendoorn, et al., 2014).
Objetivo: O presente resumo tem como finalidade realizar uma revisão da literatura,a partir de sete trabalhos, por meio de uma busca realizada no Google Acadêmico e PubMed Central, utilizando os descritores: “aneurisma da artéria esplênica”, “splenic artery aneurysm” e “abordagem anatomoclínica do AAE”,com o objetivo de destacar a importância do reconhecimento dos aneurismas da artéria esplênica para o diagnóstico clínico.
Desenvolvimento: Os aneurismas da artéria esplênica (AAEs) podem ser classificados em verdadeiros , caracterizados pela dilatação que envolve todas as camadas da parede arterial, e em pseudoaneurismas , definidos como expansões decorrentes de ruptura focal da parede do vaso (Hogendoorn, et al.,2014). Os pseudoaneurismas apresentam maior incidência em homens e estão frequentemente relacionados à pancreatite aguda ou crônica,em que há o desenvolvimento de  complicações arteriais, sendo a artéria esplênica a mais acometida nesses casos.Ademais, os pseudoaneurismas apresentam risco mais elevado de ruptura quando comparados aos aneurismas verdadeiros,sendo recomendado tratamento imediato,independentemente do tamanho ou da presença de sintomas (Jesinger; Thoreson; Lamba, 2013). Os aneurismas verdadeiros correspondem a aproximadamente 60% dos AAE e apresentam maior incidência em mulheres, com uma prevalência quatro vezes superior à dos homens (Abdulrahman et al., 2014). Em gestantes, a mortalidade decorrente de sua ruptura  varia entre 65% e 75%, ao passo que a mortalidade fetal ultrapassa 90%.Estudos apontam que diversas etiologias estão envolvidas no desenvolvimento desta condição, as quais a influência hormonal e as alterações no fluxo portal durante a gestação desempenham papel significativo no desenvolvimento do AAE (Sadat et al., 2008). A maioria dos aneurismas desenvolve-se no tronco principal da artéria esplênica e como, na maior parte dos casos, são assintomáticos, seu diagnóstico ocorre frequentemente por meio de exames realizados para investigar queixas clínicas relacionadas a outras doenças, ou quando surgem complicações fatais, como a sua ruptura (Akbulut; Otan , 2015). Porém, em alguns casos podem manifestar-se por dor abdominal no quadrante superior esquerdo, presença de massa abdominal pulsátil ou choque hipotensivo secundário à ruptura (Hogendoorn et al., 2014). Além disso, devido à apresentação clínica inespecífica ou à ausência de sintomas, esses aneurismas são frequentemente ignorados ou diagnosticados tardiamente (Sadat et al.,2008). O tratamento do AAE é indicado sempre que houver sintomas, mas em casos assintomáticos, a intervenção é recomendada quando o diâmetro for superior a 2,0 cm, houver crescimento progressivo, no pré-operatório de transplante hepático e em mulheres grávidas ou em idade fértil,podendo ser acompanhados com exame radiológico semestral por ultrassonografia ou tomografia computadorizada (Sadat et al., 2008). Diversas abordagens terapêuticas estão disponíveis e a escolha depende da apresentação clínica, da localização e do tamanho do aneurisma, bem como da aceitação do paciente quanto ao procedimento (Parrish.; Maxwell; Beecroft, 2015). A cirurgia convencional foi, até recentemente, a principal modalidade terapêutica, incluindo ligadura da artéria esplênica, ligadura do aneurisma, com ou sem esplenectomia, conforme a localização da lesão (Lakin et al.,2011). Com o avanço das técnicas minimamente invasivas, passaram a ser adotados também os reparos cirúrgicos abertos, laparoscópicos, transabdominais percutâneos, endovasculares e condutas conservadoras (Hogendoorn et al., 2014). Dentre as inovações, destaca-se o uso de endopróteses endovasculares, que permitem a exclusão da dilatação aneurismática com preservação do fluxo arterial; entretanto, o tamanho, a tortuosidade da artéria esplênica e a posição do aneurisma podem limitar sua implantação (Lakin et al., 2011).
Conclusão: Torna-se evidente que os aneurismas de artéria esplênica exigem atenção,devido ao risco de ruptura e à complexidade diagnóstica e terapêutica. Casos assintomáticos e estáveis podem ser acompanhados com exame radiológico semestral, enquanto a intervenção é indicada em situações de risco, como aumento do diâmetro, sintomas, gestação ou preparo para transplante. Embora as técnicas minimamente invasivas, como o reparo endovascular, representem uma abordagem promissora, suas indicações ainda são restritas, e os estudos disponíveis permanecem limitados. Assim, o manejo do AAE permanece um desafio terapêutico que exige avaliação multidisciplinar e abordagem individualizada.
Referências:
ABDULRAHMAN, A. et al. Aneurisma espontâneo de artéria esplênica roto: relato de caso e revisão da literatura. International Journal of Surgery Case Reports, 2014.
AKBULUT, S.; OTAN, E. Manejo do aneurisma gigante da artéria esplênica: revisão abrangente da literatura. Medicina (Baltimore), 2015. 
JESINGER,RA;THORESON,AA;LAMBA,R. Aneurismas e pseudoaneurismas abdominais e pélvicos: revisão de imagens com correlação clínica, radiológica e terapêutica. Radiographics, 2013.
HOGENDOORN, W; LAVIDA, A; HUNINK M.G. et al. Reparo aberto, reparo endovascular e manejo conservador de aneurismas verdadeiros da artéria esplênica. Revista de Cirurgia Vascular ,2014. 
LAKIN, R.O. et al. O manejo contemporâneo dos aneurismas da artéria esplênica. Revista de Cirurgia Vascular, 2011.
PARRISH, J.; MAXWELL, C.; BEECROFT, JR. Aneurisma de artéria esplênica na gravidez. Journal of Obstetrics and Gynecology Canada, 2015. 
SADAT, U. et al.Aneurismas da artéria esplênica na gravidez: uma revisão sistemática. Int J Surg, 2008.