ATUALIZAÇÕES EM SUPORTE AVANÇADO DE VIDA (ACLS E ATLS): DA INTEGRAÇÃO DO ULTRASSOM À REANIMAÇÃO GUIADA POR IMAGEM  
1ANA KAROLINE NÉGRE FREGOLENTE, 2BEATRIZ NABAS VICENTE, 3HELOISA SANDES GROSSI, 4LUIZA MARTINASSO FABRICIO, 5MARIA CAROLINE SAMPAIO DA SILVA, 6REINALDO HIGASHI YOSHII
1Discente do Curso de Medicina da UNIPAR, PEX/UNIPAR
2Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR
3Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR
4Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR
5Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR
6Docente da UNIPAR
Introdução: A parada cardiorrespiratória (PCR) é uma das principais causas de morte no mundo, exigindo intervenção imediata por meio da ressuscitação cardiopulmonar (RCP) de alta qualidade, seguindo diretrizes específicas para o retorno da circulação espontânea (RCE) (Filho, et al. 2023). Entre os recursos disponíveis, destaca-se o ultrassom point-of-care (POCUS), recomendado desde 2015 pelo ACLS em casos com suspeita de causas reversíveis. Quando realizado por profissional treinado, o POCUS contribui para o diagnóstico rápido dessas causas, avalia a qualidade das compressões e monitora a resposta às intervenções (Kedan, et al. 2020).
Objetivo: Explorar a aplicação do ultrassom point-of-care (POCUS) como ferramenta complementar nas manobras de suporte avançado de vida (ACLS e ATLS), destacando seu papel na detecção precoce de causas reversíveis de parada cardiorrespiratória e na otimização da reanimação guiada por imagem.
Desenvolvimento: Em 2017, a Federação Internacional de Medicina de Emergência publicou um consenso sobre o uso do ultrassom em pacientes com hipotensão indiferenciada e parada cardíaca, com foco na identificação de causas reversíveis (Atkinson, 2017). Entre estas, destacam-se condições de diagnóstico clínico difícil, como tamponamento cardíaco, pneumotórax hipertensivo, embolia pulmonar aguda, trombose coronária, hipoxemia grave seja ela por pneumonia grave, síndrome do desconforto respiratório agudo ou edema pulmonar cardiogênico, hemorragia oculta que pode acontecer por aneurisma torácico ou abdominal, hemotórax, hemoperitoneo, etc. Além disso, o POCUS também auxilia para distinção entre assistolia verdadeira da pseudoassistolia, com relatos em assistolia no monitor, mas na ultrassonografia identificado uma fina fibrilação ventricular (Filho, et al. 2023). Para execução do POCUS, deve-se seguir técnicas respeitando a RCP, na qual a principal conduta são as compressões efetivas em ciclos de 2 minutos, e não prolongar o tempo entre elas por mais de 10 segundos ao realizar o exame, pois  é neste espaço entre os ciclos de compressão o ultrassom cardíaco é mais útil (López, et al. 2022).  Para otimizar o processo, a janela do coração pode ser obtida durante a RCP ainda em andamento, ou seja, antes da pausa para verificação do pulso. Outras estratégias utilizadas como limitar a avaliação a uma única janela e utilizar contagem regressiva por um membro designado na equipe a durante a pausa ajudam a minimizar a interrupção das compressões. As janelas mais utilizadas são cortes subcostal, apical e paraesternal de eixo longo, com prioridade para a sonda de matriz faseada (cardíaca) (Hussein, et al. 2019). Outro ponto é que a ultrassonografia é um exame cuja interpretação e diagnóstico é operador-dependente, portanto é necessário uma capacitação do operador para todos os profissionais que atuam na emergência ou extensionistas. Diversos protocolos orientam o uso do POCUS na PCR, como o Cardiac Arrest Ultrasound Exam (CAUSE), que avalia coração e pulmões; o FEEL, focado apenas no coração; e o PEA, de abordagem multi-órgão avaliando coração, pulmões, abdome e veias profundas proximais dos membros inferiores (Blanco; Buendía,  2017). Entre os achados mais relevantes, destacam-se: hipovolemia com câmaras cardíacas esvaziadas, veia cava inferior colabada, efusões pleurais/peritoneais, possível ruptura de aorta abdominal (Hernandez, et al. 2008). Sinais de pneumotórax hipertensivo no POCUS com ausência do “sinal deslizante” pleural, câmaras cardíacas hipovolêmicas e veia cava inferior dilatada (Blanco; Volpicelli, 2016). E outros achados como embolia pulmonar com dilatação do ventrículo direito e veia cava inferior pletórica, e o tamponamento cardíaco com efusão pericárdica com colapso diastólico das câmaras direitas e veia cava inferior pletórica. Portanto, a aplicação estruturada do POCUS no ACLS e ATLS pode resultar em maior taxa de identificação de causas reversíveis, redução do tempo para intervenção definitiva e otimização da qualidade das manobras de reanimação, impactando positivamente nos índices de sobrevivência e prognóstico neurológico pós-PCR. 
