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| FUNDAMENTOS TEÓRICOS: PROJETO ARQUITETÔNICO DE ESCOLA INCLUSIVA PARA CRIANÇAS NEURODIVERGENTES NA CIDADE DE MARECHAL CÂNDIDO RONDON - PR | |
| 1MIKAELA HUF EICH, 2ANDRESSA CAROLINA RUSCHEL | |
| 1Acadêmico do PIC/UNIPAR 2Docente da UNIPAR |
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| Introdução: A inclusão educacional de crianças neurodivergentes, que incluem padrões neurológicos que refletem variações naturais do funcionamento humano, como Transtorno do Espectro Autista (TEA) e Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), representa um dos principais desafios para as políticas públicas no Brasil. Dados da PNAD (2022) revelam uma disparidade significativa nos níveis de instrução entre pessoas com e sem deficiência, com uma taxa de analfabetismo de 19,5% para o primeiro grupo contra 4,1% para o segundo (IBGE, PNAD, 2022). Este cenário é agravado pela falta de infraestrutura escolar adequada, que impacta negativamente o aprendizado, a socialização e o bem-estar desses alunos. Neste contexto, a implementação de salas sensoriais surge como uma estratégia inovadora e eficaz, projetada para oferecer um espaço seguro com estímulos controlados que auxiliam na regulação emocional e sensorial, favorecendo o desenvolvimento integral. O município de Marechal Cândido Rondon - PR, apesar dos avanços na inclusão, ainda evidencia a necessidade de investimentos em estrutura física para atender a essa demanda crescente. Diante disso, a presente pesquisa foi desenvolvida a partir da questão norteadora: de que forma a implantação de salas sensoriais e uma arquitetura pensada para a neurodiversidade podem contribuir para a inclusão efetiva de crianças nas escolas do município? O presente estudo faz parte do Programa de Iniciação Científica – PIC, dentro do grupo de pesquisa intitulado “Fundamentos Teóricos: projeto arquitetônico de escola inclusiva para crianças neurodivergentes na cidade de Marechal Cândido Rondon – PR”. Objetivo: O objetivo geral deste trabalho é embasar teoricamente um projeto arquitetônico de escola inclusiva para crianças neurodivergentes em Marechal Cândido Rondon - PR, com adaptações sob os aspectos arquitetônicos, pedagógicos e de desempenho econômico. Especificamente, buscou-se: analisar o contexto da inclusão nas escolas municipais; investigar os benefícios das salas sensoriais; estudar três projetos correlatos para extrair estratégias e soluções projetuais aplicáveis; e, por fim, desenvolver um projeto arquitetônico modelo com a aplicação de salas sensoriais para o município. Desenvolvimento: A metodologia adotada concentrou-se na análise aprofundada de três correlatos arquitetônicos para a extração de diretrizes projetuais. O primeiro correlato, o Museu Oscar Niemeyer (MON) em Curitiba-PR, destaca-se pela implementação pioneira da Sala de Acomodação Sensorial (SAS), um espaço com estímulos reduzidos para que pessoas neurodivergentes possam se reorganizar durante a visita. A SAS serve como um exemplo prático e bem-sucedido de um ambiente de regulação sensorial em um equipamento de grande público, fornecendo subsídios sobre layout e uso que são diretamente adaptáveis ao contexto escolar (Museu Oscar Niemeyer, 2025). O segundo estudo, a Westermark School em Los Angeles (EUA), projetada pelo escritório NBBJ, materializa a aplicação da neurociência à arquitetura escolar. O projeto abandona a rigidez tradicional e cria uma "ecologia de espaços" que oferece um gradiente de estímulos – desde salas de aula focadas até nichos de refúgio e um pátio central com forte apelo ao design biofílico como ferramenta terapêutica. A lição central é que a abordagem sensorial deve permear toda a escola, e não se limitar a uma única sala (NBBJ, 2021). O terceiro correlato, a Fundação Bradesco em Osasco-SP, analisada a partir de sua reforma pelo escritório Shieh Arquitetos Associados, oferece estratégias de como transformar uma estrutura rígida em um ambiente de aprendizado dinâmico e interativo. A criação de átrios, espaços de convivência e a setorização vertical clara demonstram como a arquitetura pode promover a apropriação do espaço pelos alunos e incentivar a interação social, princípios essenciais para um projeto inclusivo. A síntese das lições extraídas destes estudos, aliada à análise do terreno escolhido em Marechal Cândido Rondon, com seu potencial bioclimático e topográfico favorável, formou a base para a formulação de um projeto arquitetônico modelo. Conclusão: A pesquisa confirmou a carência de infraestrutura adequada para atender às necessidades de crianças neurodivergentes no ambiente escolar e o impacto negativo que essa lacuna gera em seu desenvolvimento. A análise dos correlatos demonstrou que a arquitetura, quando informada pela neurociência e por princípios de design universal e sensorial, torna-se uma ferramenta pedagógica poderosa. As estratégias identificadas, como a criação de salas de acomodação sensorial, a diversificação de espaços com diferentes níveis de estímulo e a integração com a natureza, provaram-se eficazes e aplicáveis. Conclui-se, portanto, que o desenvolvimento de um projeto arquitetônico escolar que integra esses conceitos é uma solução viável e fundamental para promover um ambiente educacional mais acessível, equitativo e acolhedor, contribuindo para o fortalecimento da educação inclusiva em Marechal Cândido Rondon. |
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| Referências: CARVALHO, T. C. P. de. Arquitetura escolar inclusiva: construindo espaços para educação infantil. 2008. Tese (Doutorado em Arquitetura e Urbanismo) - Escola de Engenharia de São Carlos, Universidade de São Paulo, São Carlos, 2008. DESCOVI, I. J. da F. Sala sensorial: uma metodologia inovadora para o ensino-aprendizagem. Anais do VI Congresso Internacional de Ontopsicologia e Desenvolvimento Humano, set. 2024. INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA – IBGE. Pessoas com deficiência: 2022. Rio de Janeiro: IBGE, 2023. 15 p. Disponível em: . Acesso em: 16 mar. 2025. MUSEU OSCAR NIEMEYER. MON Para Todos. Disponível em: . Acesso em: 31 mar. 2025. NBBJ. Designing for Neurodiversity. NBBJ, 28 abr. 2021. Disponível em: . Acesso em: 17 jun. 2025. REVISTA PROJETO. FINESTRA: Shieh Arquitetos Associados, Escola de Ensino Médio da Fundação Bradesco, Osasco, SP. Revista Projeto, Acervo, 14 set. 2017. |
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