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| USO DE ADITIVOS ALIMENTARES NA MITIGAÇÃO DO METANO ENTÉRICO EM BOVINOS LEITEIROS: REVISÃO CIENTÍFICA | |
| 1MARIA EDUARDA DO NASCIMENTO, 2MARIA TEREZA DE SOUZA GONÇALVES, 3NADIA DOS SANTOS PITLOVANCIV, 4ANA LUIZA DE ANDRADE GATTI, 5ANA JULIA SAMPAIO, 6LORRAYNE DE SOUZA ARAUJO MARTINS MOTTA | |
| 1Discente de Medicina Veterinária na Universidade Estadual de Maringá, campus de Umuarama. 2Discente de Medicina Veterinária na Universidade Estadual de Maringá, campus de Umuarama. 3Discente de Medicina Veterinária na Universidade Estadual de Maringá, campus de Umuarama. 4Discente de Medicina Veterinária na Universidade Estadual de Maringá, campus de Umuarama. 5Discente de Medicina Veterinária na Universidade Estadual de Maringá, campus de Umuarama. 6Docente de Medicina Veterinária na Universidade Estadual de Maringá, campus de Umuarama. |
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| Introdução: Atualmente, as mudanças climáticas e os impactos ambientais decorrentes da emissão de gases de efeito estufa (GEE) configuram uma das principais preocupações globais. No setor agropecuário, destacam-se como principais GEE emitidos o óxido nitroso (N2O), o dióxido de carbono (CO2) e o metano (CH4), sendo este último, de origem entérica, particularmente relevante na bovinocultura leiteira (Feng; Kebreab, 2020). A produção de leite apresenta relação direta com a emissão de CH4, resultante da decomposição de excretas e, principalmente, da fermentação ruminal promovida pela microbiota (Bačėninaitė; Džermeikaitė; Antanaitis, 2022). Considerando a importância econômica e social da cadeia leiteira, estratégias têm sido desenvolvidas visando mitigar o impacto da produção de ruminantes na emissão de GEE, entre as quais se destacam os aditivos alimentares. Esses compostos, de origem química ou microbiana — como probióticos, óleos essenciais, enzimas e ácidos graxos —, podem atuar de forma significativa na melhoria da digestibilidade, na modulação da fermentação ruminal e na redução da metanogênese (Danieli; Schogor, 2020; Santos et al., 2024). Objetivo: Revisar a literatura científica acerca de aditivos alimentares com potencial de mitigação da emissão de metano entérico em bovinos leiteiros, enfatizando seus mecanismos de ação e os principais desafios de aplicação prática. Desenvolvimento: A produção de CH4 em ruminantes, denominada metanogênese, ocorre a partir do metabolismo da microbiota ruminal. Durante a digestão de carboidratos, os monossacarídeos são convertidos em ácidos graxos voláteis (AGVs), liberando hidrogênio molecular (H2). Esse H2 é transferido por bactérias, protozoários e fungos para arqueias metanogênicas, que o utilizam na redução de CO2 e outros compostos, culminando na produção de CH4 (Beauchemin et al., 2019). O desafio científico e produtivo consiste em reduzir a emissão de metano por unidade de leite produzido sem comprometer o consumo alimentar, a eficiência produtiva e o bem-estar animal. Dietas de baixa qualidade, por exemplo, tendem a aumentar a emissão de CH4, além de prejudicar ganho de peso e produção de leite, dessa forma diversos aditivos têm sido estudados como alternativas mitigadoras, entre eles óleos essenciais, taninos, saponinas, flavonoides, lipídios e algas. Apesar de apresentarem potencial anti-metanogênico, a escolha deve considerar diferenças metodológicas, visto que resultados obtidos in vitro frequentemente superestimam os efeitos quando comparados a estudos in vivo (Bačėninaitė; Džermeikaitė; Antanaitis, 2022). Segundo Honan et al. (2022), os taninos — compostos fenólicos presentes em vegetais — podem reduzir a disponibilidade de H2 ao interferirem na digestibilidade de fibras, além de exercerem ação direta sobre arqueias metanogênicas. As saponinas, presentes em determinadas leguminosas, reduzem a população de protozoários, diminuindo indiretamente a produção de H2. Os lipídios, por sua vez, competem com as arqueias pelo H2 ao hidrogenarem ácidos graxos insaturados, reduzindo a população de metanogênicos e protozoários. Já os flavonoides apresentam potencial promissor, mas carecem de estudos mais consistentes sobre sua eficiência. Os óleos essenciais extraídos de plantas como orégano, tomilho, coentro e canela demonstram capacidade de alterar a composição da microbiota ruminal, afetando a fermentação e a metanogênese. Contudo, podem impactar negativamente microrganismos benéficos ao processo digestivo (Bačėninaitė; Džermeikaitė; Antanaitis, 2022; Honan et al., 2022). Outro enfoque recente é o uso de algas do gênero Asparagopsis, ricas em bromoformo, composto que inibe a atividade metanogênica. Roque et al. (2019) demonstraram que a inclusão de Asparagopsis armata na dieta de vacas em lactação, em baixas concentrações, reduziu significativamente a produção de metano sem comprometer ingestão de matéria seca e produtividade, além de não alterar de forma relevante a concentração de bromoformo no leite. Conclusão: A pecuária leiteira contribui de forma expressiva para as emissões de GEE, sendo o metano entérico um dos principais pontos críticos. Estratégias nutricionais, especialmente o uso de aditivos alimentares, apresentam grande potencial para a mitigação dessas emissões. Entretanto, a aplicação prática requer cautela, considerando aspectos como bem-estar animal, digestibilidade, eficiência produtiva, custos e diferenças entre resultados in vitro e in vivo. Investimentos em pesquisa contínua são fundamentais para consolidar alternativas viáveis e sustentáveis, promovendo maior sustentabilidade ambiental do setor leiteiro. |
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| Referências: BAČĖNINAITĖ, D.; DŽERMEIKAITĖ, K.; ANTANAITIS, R. Global warming and dairy cattle: How to control and reduce methane emission. Animals, v. 12, n. 19, p. 2-22, 2022. BEAUCHEMIN, K. A. et al. Fifty years of research on rumen methanogenesis: Lessons learned and future challenges for mitigation. Animal, v. 14, n. 1, p. 2-16, 2020. DANIELI, B.; SCHOGOR, A. L. B. Uso de aditivos na nutrição de ruminantes: revisão. Veterinária e Zootecnia, v. 27, p. 1-13, 2020. FENG, X.; KEBREAB, E. Net reductions in greenhouse gas emissions from feed additive use in California dairy cattle. Plos one, v. 15, n. 9, p. 1-13, 2020. HONAN, M. et al. Feed additives as a strategic approach to reduce enteric methane production in cattle: modes of action, effectiveness and safety. Animal Production Science, v. 62, p. 133–138, 2021. ROQUE, B. M. et al. Inclusion of Asparagopsis armata in lactating dairy cowsʼ diet reduces enteric methane emission by over 50 percent. Journal of Cleaner Production, v. 234, p. 132-138, 2019. SANTOS , F. A. P. et al. Aditivos para bovinos leiteiros. In: BORGES, A. L. da C. C. et al., (ed.). Exigências Nutricionais de Zebuínos Leiteiros e Cruzados - BR-LEITE. 1. ed. São Carlos: Editora Scienza, 2024. cap. 12, p. 221-266. |
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