Conclusão: O ultrassom point-of-care (POCUS) é uma ferramenta complementar essencial no suporte avançado de vida (ACLS e ATLS), permitindo a identificação precoce de causas reversíveis de parada cardiorrespiratória e o monitoramento em tempo real da eficácia das manobras de reanimação. Sua aplicação estruturada contribui para decisões clínicas mais rápidas e precisas como reconhecimento de uma fibrilação ventricular fina, diminuindo o tempo até decisões definitivas e potencialmente melhorando a taxa de retorno à circulação espontânea e o prognóstico neurológico. Para maximizar seus benefícios, são indispensáveis ​​treinamento adequado dos profissionais e protocolos que minimizem as compressões. A incorporação sistemática do POCUS nos serviços de emergência pode, portanto, melhorar significativamente o gerenciamento da PCR e do trauma, atendendo diretamente ao objetivo proposto.
Referências:
ATKINSON P. International Federation for Emergency Medicine Consensus Statement: Sonography in hypotension and cardiac arrest (SHoC): An international consensus on the use of point of care ultrasound for undifferentiated hypotension and during cardiac arrest. Canadian Journal of Medicine, v. 19, n.6, p. 459-470 , 2017.
BLANCO P, BUENDÍA MC. Point-of-care ultrasound in cardiopulmonary resuscitation: a concise review. Società Italiana di Ultrasonologia in Medicina e Biologia (SIUMB), v. 20, n. 3, p. 193-198, 2017. 
BLANCO P, VOLPICELLI G. Common pitfalls in point-of-care ultrasound: a practical guide for emergency and critical care physicians. Critical Ultrasound Journal, v. 8, n. 1, p. 15-27, 2016.
FILHO, C. A. de M.; et al. O impacto do ultrassom point-of-care transtorácico no tempo de pausa entre as 
compressões torácicas durante a reanimação cardiopulmonar: revisão sistemática e metanálise. Revista JRG de Estudos Acadêmicos, v. 6, n. 12 p. 119-130, 2023.
HERNANDEZ C, et al. C.A.U.S.E.: Cardiac arrest ultra-sound exam—A better approach to managing patients in primary non-arrhythmogenic cardiac arrest. Clinical paper, v. 75, n. 2, p. 198-206, 2008.
HUSSEIN, L.; et al. Bedside ultrasound in cardiac standstill: a clinical review. The Ultrasound Journal, v. 11, n. 35, p. 2-8, 2019. 
KEDAN I, et al. Prognostic value of point-of-care ultrasound during cardiac arrest: a systematic review. Cardiovascular Ultrasound, v. 18, n. 1, p. 1-10, 2020.
LÓPEZ, E. Z.; et al. Ultrasonido Point-Of-Care (POCUS) durante la reanimación cardiopulmonar para el diagnóstico de causas reversibles de arresto cardiaco. Med Crit., v. 36, n. 5, p. 312-317, 2022.